Ética Do Amor
27 De frente com o inimigo
Notas iniciais
Olhei para ele, pensando rapidamente no que dizer, mas não tinha jeito. Ou eu dizia a verdade, ou qualquer outra coisa pareceria uma mentira mal contada. E a última coisa que eu queria, era Edward desconfiando de mim, ainda mais agora, que eu tinha algo tão precioso em mãos.
– Fala. – Ele disse, me pressionando. – Quem te enforcou?
– Edward... Eu preciso te contar algumas coisas, mas como eu não sei qual vai ser a sua reação, já aviso, de antemão, que tudo que eu fiz, foi pro seu bem.
– Bella, por favor, me conta. O que aconteceu?
– Eu não fui ao banco hoje. Saí mais cedo pra vir até a sua portaria e conseguir o endereço da Karla, porque como ela te visitou, imaginei que eles anotariam ao menos um número pra contato. Eu tentei, primeiramente, entrar em contato com o número do celular dela, mas não consegui. Então fui até o endereço que ela deixou, e ao chegar lá... Encontrei com o Nathan.
– Nathan??? – Perguntou alto, com os olhos arregalados. – Ele e a Karla ainda estão juntos? Que diabos você foi fazer lá? – Agora ele estava nervoso. – E quem te enforcou?
– Calma! – Eu disse enquanto meus olhos lacrimejavam. O que eu mais temia estava perto de acontecer. Uma briga das grandes. – Sim, ele e a Karla estão juntos. E quando eu permiti que ele entendesse que eu te conhecia, ele me enforcou. Se a Karla não tivesse chegado na hora, ele teria me matado. Foi isso que aconteceu!
E então Edward começou a ficar vermelho, eu podia sentir a fúria exalando de seus poros enquanto olhava furiosamente para meu pescoço marcado. Antes mesmo que eu pudesse perguntar se ele estava bem, Edward se levantou, vestindo a roupa em questão de segundos, furioso.
– Edward? – Perguntei me levantando da cama. – Onde você vai?
– Tirar satisfação. Ninguém toca em você e fica numa boa.
– Edward... Não. – Pedi.
– Eu vou lá, não adianta tentar me impedir. – Disse decidido.
– Deixa ao menos eu ir com você.
– Não. Eu vou resolver isso sozinho. – E saiu do quarto.
Me vesti rapidamente e desci correndo. Edward estava falando com o porteiro, provavelmente pegando o endereço de Karla, mas antes que eu pudesse alcançá-lo, ele entrou em seu carro e saiu cantando pneu. Corri até o ponto de táxi que tinha ali na rua dele mesmo e peguei um.
– Segue aquele carro, por favor. – Pedi.
– Mas é um Audi r8. Nem que eu quisesse.
– Pago o dobro.
– Mas posso tentar. Segura firme. – Disse arrancando com seu carro.
O passeio foi rápido demais. O taxista até que conseguiu acompanhar Edward. Fiz o prometido, pagando o dobro da corrida. Sobraram apenas dois dólares no meu bolso, mas quem ligava? Eu tinha que estar ali o mais rápido possível. Corri até Edward que estava esmurrando a porta da casa amarela.
– Edward. Vamos embora daqui. É a área deles, pode ser perigoso.
– Eu falei pra você ficar. – Disse nervoso.
– Mas você não manda em mim. – Eu disse firme. – Vamos embora.
– Você também não manda em mim. Se eles demorarem mais dez segundos pra abrirem, eu vou arrombar essa porra.
– Edward, pelo amor de Deus. Se acalma.
– Impossível. – E bateu na porta novamente, com tanta força que ela tremia violentamente.
– Já vai caralho. – Disse Nathan.
– É ele. – Disse Edward. – Eu não esqueceria essa maldita voz nem após 100 anos sem ouvi-la.
E então, Nathan abriu a porta. Antes mesmo que eu pudesse captar seu rosto em meu campo de visão, Edward deu dois socos na cara dele, fazendo com que ele caísse ao chão, como um leproso. Deus que me livre desses sentimentos ruins, mas seria mentira dizer que no fundo, eu não tinha gostado. O que não me impedia de tentar apartar a briga, é claro.
– Edward, para. – Eu disse, desesperada.
– Fica longe. – Gritou.
Nathan começou a tossir e se rastejar no chão que tinha muitas marcas de seu sangue que escorria abundantemente de sua boca e nariz. Olhando rapidamente, percebi até um ou dois dentes caídos pelo chão. O que me levou a pensar que ainda bem que naquele dia, quem me bateu, foi James, não Edward.
– Mas o que é isso? – Perguntou Nathan, desnorteado enquanto tentava se levantar.
– Levanta daí, seu filho da puta. Vem me encarar como homem. – Disse Edward, furioso.
– Por que está fazendo isso? – Perguntou enquanto ao se levantar e tentar secar um pouco o rio de sangue que escorria por seu rosto. – Sou um homem idoso.
– Pra bater em mulher você não é idoso porra nenhuma, né? – Disse segurando seu pescoço, empurrando-o até a parede, da mesma forma que ele tinha feito comigo, mas sem enforcá-lo.
– Quem é você? – Perguntou, mesmo estando cara a cara com Edward.
