Ética Do Amor
21 Da escuridão... Ao furacão
P.O.V. Edward.
Fazia algum tempo que eu vinha me sentindo dessa forma em relação à Bella. As coisas estavam ficando sérias entre a gente e isso era claro pra qualquer um. Ao mesmo tempo que esse sentimento por ela fazia um bem enorme pra mim, também me assustava, afinal era algo totalmente novo. Bella não conhecia muito sobre meu passado e eu não sabia se estava pronto para contar, ou se ela estava pronta para saber. Na verdade eu morria de medo de contar tudo e ela achar demais, ir embora. Era estranho, mas todas as noites eu lembrava dela antes de dormir, dos momentos junto a ela e do quanto vinha me fazendo feliz, tudo estava de vento em polpa, até a segunda-feira, quando ela quis terminar tudo, porque eu não sabia demonstrar meus sentimentos. Na hora, foi um verdadeiro baque, porque eu estava muito envolvido com ela e tudo mais, mas apesar de tudo pensei que conseguiria superar, até chegar em casa e ver aquelas paredes tão coloridas… Tão ela. Parecia que ela estava presente em tudo ali e doía saber que tinha acabado, doía muito.
Karla sempre me dizia que paixão era algo da nossa cabeça e que bastava força de vontade para controlá-la e eu acreditei nisso, até aquela semana. A princípio eu queria que ela voltasse e pretendia fazer algo para que isso acontecesse, só que recebi a uma notícia que mudou tudo, a notícia que os chineses não fechariam negócio com a empresa, sendo que eu nunca deixei de fechar negócio com ninguém, logo imaginei que a culpa de tudo isso era desse sentimento estranho que eu vinha nutrindo por ela, já que no dia que eu devia estar me preparando para dar o meu melhor pela empresa, foi justamente o dia que eu estava lá, passando a tarde me reconciliando com ela. E o pior é que ao saber da notícia, ao invés de ficar apenas triste pela empresa, na verdade fiquei lembrando do dia anterior à reunião, pensando no quanto aquela tarde com ela foi maravilhosa, no quanto ríamos por qualquer coisa, no quanto nos tocamos... Eu não conseguia parar de pensar em todos esses momentos que se resumiram a um frio “Bom dia, senhor Cullen” todos os dias. Pensava tanto em tudo isso, que não estava rendendo tanto quanto esperava, logo percebi que o melhor a fazer era enfiar de vez na minha cabeça que Karla estava certa sim, e que paixões são coisas da nossa imaginação, expectativas que criamos com certas pessoas que ao serem quebradas, magoam, mas são totalmente superáveis em uma ou duas semanas, no máximo. Tudo isso unido ao fato de eu pensar que ela não foi fiel ao que me disse naquele dia, de que estaria comigo apesar de todo mundo girar ao contrário, fez eu tomar a decisão de não procurá-la mais, de esquecer tudo que vivemos e aguentar sua presença constante mais cinco meses lá na empresa, e então nunca mais vê-la. Eu sobrevivia antes dela, não sobrevivia? Pois então, não seria o fim do mundo, já suportei tantas coisas terríveis, isso seria fácil depois que essa dor inicial passasse.
E assim os dias foram se passando, se antes eu ficava ansioso para chegar na empresa pra vê-la novamente, agora eu ficava ansioso para ir embora e acabar com toda a tortura de aguentá-la tão perto e não poder dizer nada, fazer nada. Mas é claro que a minha tormenta não se dissipava ao chegar em casa, já que bastava eu me deitar pra tudo vir à mente novamente, sendo tão forte a ponto de trazer algumas lágrimas aos meus olhos, com a sensação de que ninguém conseguiria me deixar da forma que eu era quanto estávamos juntos, o que senti por Victória era forte, mas não se comparava a isso. Era como um furacão devastador que me invadia dia após dia, sem dó, nem piedade.
Na sexta-feira, cinco dias após nosso término, depois do trabalho, peguei o carro popular do meu segurança, e parei na rua de seu apartamento, do outro lado da rua, com os vidros escuros fechados e o ar condicionado ligado enquanto esperava quem sabe, que ela aparecesse, apenas para vê-la sem aqueles trajes formais de escritório, e matar, ainda que fosse um pouco a falta que eu sentia da Bella, a minha pequena Bella. Não da senhorita Swan, assistente social da empresa.
Foi então que vi o carro vermelho de Rosalie parando em frente a portaria do prédio. Ela saiu e ficou esperando do lado de fora, até que Bella apareceu, cumprimentando o porteiro, com um lindo sorriso e um aperto de mão, simpática como só ela sabia ser, em um vestidinho de alça azul celeste, que caia lindamente em sua pele delicada. Rosalie foi até ela e elas deram um abraço amigo, Rosalie entrou no carro ao lado do motorista enquanto Bella entrou no carona. Eu queria ir pra casa, na verdade eu devia ir pra casa, mas não consegui até que ela voltasse, um pouco cambaleante, provavelmente após um jantar com Rosalie regado à vinho tinto (Sua bebida alcoólica favorita) e talvez o assunto principal tenha sido sobre quão babaca, egoísta e mesquinho eu sou, da parte de Rosalie, é claro, enquanto ela ouvia tudo e começava a se convencer disso. Meus pensamentos foram interrompidos com Bella se despedindo de Rosalie que saiu com o carro, e depois indo em direção ao seu prédio, mas tropeçando no primeiro degrau da escada da portaria e caindo. O porteiro correu até ela, ajudando-a a se levantar. Após ver que não tinha sido nada demais, dei uma leve risada, tão Bella. E então, quando ela finalmente subiu, fui para o meu apartamento.
No sábado, resolvi me distrair um pouco. Passei o final de semana na ilha, mas não entrei no mar, agora não apenas pelo meu medo do passado recém superado, mas por me lembrar que a última vez que entrei, foi por ela, eu queria manter esta lembrança intacta, então resolvi não entrar. Passei o fim de semana inteiro lendo e pensando nela.
