Assim que chegamos ao apartamento de Edward, ele tomou um longo banho, e pude ouvir seu choro através da porta que pela primeira vez estava fechada.

– Edward? Quer que eu vá até aí pra ficar com você? – Perguntei.

– Não precisa. – Disse tentando disfarçar sua voz de choro. – Daqui a pouco estou aí, amor.

– Tudo bem, te espero aqui na cama.

Depois de algum tempo, Edward veio, com os olhos baixos, para a cama, mas não permiti que aquilo me abalasse, justamente por saber que não duraria muito.

– Amor. – O chamei enquanto me sentava na cama antes que ele se deitasse.

– Oi?

– Eu não fui lá à toa.

– Eu sei que não. Você foi lá tentar entender a cabeça daqueles psicopatas, e quem sabe ver o lado bom deles? Mas não adianta Bella, definitivamente, não adianta. Eles são pessoas ruins por natureza e isso...

– Edward. – O interrompi.

– O que?

– Não fui lá pra isso. Quer dizer, em partes eu queria sim saber o que passou pela cabeça deles para serem pessoas tão terríveis, mas a questão não é unicamente esta. Na verdade está bem longe de se resumir a isso.

– O que é então? – Perguntou.

Levantei e fui até minha bolsa, pegando um pequeno gravador, que eu havia deixado no bolso de minha calça, o tempo inteiro durante a conversa com Karla, conversa na qual ela havia confessado suas barbaridades.

– Não posso dar play por aqui, já que este gravador é muito pequeno, mas conecte ao computador, e está aí, tudo que você precisava pra colocar o monstro do Nathan e aquela bruxa que nunca foi sua mãe, mas te trouxe ao mundo, atrás das grades.

De repente os olhos de Edward brilharam, e sua tristeza deu lugar a uma grande felicidade, felicidade na qual eu estava muito orgulhosa de não apenas presenciar, mas também ter papel fundamental.

– Cadê meu notebook? Quero ouvir isto agora. – Disse ansioso.

– Edward, antes que ouça, quero que saiba que Karla me revelou coisas que você não sabia até então.

– Como assim?

– Coisas sobre o passado. Sobre o que aconteceu.

– Tudo bem. Mesmo assim, quero e preciso ouvir.

– Ok.

Edward pegou o notebook e conectou o cartão de memória do gravador no adaptador. Quando a pasta do cartão abriu, lá estava o áudio que finalmente daria não apenas justiça à morte de Elizabeth, mesmo após tantos anos, como também paz a Edward.

Foram longos minutos até o fim do áudio, que ao terminar, causou silêncio no quarto.

– Edward? – Perguntei após mais de um minuto de silêncio.

– Foi ela. – Disse pensativo. – Sempre soube que Karla era um monstro e que para ela tanto fazia se Elizabeth e eu estávamos ou não, bem, mas a ponto de matar a própria filha? Que tipo de monstro ela é?

– Edward... – Disse tensa. – Sabia que a sua reação seria essa. Também foi a minha, mas o que importa, agora é que ela confessou tudo aí, não apenas confessou o que ela fez, como também confessou o que Nathan fez. Então amanhã mesmo, vou chamar a polícia e bater naquele bordel deles que provavelmente também é ilegal e talvez tenha até menores de idade trabalhando, o que vai terminar de incriminá-los. E a justiça será feita.

Edward olhou para mim, com um sorriso sincero no rosto. Um sorriso que era um misto de gratidão, amor, companheirismo e alívio.

Todo o dia seguinte passou arrastado. Eu já tinha exatamente tudo que precisava, mas hoje era dia de trabalho, como todos os outros, então tínhamos que esperar. Edward parecia ainda mais ansioso que eu, e provavelmente estava, já que todo seu passado seria resolvido hoje.

Conseguimos sair da empresa mais cedo e a primeira coisa que fizemos foi ir até a polícia, com o mini gravador em mãos, no qual mostramos ao delegado, que decretou prisão preventiva aos monstros, Karla e Nathan. Acompanhamos a viatura até o bordel onde trabalhavam. A polícia bateu à porta e algum tempo depois, Karla abriu, com a cara mais lavada do mundo. Sua expresão ao nos ver foi de “Senhora ingênua” para “Senhora totalmente confusa”.

– A senhora é Karla Fernandez? – Perguntou o delegado.

– Sou eu sim, senhor. – Disse Calmamente.

– Podemos entrar?