– Não lembra de mim não? Engraçado, você poderia passar por mil cirurgias, mas da sua fuça eu não esqueço jamais. Sabe por que isso? Porque quando a gente faz alguma coisa pra alguém, a gente costuma esquecer, mas aquele maldito que é pisado e humilhado, aquele ali não esquece de jeito nenhum.
– Edward? – Perguntou com um leve sorriso no rosto.
– Ah... Viu como você lembra?
– Bater em mim agora que eu to velho é fácil, não é? Típico de um covarde feito você.
– Você vindo falar de covardia pra mim? O homem que estuprou, bateu e matou a minha irmã, uma criança de 12 anos e ainda por cima colocou a culpa em mim pela morte da mesma. O mesmo homem que quase vinte anos depois quase matou a minha namorada enforcada quer mesmo falar de covardia comigo? Você tem mais é que se foder todinho, seu filho da puta.
– Eu não matei a sua irmã. Sua mãe sabe que não fui eu. – Ele disse. – Quanto a sua namoradinha. Você queria o que? Se se importasse tanto com sua segurança não a deixaria vir sozinha até aqui.
– Eu não sabia que ela ia vir.
– Pouco me importa. Devia até me agradecer, porque se eu não tivesse deixado ela entrar enquanto esperava a Karla, ia virar comida desses drogadinhos de merda aí da rua. Se bem que se a casa não estivesse cheia, eu ia pegar a sua ninfetinha, levar até o meu quarto, amarrar ela peladinha na minha cama e fazer a mesma coisa que eu fazia com a sua querida irmãzinha. Ô maravilha! – Disse com aquela cara nojenta de deboche.
Edward então começou a apertar seu pescoço com muita força, a ponto de em menos de cinco segundos, Nathan já estar roxo.
– Lava a sua boca pra falar da minha mulher e da minha irmã! – Edward gritou, dando vários socos em seu rosto em seguida.
Se antes eu tinha visto uns dois dentes de Nathan no chão, agora eu vi mais uns quatro voando, enquanto Edward o socava. O barulho de seus murros era alto e eu mal conseguia imaginar o quanto aquilo estava doendo.
– Edward, para! – Gritei, enquanto puxava, inutilmente, seus braços para trás, tentando separá-lo de Nathan. – Pelo amor de Deus! Se você matá-lo vai parar da cadeia, não vale à pena. Por favor, para. – Gritava desesperada, chorando.
Mas não adiantava, Edward estava cego, eu acreditava até que ele nem podia me ouvir. Então apelei. Corri até os quartos de baixo, abrindo as portas desesperadas, onde as prostitutas transavam com seus clientes.
– Pelo amor de Deus. – Eu gritava desesperada, para que todos ouvissem. – Ajudem aqui ou vai acontecer uma tragédia. Venham, rápido!
E então todos saíram, todos os homens vestiram suas cuecas, enquanto as prostitutas vieram peladas mesmo, apenas algumas, de roupão, entre elas Karla, que usava um rosa pink.
– O que tá acontecendo aqui?! – Disse desesperada enquanto chegava na sala e via os clientes que até então estavam lá com suas prostitutas, segurando os braços de Edward. Ao todo, tinham cinco homens o afastando de Nathan, que caiu no chão, totalmente ensanguentado e inconciente. Karla correu até seu namorado/cafetão, enquanto eu corri até Edward, que estava com as mãos cheias de sangue, enquanto os homens tentavam acalmá-lo, dizendo que não era assim que se resolviam as coisas. Em pouco tempo vieram três prostitutas peladas com copos de água com açúcar para Edward.
– Eu trouxe pra te deixar melhor. – Disse uma delas se insinuando.
– Eu também. – Disseram as outras duas.
Peguei o copo da mão de uma delas e levei até sua boca, fazendo com que ele bebesse tudo.
– Amor, vamos embora daqui. Por favor.
– Bella. Eu quero matar esse filho da puta. – Ele disse ainda exaltado. – Quero tirar até a última gota de sangue dele com as minhas próprias mãos.
– Mas...
– Ele não tentou te matar? – Perguntou. – Pois então, quem vai tentar matar ele agora sou eu. – E tentou avançar em Nathan novamente, porém os homens o seguraram.
– Não! – Gritei, chorando feito uma criança, aproveitando a atenção que ele estava me dando. – Você não vai estragar a sua vida por causa desse homem. Ele já não estragou o suficiente? Pois então. Não quero você atrás das grades por causa desse maldito. Eu te amo, será que você não vê que as consequências dos seus atos vão me atingir diretamente? Vão acabar comigo, com você, com a gente, Edward.
E então a fúria em seus olhos, deu lugar à compreensão e ao arrependimento. Agora ele parecia outro Edward diante de mim, parecia o meu Edward novamente. O Edward pelo qual eu me apaixonei.
– Vamos embora. – Ele disse.
– Vamos. – Eu disse segurando sua mão.
Os homens ao redor o soltaram e nós saímos da casa de Karla e Nathan em silêncio.
– Você sabe dirigir? – Perguntou quando chegamos no carro.
– Sei.
– Leva o carro então. Eu não estou em condições.
– Tudo bem.
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