O resto da outra semana passou igualmente dolorosa e entediante, após o trabalho, fui todos os dias com o carro do meu segurança, até sua rua. Todas as noites ela saía, no domingo mesmo, quando voltei, da ilha, fui direto para lá e a vi saindo com Jacob, uma menina pequena de cabelos espigados, a mesma que estava com ela no shopping, quando comprei o vestido para ela, e um outro cara, que estava de mãos dadas com a baixinha, amiga dela, deduzi imediatamente que eram um casal, além deles sobrava Bella e Jacob, então era como um encontro duplo? Meu coração foi a mil e meus punhos se cerraram de ciúmes, esperei até que eles voltassem e estavam bêbados, a baixinha estava abraçada com o namorado, enquanto Bella e Jacob andavam separados, porém todos riam bastante. Na segunda, ela saiu com Jacob, sozinha, o que me deixava possesso de tantos ciúmes, voltaram bêbados novamente, meu Deus, ela não ficava sem beber nenhum dia? Ela sempre parecia cansada no trabalho, mas parecia por cansaço, não por ressaca. Na terça-feira, ela saiu sozinha, na lambreta, porém não parecia bêbada ao voltar, Carlisle comentou comigo na quarta que ela havia jantado com eles na terça. Na quarta-feira fiquei lá, esperando, mas ela não saiu. Na quinta-feira, ela saiu com a baixinha, mas não voltaram bêbadas nem nada disso, mas cheias de sacolas, provavelmente foram ao shopping. Na quinta mesmo, assim que cheguei em casa, cansado de sentir tantas coisas e não poder dividir com ninguém, liguei para Victória.
– Oi, Eddie.
– Oi, Vick.
– Como vai?
– Estou bem. Seria pedir demais pra você vir aqui em casa?
– Agora?
– Sim.
– Você está precisando conversar?
– Muito. – Eu disse respirando fundo enquanto minhas lágrimas ameaçavam cair.
– Okay, estarei aí em vinte minutos. – Disse encerrando a chamada em seguida.
Tomei um banho rápido enquanto ela vinha e assim que Victória chegou, ela parecia preocupada.
– O que houve? – Perguntou.
– Entra. – Eu disse levando-a até o sofá para que nos sentássemos.
– Você quer beber alguma coisa? – Perguntei enquanto ela se sentava.
– Não. Eu só quero saber o motivo de você me ligar onze horas da noite pedindo pra que eu viesse à sua casa. Por nada eu tenho certeza que não é.
– E não é mesmo. É a Bella... – Eu disse com a voz falhando ao dizer seu nome.
– O que você fez? – Perguntou parecendo irritada. – Ai, Edward, não acredito que estragou tudo!
– Estraguei. – E meus olhos lacrimejaram. Mas que droga, nunca fui de ficar chorando.
– O que houve?
– Ela começou a me cobrar... E você sabe, não sou bom com cobranças.
– É... Mas você sabia que mais cedo ou mais tarde isso ia acontecer.
– Sim, mas eu não pensei que fosse tão cedo. Pra dizer a verdade eu não tava pensando no futuro pra não surtar, sabe? Porque eu sabia que o nosso futuro juntos era praticamente inexistente, e toda vez que eu pensava, doía, então preferi viver um dia de cada vez.
– Bom... O que você quer que eu te diga então? Você já tomou sua decisão, não é? Vai deixar ela ir. É melhor ficar sozinho e solteiro do que com ela. Essa é a vida que você escolheu pra você. – Disse em um tom acusatório. – Agora eu te pergunto, vale à pena? Vale mesmo à pena, Edward, você ficar aí, com a sua liberdade e sem ela?
– Eu… Eu não sei! – Eu disse colocando as duas mãos no rosto, exausto. – Eu tava na filosofia de que paixão é algo da nossa cabeça, e eu já tentei esquecer... Mas não dá. Eu não consigo. Tenho ficado na rua do prédio dela todas as noites, esperando que ela saia, pra saber se ela está com alguém, pra vê-la em algum lugar que não seja o trabalho e todas as noites, quando deito no travesseiro... Eu até choro. É estúpido, eu sei, mas dói tanto, machuca tanto. Parece que estou enlouquecendo.
– Só me responda uma coisa. – Pediu.
– O que?
– O que exatamente você está sentindo. Tente descrever o que se passa dentro de você.
– Não dá! – Eu disse quase gritando de agonia, porém me acalmando em seguida. – Perdão, é que ela também me perguntou isso, só que eu não sei dizer, não sei o que é.
– Edward, por favor, você consegue fazer melhor do que isso, vamos lá, diga qualquer coisa. As sensações que a presença e a falta dela te proporcionam, quero que me diga.
– Okay... Quando me disseram que um assistente social viria me vigiar em nome do governo, eu imaginei um cara velho, rabugento e irritante, mas não foi bem assim. Era ela, desde a primeira vez que a vi, eu meio que senti alguma coisa, não acredito muito em sentimentos à primeira vista, mas a atração que senti por ela, foi muito forte, muito mesmo, eu nunca senti nada parecido, mas achava que era só tesão ou algo assim. Logo pensei que a melhor maneira de fugir desse sentimento que estava ficando a cada dia mais ardente, era ser o mais insuportável que poderia ser, para que ela desistisse e fosse embora de uma vez, mas não foi assim. Ela não desistiu e quanto mais grosso eu era, mais desafiada ela ficava a continuar, e então pra piorar de vez a situação, Carlisle anunciou que estava com uma namorada nova, surpresa foi a minha ao saber que a tal namorada, era a mãe da garota que eu tanto queria evitar. Imagina que não tem como piorar? Pois piorou, porque eles inventaram de fazer uma viagem de três dias à Machu Picchu com a família inteira reunida, foram Carlisle e Reneé como um casal, Emmet e Rosalie como outro, e a Bella e eu como duas pessoas opostas que estavam sendo forçadas a agir como “Irmãozinhos felizes” e ainda por cima dormir no mesmo quarto, na mesma cama.
– Nossa. – Ela disse impressionada. – Realmente, as coisas foram ficando difíceis pra você.