– É que eu estava fazendo as minhas unhas e a casa está uma bagunça. – Disse gaguejando.

– Perguntamos para não soar indelicado, mas nós podemos entrar sim. Temos um mandado de prisão preventiva para a senhora e seu companheiro, Nathan Prestes.

– Deve haver algum engano.

– Não senhora, não estamos enganados. Ou a senhora nos deixa entrar, ou entraremos à força.

Karla, com a cabeça baixa, abriu a porta para que entrássemos, fomos entrando e os policiais avaliavam cada canto da sala com os olhos. Quando estávamos todos dentro da sala, Karla permaneceu na porta e se aproveitou disso, para pegar a chave do lado de dentro, e sair, nos trancando na sala.

– Austin, atrás dela. – Disse o policial encarregado a um de seus colegas.

Austin, abriu a janela, pulando por ela rapidamente e indo atrás de Karla que não devia estar muito longe.

– Larry e Tom, averíguem todos os quartos daqui debaixo e não deixem ninguém sair desta casa. Eu vou dar uma olhada lá em cima. – Disse o encarregado subindo as escadas. Edward e eu permanecemos na sala. Esperando qualquer movimento.

E todas as prostitutas começaram a sair dos quartos com seus clientes, algumas me pareciam jovens demais para estarem ali.

– Bella. – Disse Edward. – Fique aqui, quero ir lá em cima. Não quero que exista qualquer possibilidade daquele monstro fugir.

– Vá, mas tenha cuidado. – Pedi.

– Eu terei. – Garantiu.

P.O.V Edward

Subi as escadas devagar, estava ansioso para este momento tão esperado. O momento no qual Nathan e Karla pagariam por tudo que fizeram comigo, e principalmente, com Elizabeth. Abri a primeira porta do corredor que a escada me levava, e ali, nada havia além de uma cama. Mas assim que saí do primeiro quarto, algo me chamava atenção para o último, no qual percebi a porta, riscada de giz com desenhos infantis. Fui então até a tal porta, me perguntando quem poderia ser a criança que esteve nesse lugar imundo. E então bati à porta, porém ninguém respondeu, se é que ali havia alguém. Então abri, entrando lentamente em seguida no pequeno quarto, com um pedaço de papelão no chão com uma coberta fina por cima, e uma menininha loira, de cabelos longos e um vestido imundo, de costas para a porta, desenhando algo na parede.

– Já lavei o banheiro, Nathan. – Disse ela, sem olhar para trás.

– Não é o Nathan. – Respondi.

– Se for outro assistente social que vem, olha como estou e cobra um preço para não denunciar estes porcos e não me levar embora, então nem entre. – Disse firme com sua voz fina.

– Não sou assistente social. – Disse.

– Se for cliente, está no quarto errado.

– Também não sou nenhum cliente.

E então, a menininha, olhou, devagar, para trás. Seu rosto pálido carregava hematomas, e ao olhar em seus pequenos olhinhos verdes e tristes, os meus lacrimejaram, ela tinha os olhos de Elizabeth. Era em si, muito parecida com ela e aquilo me estremeceu dos pés à cabeça.

– Quem é você? – Perguntou.

– Sou Edward. – Disse me aproximando, porém a pequena largou o giz, e se afastou. – E você, quem é?

– Lívia.

– Olá, Lívia. O que faz aqui?

– Tem certeza que não é assistente social?

– Absoluta.

– Sou filha da Karla e do Nathan.

De repente, meus olhos, que antes, apenas lacrimejavam, agora choravam, de verdade. Agora eu via, naquela menina, que também era minha irmã, um pouco não apenas de Elizabeth, mas também de mim. Vivendo naquele inferno.

– Tudo bem, moço? – Perguntou, com seus pequenos olhinhos curiosos.

– Tudo... Tudo bem sim.

– Eu sei que parece loucura um filho querer estar longe dos pais, mas se tiver como, me tire daqui. – Seu pedido soou quase como uma súplica.

– Quantos anos você tem?

– Eu tenho 11.

– E o que eles te mandam fazer aqui? – Perguntei com medo da resposta.

– Lavar os banheiros, quartos, roupas, praticamente tudo. Mesmo assim, nada nunca está bom para eles que só saber me bater, brigar e xingar. Nunca ouvi uma palavra de afeto, nunca recebi um carinho, nada. Nathan queria me prostituir até, mas todos os clientes me acham muito pequena ainda, e eu agradeço a Deus todos os dias por isso.