– Exatamente. E ainda por cima ela encontrou o idiota do ex lá. Eles tinham um relacionamento aberto e na época estavam juntos. O idiota ficou atrás dela a viagem inteira e eu estava me mordendo de ciúmes, mas não assumia nem pra mim. E então, em uma noite, quando ela foi pra balada, com ele, o Emmet e a Rose. Eu juro que tentei ficar na minha e ir dormir, mas não consegui, então troquei de roupa e saí, disposto a ir até onde eles estavam, só que encontrei com ela que estava voltando e nós acabamos ficando, só que não chegamos aos finalmente, porque eu fui um idiota e fiz ela pensar que eu só queria dormir com ela pra provar que eu era melhor que o babaca do ex dela que discutiu comigo no jantar mais cedo. E depois disso não teve mais jeito, ela tentou fugir, mas uns dias depois, após uma noite de bebedeira ela foi até o meu apartamento e confessou que também queria, então eu corri atrás e a gente começou a se envolver. Depois disso eu estava nos meus melhores dias porque ela é uma das melhores pessoas que eu conheço. Ela é boa, generosa, simpática, cuidadosa na medida certa, geniosa, não sei bem como dizer isso, mas a nossa química... Sexual é surreal, parece que tudo no meu corpo foi pensado pra ela, e vice e versa, ela é muito intensa e é claro o quanto ela também sente essa nossa conexão, o corpo dela me mostra o quanto ela sente, bom, ela é linda demais também, mas a beleza é algo tão pequeno perto de tudo que ela é não só pra mim, mas pra todas as pessoas ao seu redor. A essência dela é tão linda que ainda que ela fosse muito feia, eu estaria igualmente louco por ela, tenho certeza. Ela tem defeitos também, como todas as pessoas, ela é muito difícil, eu tenho que pensar no que dizer pra não magoá-la e ela também é muito insegura às vezes, mas eu acho até mesmo esses defeitos lindos, porque fazem dela a Bella, a minha Bella. Quando estou com ela, eu me sinto vivo, feliz, de uma forma que é quase inexplicável, Eu tenho vontade de correr e gritar pro mundo que eu sou o homem mais sortudo do universo por tê-la comigo. Nesse tempo que passamos juntos eu fui feliz de uma forma que nunca tinha sido nessa minha vida miserável. Ela era uma grande caixa de lápis de cor nessa minha vida cinza. Eu chegava até a esquecer todas as coisas do passado que me machucavam tanto, estar com a Bella era como estar em paz, ser um cara legal e feliz com ela não era como ter que sorrir educadamente pras pessoas nas festas que eu ia ou nas reuniões da empresa, ser simpático, sorridente e feliz era fácil como respirar, era natural. Agora que ela se foi, tudo isso é nada, virou pó e tá pior que antes, porque se eu sofria só pela minha vida que era uma bosta mesmo, agora eu sofro porque ela não está aqui, e sofro muito mais do que antes, é um inferno e eu não aguento mais, eu não sei mais o que fazer. E eu sabia desde o começo de tudo que as coisas iam terminar assim, eu queria muito negar o que estava sentindo e deixar ela pra lá. Se fosse qualquer outra, eu teria traçado logo de cara, sem problemas, só que eu sabia que em vista do que já estava sentindo, seria uma questão de tempo até que as transas casuais se tornassem algo sério, ao menos pra mim. Claro que não imaginei que seria assim, eu pensava que seria mais ou menos como foi quando você foi embora, doeu, mas foi suportável. Agora isso, não dá, eu mal consigo respirar... Eu não sei o que está acontecendo nem que maldito sentimento é esse, mas eu daria tudo que eu tenho pra que ele passasse.
– Edward... – Ela disse olhando em meus olhos e segurando minhas mãos. – Você vai ficar até quando fingindo não acreditar naquilo que sente.
– Como assim?
– Por favor, tente nomear o seu sentimento pela Bella.
– Eu já disse que...
– Não. Tem que haver alguma definição, tudo nessa vida tem. Então pense em um nome adequado para esse sentimento e me diga.
Eu pensei e pensei, buscando dentro de mim algum nome que definisse bem aquilo que sentia por ela.
– Paixão? – Victória perguntou.
– Também, mas não se resume a isso, vai além, bem além. – Victória ergueu as sobrancelhas para mim, para que eu percebesse o que era esse maldito sentimento e então sem forças e sem motivos para negar eu disse a palavra que vinha de dentro do meu coração, sem exitar. – Amor.
– Isso é o que você sente? – Ela disse sorrindo e com lágrimas nos olhos.
– Sim. Eu a amo, Victória. Eu amo a Bella.
– Ah meu amigo. Eu estou tão feliz por você. – Ela disse me puxando para um abraço forte que eu retribuí enquanto deixava as lágrimas rolarem. – Tão feliz! E mais feliz ainda por saber que é recíproco.
– Como tem tanta certeza?
– Edward, quando duas pessoas se amam de verdade. Elas exalam isso pra qualquer um que tenha a sensibilidade pra perceber esse sentimento. Eu tenho essa sensibilidade e eu senti isso tanto de você quanto dela. Eu sei que é recíproco.
– E o que eu faço agora? – Perguntei perdido.
– Agora é uma decisão sua Edward. Você sabe o que precisa fazer para tê-la de volta, basta pôr em ação.
– Okay. – Eu disse.
Assim que Victória saiu, e eu fui me deitar, era como se tudo estivesse claro para mim, eu sabia exatamente o que eu queria, era Bella e em frente a todo o sentimento que borbulhava dentro de mim, o meu passado e todas as marcas e certezas eram quase nada agora, tudo estava enfraquecido. Se antes eu não acreditava que o amor existia, agora eu tinha a total certeza de que ele existia sim. Claro que não era um sentimento fácil de se encontrar, um sentimento que podemos comprar ou até mesmo forçar para que nasça, ele simplesmente começa a existir, rápido, naturalmente e nós devemos cultivá-lo com toda atenção e cuidado desse mundo. E eu o faria, estava disposto a lutar com unhas e dentes por Bella e passar por cima de qualquer coisa que pudesse me afastar dela, até mesmo o meu passado, se necessário.
No dia seguinte, eu a vi na empresa e a minha vontade era de falar pra ela ali mesmo o quanto tudo estava claro pra mim agora e o quanto eu queria que déssemos certo, mas sabia que tudo tinha que ser feito em seu tempo.
Assim que saímos do trabalho, passei na Chanel e escolhi a bolsa mais bonita, levei até sua casa e conforme fomos conversando, notei que ela também estava com muita vontade de que as coisas ficassem bem entre a gente, o que me deixou muito feliz, mas eu com essa droga de mania de estragar tudo, dei a bolsa e ela pensou que eu estava tentando comprá-la, tacando a bolsa com muita força em cima de mim e entrou batendo a porta em seguida. Respirei fundo e disse pra mim mesmo que aquilo era só o começo e eu teria a vida inteira pra tentar se necessário.
No dia seguinte, tomado por toda a urgência que eu tinha de tê-la de volta, pedi pro meu segurança comprar todas as flores da floricultura de Reneé e após conseguir a chave do apartamento de Jacob, após muita conversa com o porteiro, coloquei todas as flores lá. Peguei meu violão velho, afinei e fui até sua casa. Assim que ela entrou, toquei uma música e após dela, saí do meu roteiro original, quase que por instinto, a pedi em namoro. E que se dane tudo. Se ela estivesse comigo eu seria forte o suficiente para suportar.
Ela começou a chorar, mas não era de tristeza, nem mesmo pena, o que eu via em seus olhos era a mais linda e pura felicidade, ela parecia estar quase saltitando de tanta felicidade e eu estava da mesma forma ao ver sua reação. E então abriu um lindo sorriso pra mim, largo, como aqueles que ela me dava quando estávamos juntos, sorriso puro e feliz, como uma menina vendo seus pais quando chegam de uma longa viagem.
– Sim. Eu quero ser sua namorada. – Ela respondeu.
Bella correu até mim e pulou em meu colo, com as pernas envolvendo meu corpo, erguendo seu vestidinho rodado floral, a segurei firme e ela finalmente me beijou, dando um fim à agonia que eu vinha sentindo há duas semanas.
– Eu te amo. – Sussurrou em meus lábios e eu a abracei com mais força.
– Eu também. Te amo.
Domingo, Jacob tinha viajado com o elenco de sua peça que devido à crítica positiva, estava viajando por algumas cidades, Bella disse que a cidade que ele iria era distante, então ele só voltaria amanhã à tarde. Sabendo disso, fui visitá-la logo pela manhã na intenção de passar o dia com ela.Quanto às flores? Bella deu um jeito no sábado à noite.
– Bom dia. – Eu disse assim que ela atendeu à porta com um pijama de seda, vermelho, que era uma tentação.
– Bom dia. – Disse sorrindo e me dando um selinho em seguida.
– Te acordei? – Perguntei.
– Não, já até tomei café da manhã. Estava assistindo TV. Vem. – Disse pegando em minha mão e me levando até seu quarto.
– Por que não paramos na sala? – Perguntei com um sorriso malicioso.
– Porque já perdemos tempo demais na noite passada.
– Não acredito que você fez com que eu esperasse a noite inteira por você. – Eu enquanto a abraçava.
– Eu precisava tirar as flores pelo menos do meu quarto pra que eu pudesse dormir, não é? Realmente não tinha como a gente ficar juntos ontem, mesmo eu querendo, loucamente. – Ela disse enquanto me abraçava por cima do pescoço. – Mas o importante é que agora sou toda sua.
– Todinha minha?
– Todinha. – Disse mordendo o lábio inferior.
Sem mais delongas, ataquei seus lábios, em um beijo desesperado e apaixonado. Senti suas mãos pressionando minhas costas, enquanto puxavam minha camisa para cima, ferozmente. Separamos nossos lábios para que eu pudesse tirar a minha camisa e eu puxei seu vestido, deixando-a apenas de calcinha, já que ela não usava sutiã. Puxei seu corpo pequeno contra o meu, sentindo seus seios roçarem em meu peitoral enquanto eu abaixava para tomar seus lábios novamente. Aos poucos fomos nos aproximando da cama e eu me sentei, ela, por sua vez, sentou no meu colo. Me deliciei em seus seios enquanto meus dedos brincavam com sua intimidade por dentro da calcinha, ela rebolava e rolava os olhos em excitação.
– Não vou aguentar muitas preliminares. – Sussurrei ao seu ouvido. – Foram duas longas semanas.
– Então vamos direto ao ponto, porque eu também não aguento mais esperar.
Segurei sua cintura e a joguei na cama, tirando sua calcinha e o resto da minha roupa em seguida, eu já estava mais do que pronto para ela e ela para mim, então sem pensar muito, penetrei de uma só vez e nós gememos juntos. Bella parecia extasiada e eu? Eu não era nada, absolutamente nada além de seu amante, naquele momento era como se eu tivesse nascido para isso, para ela.
– Senti tanto a sua falta... – Murmurou em meu ouvido enquanto arranhava minhas costas de prazer.
Sem interromper meu ritmo, coloquei as duas mãos em seu rosto e olhei diretamente em seus olhos, observando sua boca que era um “O” enquanto seu peito subia e descia freneticamente com sua respiração ofegante, sua intensidade me tirava completamente do chão. Era como se naquele momento, não existisse absolutamente nada além de nós dois em nenhum lugar desse mundo, não somente aquele quarto ou apartamento, mas aquele prédio inteiro era pequeno demais para a energia que emanava dali. E eu sabia que poderia procurar nos quatro cantos do mundo, mas jamais encontraria o que nós tínhamos ali, naquela cama de solteiro mesmo.
Assim que terminamos deitei na cama, ao seu lado, olhando para o teto, exausto e esgotado.
– Foram duas semanas que pareceram dois anos, mas compensou... E muito! – Eu disse suado e com a respiração ofegante.
– Tenho que concordar. – Ela disse no mesmo estado que eu e nós rimos.