– Arrume as suas coisas, Lívia. Vou te tirar daqui agora.

A pequena sorriu para mim e correu em minha direção, me apertando em um abraço forte.

– A única coisa que sei ao seu respeito é que seu nome é Edward, mas o senhor é o meu anjo apenas por me tirar deste inferno. – Disse chorando.

P.O.V. BELLA

Permaneci ali embaixo, vendo os outros dois policiais impedindo todas as pessoas presentes no local de saírem e obrigando as prostitutas e até aos clientes, mostrarem seus documentos. Algum tempo depois, o policial chefe, desceu, sozinho.

– Nada do tal de Nathan. O maldito deu sorte de não estar aqui, mas vamos permanecer de olho aqui, até encontrarmos ele.

– Onde está o Edward? – Perguntei.

– Já está descendo.

O encarregado checou o documento das prostitutas e dos clientes, e alguns minutos depois, Edward desceu ao lado de uma menina loirinha de olhos verdes, vestida num short jeans surrado, mesmo neste frio e um casaquinho rasgado, nos pés, um par de chinelos maiores que seus pequenos pés e nas costas uma mochila dessas dada nas escolas públicas para as crianças estudarem. Não entendi bem quem era, mas me arrepiei apenas por ver que ela estava dentro deste bordel.

– Peguei ela, chefe. – Disse o policial que tinha ido atrás de Karla ao entrar na sala. – Está algemada na viatura.

– Ótimo. Vamos terminar de resolver isto. – Disse o policial chefe

A noite foi longa, e dentre as prostitutas que ali estavam, quatro eram menores de idade. O que piorava a situação de Karla e Nathan.

Não pudemos levar a menina para casa, já que ela era menor e infelizmente estava orfã, agora que sua mãe estava presa, e seu pai, foragido. Edward explicou, que a pequena menina, chamada Lívia, era sua irmã e até poderia pedir a guarda dela, se houvessem provas de que Karla era mãe de ambos, no entanto, em seus documentos, constava como mãe, Carmem, que fez questão de registrar, Elizabeth e ele, como seus filhos, já que Karla não quis fazê-lo, e depois, teve o nome de Carlisle adicionado. Já Lívia, tinha apenas o primeiro nome mesmo, já que documentos, Karla e Nathan não fizeram nenhum.O procedimento era levá-la ao orfanato da cidade. E isso foi feito.

– Bella. – Disse Edward ao chegarmos em seu apartamento. – Precisamos fazer alguma coisa. Não quero a Lívia por aí. É a minha irmã.

– E o que pretende fazer? – Perguntei.

– Adotá-la. Eu sei que isso é meio louco, adotar uma criança, assim, sem te consultar, mas nesse caso, não tenho outra alternativa, é a minha irmã que com certeza já sofreu tanto nessa vida. Eu quero tirá-la deste orfanato e dar do bom e do melhor a ela. Quero fazer por ela, o que não pude fazer pela Elizabeth.

– E você vai. Não vou contra você adotá-la. Jamais. Estou ao seu lado e te darei todo o apoio.

– Obrigado, meu amor. – Disse me abraçando. – Eu te amo.

– Eu também te amo, Edward.

No dia seguinte mesmo, já começamos o necessário para a adoção e uma semana depois, os papéis já estavam encaminhados. Claro que como Edward tinha dinheiro as coisas andavam mais rápido para ele. E o que para uma família de classe média, demorava às vezes até anos, para ele, seria em semanas. Eu iria totalmente contra ele pegar esses “atalhos” na adoção. Mas nesse caso, era de se compreender. Lívia já tinha onze anos, e se o processo de adoção durasse o tempo usual, ela ficaria muito tempo ali e não era isso que queríamos.

Quando caiu a noite, voltei para o meu apartamento, pela primeira vez depois de uma semana dormindo na casa de Edward. Não queria deixá-lo sozinho, ele andava muito preocupado com a adoção de Lívia e com Nathan que ainda estava foragido. Essa semana inteira, eu fui praticamente inteira dele e ele meu. Não nos comunicamos direito com quase ninguém, não era de propósito, é claro, mas as coisas andavam muito corridas.

Assim que entrei em meu apartamento, a primeira coisa que vi, foram roupas femininas jogadas no sofá. E a única coisa que pensei foi “Mas que porra!” Tinha esquecido completamente que Rosalie estava hospedada lá em casa. Jake e ela não se conheciam direito, e eu os deixei sozinhos por uma semana, deviam estar totalmente constrangidos.