– Você não dormiu com ninguém nesse tempo, né? – Perguntei olhando para ela.
– Claro que não. – Disse sincera. – Eu estava mal por sua causa, Edward. Sentindo a sua falta. Nem pensei nisso.
– Não pensou? – Perguntei descrente. – Nem por um momento?
– Okay... – Disse confessando. – Seria mentira dizer que não senti falta. – Às vezes, eu lembrava de tudo isso e sentia alguns formigamentos, confesso. Mas a falta que eu sentia de estar com você, de conversar com você, de dormir ao seu lado foi maior.
– Eu pensei muito nisso, muito mesmo. Mas devo confessar que a falta que senti de estar com você também foi maior, mas eu também não estive com ninguém durante esse tempo. Agora você dizer que sentiu muito minha falta eu não sei se é bem verdade. – Eu disse triste ao lembrar de todas as noites que a observei.
– Tá de brincadeira, né? – Perguntou indignada. – Você não tem noção do quanto eu chorava todas as noites. Não faz ideia do que passei durante esse tempo. Pergunta pro Jake.
– Não me pareceu isso. – Eu disse sincero. – Saia todas as noites.
– Como sabe que saí? – Perguntou com o cenho franzido e eu me xinguei internamente por ter dito isso.
– Tenho meus contatos. – Me limitei a dizer. Essa era a melhor resposta para tudo.
– Que contatos? Você estava me espionando?
– Eu já disse que tenho meus contatos.
– Edward, é bom você me dizer ou eu vou ficar louca achando que tem algum capanga seu me seguindo por todos os lugares.
– E se tiver? Você não faz nada de errado... Ou faz? – Perguntei com uma sobrancelha erguida.
– Claro que não faço nada de errado. Nem tenho tempo pra isso. Mas a ideia de alguém me vigiando o tempo inteiro não me agrada, nem um pouco.
– Não tem ninguém te vigiando, pode ficar tranquila. Eu confio em você.
– É bom mesmo, né? Afinal nenhum relacionamento vai pra frente sem confiança. Mas agora me conta direito essa história aí de saber que eu saia quando estávamos separados.
– Jura que não vai achar que eu sou louco?
– Juro.
– Depois do trabalho, eu vinha com o carro do meu segurança até a portaria do seu prédio e ficava ali, só pra te ver. Você saía e eu ficava esperando você voltar, todas as noites.
– Você é louco. – Disse enquanto me olhava, surpresa.
– Você jurou! – Eu disse me fazendo de irritado e ela riu.
– Quem jura mente.
– Safada! – Eu disse fazendo cócegas nela que tentava se esquivar enquanto ria.
– Só pra você saber. – Ela disse assim que parei de perturbá-la. – Sair todas as noites era uma forma de fugir um pouco do que eu estava sentindo, eu saia todas as noites, quase todas pra beber e afogar as mágoas. Cada um lida de uma forma com a dor, essa era a minha.
– Eu vi, você realmente bebeu bastante. – Eu disse sorrindo ao constatar que ela estava certa. Fazia todo sentido sair com os amigos pra esquecer, pena que os que eu tinha estavam casados e eram responsáveis demais pra sair e tomar um porre comigo.
– Mas mudando de assunto. – Continuei. – Por que não vamos pro meu apartamento?
– É que eu fico mais à vontade aqui, perto das minhas coisas. No meu aconchego.
– Ah sim. Entendi. Hoje não, porque Jacob viajou, mas em geral temos mais privacidade lá.
– Verdade, mas sei lá. Acho seu apartamento tão grande.
– Você fez eu pintar as minhas paredes pra depois dizer que não gosta do meu apartamento? – Perguntei me fingindo de zangado.
– Não é isso. É que eu gosto de lugares pequenos, mas calorosos. Com bastante cor e vida, mas aconchegantes ao mesmo tempo.
– A gente podia comprar uma casa pequena e você decora do seu jeitinho. – Eu disse baixo perto de seu rosto, dando um beijo terno em sua bochecha em seguida.
– Não tenho grana o suficiente nem pra comprar uma casa, quem dirá pra comprar e decorar.
– Eu compro, oras.
– Edward, você sabe o que eu penso sobre você gastar tanto dinheiro comigo.
– Sei, mas não concordo, ainda mais agora que você é a minha namorada. Não soa mais como se eu estivesse dando presente para qualquer uma que eu transo, apesar de eu nunca ter achado isso.
– Mas não é porque sou sua namorada agora que seja justo você gastar o dinheiro que é seu pra dar coisas pra mim.
– Então nunca vou poder te dar um presente?
– Claro que pode, Edward. Só que coisas mais simples. Eu não posso te dar um presente que chegue perto da bolsa da Chanel ou uma casa.
– Hey. Isso não é uma troca. Estou te dando todas essas coisas porque acho que vale à pena, porque gosto que você tenha sempre do melhor, não espero nada em troca a não ser que você aceite os meus presentes sem ficar pensando que quero te comprar.
– Tudo bem. – Ela disse finalmente dando o braço a torcer. – Eu aceito os seus presentes, mas não precisa me dar muitos. Okay? Um ou outro de vez em quando tá de bom tamanho.
Ficamos em silêncio por um tempinho e eu senti seus olhos em mim, olhei para ela com a visão periférica e percebi que ela sorria enquanto me observava.
– O que? – Perguntei.
– Se na semana que te conheci me dissessem tudo que você representaria pra mim, eu jamais acreditaria.
– Você disse que me amava quando eu me declarei. Foi real ou você disse aquilo porque eu falei?
– Foi real. Totalmente. – Garantiu.
– Você já disse isso a alguém antes? – Perguntei realmente interessado na resposta.
– Já. Digo para a minha mãe quase todos os dias.
– Não estou falando da sua mãe. Falo de homens. – Eu disse sério.
– Eu já disse pra alguém antes de você. – Admitiu e imediatamente me arrependi de ter perguntado, pois uma forte insegurança tomou conta de mim e um incômodo nada agradável também.
Bella ficou quieta e eu também não falei mais nada. Queria que ela me explicasse direito sobre essa história de já ter amado outro homem, mas não queria soar chato, nem nada disso.
– Eu não o amava. – Ela disse talvez após sentir a minha necessidade de saber. – Ele foi o meu primeiro namorado, meu primeiro homem em todos os sentidos. Descobri muitas coisas com ele, e na época eu era muito nova, claro que pensei que era amor, mas não era.
– Quantos anos você tinha quando namorou com ele?
– Namorei com ele dos meus 14 anos aos 17. Mas o conheço desde que nasci.
– É algum amigo seu? – Perguntei já com medo desse cara ser presente na vida dela.
– Ele era irmão do meu primo e da minha prima, mas não era o meu primo de sangue, porque os pais biológicos deixaram ele na porta dos meus tios quando ele era bebê. Eu passava todos os verões na casa deles porque eles tinham grana e a piscina era enorme. Ele era cinco anos mais velho do que eu e os meus outros dois primos, que eram gêmeos e tinham a minha idade. Apesar dele ser mais velho, ele sempre ficava com a gente, já que era época de férias e tudo mais. Só que eu fui crescendo e o meu corpo foi mudando. E quando eu tinha treze anos um dia antes de eu ir embora, ele me deu um beijo na piscina, o meu primeiro beijo. No outro ano, quando eu estava com quatorze, logo no primeiro dia ele já veio me agarrando e eu não relutei, e acabou que ele me pediu em namoro uma semana antes de eu ir embora, eu estava muito apaixonada e aceitei. No início a família não aceitou muito bem... Por sermos primos de consideração, por eu ser mais nova, mas viram que era sério, então aceitaram. Ele ia me ver todos os fins de semana porque a faculdade dele era perto da minha casa. No verão dos meus 15 anos, já fazia quase um ano que estávamos namorando e eu liberei algumas coisinhas.
– Que coisinhas? – Perguntei apesar de saber que a resposta não me agradaria muito. Sentir ciúmes do passado era besteira e eu sabia disso, mas não conseguia não sentir absolutamente nada.
– Digamos que naquele verão descobri os prazeres do sexo oral. Tanto praticando quanto recebendo. Já no outro verão, o dos meus dezesseis anos, ele pediu a minha virgindade como presente de dois anos de namoro, apesar de na época eu não me sentir totalmente preparada para tal coisa, eu resolvi ceder, porque ele estava pedindo muito insistentemente e foi nessa noite que eu disse que o amava. Namoramos mais algum tempo, mas pouco antes de eu ir pra casa deles no verão, eu estava visitando faculdades, porque no outro ano eu iria para alguma, quando chegou a vez da dele, resolvi fazer uma surpresa, mas acabou que quem teve uma surpresa fui eu, já que encontrei uma garota pelada na cama dele que alegava ser a "namorada".
– Nossa.
– Eu sei.
– Você sofreu bastante, né? – Perguntei já com raiva do indivíduo, imaginando Bella feliz para vê-lo enquanto o babaca se divertia com outra.
– Sofri. Mas eu meio que me vinguei, depois superei.
– Se vingou? Como assim?
– O irmão dele, meu primo de sangue vivia dando em cima de mim, então eu cedi. Dei uns beijos nele no portão lá de casa, na frente do canalha do meu ex que tinha ido lá pra se redimir comigo.
– Só uns beijos?
– Só. – Disse sorrindo. – Garanto,
– Mas você continuou indo pra casa dos seus tios no verão?
– Não. Eu contei pra família inteira a cachorrada que ele tinha feito. Até meus tios ficaram sem graça por ele. A gente se esbarrou umas duas vezes por causa do Natal, ele sempre dava em cima de mim, mas eu nem dava atenção.
– Qual foi a última vez que vocês se viram?
– No natal do ano retratado, se não me engano.
Permaneci em silencio, apenas imaginando se eles se veriam novamente e se tornassem a se ver, o que ele faria, o que diria. Sinceramente não sabia se seria dos mais cordiais se o pegasse dando em cima dela. Em seguida comecei a me perguntar quantas coisas mais não sabia sobre Bella.
– O que há, Edward? – Perguntou me tirando dos pensamentos vagos. – Você tá estranho.
– É que... Eu te conheço tão pouco.
– Eu também te conheço pouco, mas não to grilando, porque eu sei que temos a vida inteira pra nos conhecermos.
– Verdade. – Eu disse sorrindo com suas palavras que me encheram de alegria, mas não eram suficientes pra suprir tudo que eu desejava saber.
– Tá bom... Faz as suas perguntas. – Ela disse sorrindo.
– Quantos?
– O que?
– Com quantos caras você já dormiu?
– Eu não sei. – Ela disse com o olhar vago.
– Como assim? – Perguntei com os olhos arregalados.
– Calma. – Disse sorrindo. – Não sei porque nunca parei pra contar, mas posso fazer isso agora. – Disse pensativa. – Com você são seis.
– Seis? Gulosa, hein. – Eu disse sorrindo, afinal nem era um número tão alto. Victória mesmo disse para mim outro dia que já havia dormido com 13, antes de mim e no intervalo entre Riley e eu, logo, contando comigo e com ele, eram 15. Bella era uma santa perto dela.
– Ah... E você, senhor Cullen? – Perguntou, também sorrindo.
– Eu era virgem antes de te conhecer. – Eu disse fazendo carinha de inocente.
– Virgem? – Disse com os olhos arregalados e reprimindo a vontade de rir. – Só se for o signo, né?
– Não, na verdade faz tempo que eu faço essas coisas. – Admiti. – Quanto ao signo, é escorpião.
– Não me enrole... Escorpiano sexy, quantas?
– Não faço ideia... De verdade. Foram muitas. 20 anos com uma vida sexual ativa é muito tempo pra ser revisado.
– 20 anos? Você tinha 12 anos quando perdeu a virgindade ou só arredondou mesmo?
– Eu tinha 12. – E não era mentira!
– Nossa! – Disse com os olhos arregalados. – Era praticamente uma criança! E como foi?
– Não foi nada romântica. – Garanti. – Foi com uma prostituta.