Fui até a cozinha e arregalei os olhos com o que vi. Rosalie, completamente nua, sentada na mesa, com Jake, também nu, investido com tudo nela.

– Meu Deus. – Disse Rosalie, se tampando toda.

– O que estão fazendo?! – Perguntei incrédula.

– É... Sexo. – Disse Jake sem graça, se enrolando na toalha da mesa.

– Sim, estou vendo. Mas... Vocês dois?

E antes que respondessem, me virei e fui para meu quarto, que graças a Deus estava arrumado. Mas pela roupa de cama, que não era minha, agora quem estava com a cama era Rosalie. Mas isso não me impediu de cair com tudo nela. Estava completamente exausta. Passei a semana inteira sem dormir, já que Edward estava tendo pesadelos frequentes e sabia que mesmo querendo demais, hoje também não dormiria. Já que ficaria pensando se ele estava melhor, como pareceu estar nos últimos dois dias.

– Bella. – Disse Rose entrando no quarto.

– Oi, Rose. – Eu disse, me sentando na cama.

– Sobre o que você viu lá na cozinha. Jake e eu estamos... Nos curtindo. Espero que não se importe.

– Pelo que?

– Ah, é que o Jake sempre ficou na sua, sempre gostou de você, e talvez você não esteja gostando disso.

– Não estou gostando mesmo, mas não é pelo Jake, porque quero mais que ele encontre uma garota incrível e seja muito feliz. O lance é o Emmet. Como ele fica?

– Bella, há uns cinco dias atrás, fui até a casa, que agora é só do Emmet, tentar me reconciliar, voltar com ele, sabe? Mas quando eu cheguei lá, vi uma versão do Emmet que eu não via desde a adolescência. Ele se inscreveu numa academia e tá praticando esportes de novo e está ótimo. Perguntei sobre a gente e ele disse que não é o que ele quer, que só quer um tempo pra ele mesmo e que se é pra gente voltar, só o tempo vai dizer, mas que essa não é a intenção dele. Eu saí de lá arrasada, a única coisa que fiz nesse tempo separados, foi sofrer e sofrer, até engordei de tanto que eu comia pra compensar a tristeza que eu estava sentindo. Naquela noite que saí da casa dele, o Jake também estava na fossa porque você não voltava mais pra casa e só ficava lá com o Edward, nós bebemos e uma coisa se uniu a outra, foi muito bom, pra ele e pra mim, desde então nós estamos nessa, sexo sem compromisso. Nunca imaginei que fosse tão leve, tão fácil. Só sei que se tem alguém que não está mal nessa história, é o Emmet.

– Bom... Nesse caso, não tenho o que dizer, a não ser que espero que estejam bem, tanto você, quando o Emmet. Mas você sabe, transar com o Jake não vai trazer o Emmet de volta, não sabe? Muito pelo contrário, inclusive.

– Eu sei. Mas Bella, eu vi que quando ele disse que nós voltarmos não estava nos planos dele, não era brincadeira. Ele realmente se cansou e eu não o culpo. Eu fui estúpida todos esses anos, impondo o que ele tinha que fazer, o que ele tinha que ser, ocultando cada vez mais o verdadeiro Emmet, e esse verdadeiro Emmet que está dentro dele, deu um jeito de sair, agora ele não quer mais entrar, não quer mais se esconder. Não tem mais volta, Bella. Eu realmente perdi o Emmet.

– Quer que eu converse com ele? – Perguntei.

– Você pode se quiser, mas eu não acho que ele vá querer voltar. E eu já nem sei se isso é o ideal. Eu estou bem, de verdade. O Jake e eu, estamos nos dando muito bem. Nos divertimos juntos. Eu vou na do Emmet, se tivermos que ficar juntos, algum dia vamos nos esbarrar de novo, mas não creio que essa seja a hora.

– Tudo bem. Vocês querem dar tempo ao tempo. E realmente, esse é o melhor remédio.

Notas finais
Oi gente! Tudo bem com vocês? Espero que não tenha demorado muito, mas este capítulo foi um tanto difícil de se escrever. Não sabia exatamente como colocaria cada coisa. E nem SE colocaria muitas coisas, mas o resultado final é esse aí. Agradeço à Belaisa pelas sugestões enviadas, e a todas vocês que não abandonaram a fic e me receberam com o maior carinho! Semana que vem estamos aí!