– Sério mesmo que você teve que pagar uma prostituta pra perder a virgindade? – Perguntou sorrindo. – E pior, ela aceitou ir pra cama com um garoto de 12 anos! Essa mulher devia ser presa.
– Eu não paguei. – Eu disse sentindo certo incômodo por falar de algo que lembrava tanto do meu passado.
– Deu um calote? – Perguntou risonha.
– Não. Foi de graça mesmo.
– Nossa. Seduzindo prostitutas desde cedo? Garoto de talento hein! – Disse sorrindo e eu a acompanhei com um sorriso fraco.
– Também não. Ela era uma das colegas da minha mãe, só isso. – Eu disse sério, me lembrando de tudo que tanto me incomodava.
E mergulhamos no silêncio novamente, por alguns minutos até. Eu me perguntava o que ela estava pensando, até que ela finalmente falou alguma coisa.
– Vou ao banheiro. – Ela disse.
– Não vai não. – Pedi
– Mas eu quero fazer xixi. – Disse sorrindo.
– Tá okay. – Respondi sabendo que necessidades fisiológicas precisavam ser respeitadas. – Vou te esperar aqui, então.
Me enrolei na coberta para compensar o frio que a ausência de seu corpo quente junto ao meu, deixou.
Pouco tempo depois de Bella sair do quarto para ir ao banheiro, a porta se abriu.
– Eu já disse pra você começar a trancar essa porta de casa. – Disse Renée enquanto entrava sem cerimônias no quarto. A única coisa que eu consegui pensar era que graças a Deus ela não chegou há alguns minutos atrás, ou teria visto Bella e eu nus, com as pernas entrelaçadas e sem nenhuma coberta nos cobrindo. – Edward?! – Disse com os olhos arregalados. – O que faz aqui e assim? – Olhei para baixo e realmente. O lençol que eu estava enrolado, na verdade só tampava o necessário, era evidente para qualquer um que eu estava nu.
– Eu... – Tentei explicar, sem graça. – Eu estou...
– Mãe? – Bella disse ao entrar no quarto com seu roupão branco.
– Eu quero falar com você. – Disse Renée, séria.
Bella e Renée saíram do quarto, fechando a e eu levantei, vestindo a calça, em seguida fiquei atrás da porta, ouvindo as duas, mesmo sabendo que isso era algo muito feio de se fazer.
– O que ele está fazendo aqui? – Perguntou Renée em um tom de bronca.
– Ele estava comigo, mãe. – Disse Bella, tranquilamente.
– Mas você não tinha terminado com esse cara, filha?
– Tinha, mas nós voltamos.
– Você sabe o que eu penso dele. Não sabe?
– Sei, mas isso não me importa. Eu sei o que eu penso dele e pra mim isso basta.
– Você está enfeitiçada. Só pode!
– Eu estou apaixonada... Completamente. – Ela disse docemente e eu sorri.
– Meu Deus... – Disse Renée. Que pela voz ela não estava nada satisfeita. – E ele? O que sente por você?
– O mesmo. – Respondeu.
– Como tem tanta certeza?
– Mãe. Temos mesmo que falar sobre isso?
– Não, porque eu sei que não adianta de qualquer forma. Só quero saber se o nosso passeio de hoje está de pé.
– Claro.
– Mas que horas? Porque pensei de almoçarmos em um restaurante legal e já está na hora do almoço.
– Tudo bem. A senhora pode esperar enquanto falo com o Edward e me arrumo pra gente ir?
– Posso.
– Tá bom. Fica à vontade.
Bella ficou em silêncio e deduzi que estava vindo para o quarto, me afastei da porta e terminei de me vestir enquanto digeria essa história de "Passeio juntas". Eu não me importaria se fosse em qualquer outro dia, mas justo hoje, que estávamos matando a saudade.
– Edward, eu sei que a intenção era a gente ficar juntinho hoje, mas eu já tinha marcado de sair com a minha mãe. Espero que não se importe. – Disse parecendo realmente sentida por ter que sair.
– Me importar, eu me importo, mas também compreendo, já que vocês já tinham marcado. Não vou reclamar, contanto que você passe lá no meu apartamento assim que chegar.
– Tudo bem. Vou direto pra lá. – Disse sorrindo.
Bella e eu saímos do quarto e ela foi ao banheiro, tomar um banho, enquanto eu fiquei lá, no sofá, ao lado da mãe dela que fingiu que eu nem existia. Agora eu me perguntava o que eu fiz para ela. Eu podia não ser um poço de simpatia, e já ter discutido com Carlisle e Emmet em sua frente, no entanto nunca a tratei mal, na verdade ela nunca me viu tratando ninguém realmente mal, já que o meu lado “mau” era um tanto assustador. Graças a Deus, poucas pessoas já o viram.
– Não sei o que fez pra fazê-la voltar pra você, mas espero que saiba que não vai se sair bem dessa. – Ela disse me tirando de meus pensamentos.
– E por que eu não me sairia bem? – Perguntei calmamente. Sabia o quanto Bella era louca pela mãe, e meu pai também, então a última coisa que eu queria era brigar com ela.
– Porque a minha filha é maravilhosa. Quando esse feitiço que você jogou nela acabar, ela não vai nem olhar na sua cara, pode ter certeza.
– Não sou feiticeiro, nem nada do gênero. Sua filha sabe exatamente quem eu sou e ela gosta de mim mesmo assim. Não tem ninguém enganado, nem enfeitiçado nesse relacionamento caso queira saber. – Eu disse friamente.
– Você não é um bom homem, minha filha jamais se apaixonaria por um homem ruim. A não ser que esteja sendo enganada.
– Olha aqui, eu não quero ser grosso com a senhora, muito menos discutir, o que posso te dizer é que a senhora não sabe absolutamente nada da minha vida. Eu sei que não sabe. Não faz ideia de tudo que eu já enfrentei, sei que isso não faz o caráter de ninguém, mas eu tenho certeza que qualquer “cara mau” no meu lugar, não estaria onde eu estou hoje, teria ficado exatamente aonde eu estava no passado, então faça-me um favor: Cuide da vida da senhora e deixa que a vida da Bella, ela mesma cuida.
– Isso é porque não queria ser grosso, né? Isso mesmo, mostra as garrinhas. A Bella vai conhecer esse seu lado, eu vou mostrar isso a ela, pode ter certeza. E digo mais: Eu me meto na vida da minha filha sim. E sempre vou me meter.
– Pode ter certeza que isso não foi nem um terço da grosseria que sou capaz de fazer. E não tem “garrinha” nenhuma. Eu já disse e vou repetir: A Bella sabe exatamente onde está pisando. Então nem perca o seu tempo achando que vai conseguir envenená-la contra mim, porque não vai.
– Ela pode não ter mais pai pra te dar uns bons tapas, mas pode ter certeza que a defenderei como pai e mãe juntos, sempre foi assim e não é agora que vai mudar.
– Eu não tenho medo das suas ameaças e ainda que ela tivesse um pai, ele não ia me bater, porque não vou dar motivos pra isso. Então antes de vir me julgar, tenha motivos pra isso.
– E eu já não tive? Minha filha estava sofrendo por sua causa.Ela tem essa mania de se envolver com caras que não valem nada. Já cansei de falar pra ela que quem realmente a merece é o Jacob, e digo mais, é questão de tempo até eles namorarem, já estão até morando juntos.
– Ela não vai ficar com o Jacob. – Eu disse alto, com raiva. – Ela não gosta dele.
– Isso é uma questão de tempo! – Reneé disse elevando a voz também. – E eu vou te separar dela! Você vai ver, seu moleque mimado.
– Tenta. Mas se eu fosse você não o faria. – Disse já tomado pela raiva. – Porque se você tentar envenenar ela contra mim, no outro dia meu pai termina com você, te garanto.
– Hei, O que está acontecendo aqui? – Bella perguntou irritada ao sair do banheiro. – Estou ouvindo vocês gritarem lá do banheiro. Que baixaria é essa?
– O cara que você diz estar apaixonada, tá aqui dizendo que se eu tentar separar vocês, ele me separa do Carlisle. – Disse Renée. – Mal sabe ele que na verdade o Carlisle quer mais é se livrar do filho problemático, só não percebeu isso ainda. Você é a única pessoa que ainda o suporta, filha.
Se eu dissesse que o que eu sentia naquele momento era apenas raiva, seria a maior das mentiras, porque eu também estava triste, muito triste. Ouvir aquelas coisas que no fundo eu sempre achei que fossem verdade de outra pessoa, doía, e muito. A ponto de eu ter que fazer um esforço surreal pra não começar a chorar feito um idiota.
– Mamãe, por favor. – Disse Bella calma, porém séria. – A senhora está sendo muito dura…
– Ah claro, vai defendê-lo agora.
– Não vou defender ninguém, porque não estou acima do bem e do mal, sou tão ser humano quanto vocês dois, mas na minha concepção de certo e errado, dizer que ele é um problema pro próprio pai e que vai separá-lo de mim não é certo! Eu já disse que a senhora não é obrigada a concordar com a gente juntos, mas é obrigada a aceitar e respeitar.
– E ele ficar aqui sendo grosso com a sua mãe, pode? – Perguntou Renée, e Deus que me perdoe, mas tive vontade de jogá-la para fora do apartamento à força.
– Tenho certeza absoluta que ele não seria grosso com a senhora à toa. Ele realmente não pode dizer pra senhora que vai separá-la do Carlisle, mas isso foi gerado por algo que a senhora disse primeiro. A única coisa que eu posso fazer em relação a vocês é pedir que, por favor, se respeitem. Se não podem falar civilizadamente um com o outro, então é cada um no seu canto. E mamãe, não quero mais falar sobre nada relacionado ao Edward com a senhora, é melhor assim, porque as coisas estão começando a sair do controle por aqui. Estamos de acordo?
– Sim. – Renée respondeu.
– Agora eu vou terminar de me arrumar pra gente sair e ter um dia agradável, mas é agradável mesmo, porque se esse assunto rolar eu vou pra casa imediatamente.
– Tudo bem, filha. Vai ser legal, tá bom?
– Tá. Vou me arrumar e já volto.
Bella entrou em seu quarto e eu fiquei no meu canto, calado. Renée também não disse mais nada, eu também não queria ouvir mais nada de sua boca, tudo que ela poderia ter dito pra me deixar mal, ela já disse.
Assim que ela saiu do quarto, Renée foi até o banheiro.
– Você também não é fácil né? – Disse Bella.
– Nem vem que eu só me defendi. – Eu disse antes que ela começasse de sermão.
– Eu sei, Edward. Sei que você tem o sangue quente e tudo mais, mas tenta pensar mais nas coisas que você vai dizer antes de dizê-las. A minha mãe vai perturbar mesmo no início, você tem que ignorá-la. Deixa ela falando sozinha, porque te garanto que ela não vai me influenciar. O que importa somos eu e você. – Disse unindo o rosto ao meu. – Sempre.
– Sempre. – Repeti, confirmando. – Se vocês quiserem uma carona, eu realmente não me importo.
– Não, minha mãe só anda com os carros do Carlisle agora, duvido se não está com um.
– Tudo bem, então. Acho melhor eu ir pra ela não ficar me irritando ainda mais.
– Tudo bem. Me espera no seu apartamento.
– Pode deixar.
Bella me levou até a porta e me deu um beijo, saí em seguida e quando já estava no meio do corredor, quase entrando no elevador ela me chamou.
– Edward.
– Oi? – Perguntei com a mão na porta para que a mesma não fechasse enquanto eu dava atenção à Bella.
– Descansa bastante quando chegar em casa, tá? Porque a noite vai ser quente. – Disse com um sorriso safado e eu não pude deixar de sentir meu membro se contorcer por dentro da calça.
Respirei fundo para não ficar igual a um adolescente de pau duro, dentro do elevador, acenei pra ela com a cabeça, sorrindo de volta e entrei. Eu ia ficar louco desse jeito, essa minha namorada era um verdadeiro furacão.
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