Ética Do Amor
22 33 anos
A semana seguinte após o começo do meu namoro com Edward foi maravilhosa. Nos víamos todas as noites após o trabalho, quase todas era em seu apartamento, para termos mais privacidade. Mas felizmente nosso relacionamento, apesar de ainda curto, não se resumia a sexo, nós dançávamos, cantávamos, jogávamos vídeo game, comíamos muito chocolate e sorvete assistindo filmes. Era tudo que eu pedi a Deus. Mas ainda não havíamos contado à ninguém que estávamos juntos, quer dizer, Jake sabia, porque ele estava presente na noite em que Edward me pediu e eu aceitei. Victória também sabia, pois ela almoçou comigo e com Edward na segunda e nós contamos. Na quarta-feira, marcamos de almoçar juntas, porém sozinhas. Já que Edward tinha saído para ajudar Emmet em algumas coisas em seu trabalho na hora do almoço.
– Já sabe o que vai fazer no Natal? – Victória perguntou.
– Ainda não, falta mais de um mês pro natal. – Eu disse sorrindo. – Mas geralmente passo com a minha mãe, Às vezes com nossos parentes distantes e tal, mas creio que esse ano ela vai querer passar com o Carlisle. Por quê?
– Por nada. Só pensei em chamar você e o Edward pra passar o dia 25 lá em casa. Eu sempre chamo, mas ele nunca vai. Fica em casa dormindo o dia inteiro. Ele não gosta do Natal.
– Mas por quê? – Perguntei indignada. – Natal é uma data tão especial.
– Pois é... Não pra ele. – Disse meio triste.
– Por quê? Aconteceu alguma coisa com ele no natal?
– Ah... Coisas do passado.
– Meu Deus. Vocês não vão me falar nada sobre esse passado, nunca?
– Ele vai te contar, eu tenho certeza. Mas é questão de tempo.
– É que eu queria muito saber mais... – Eu disse com cara de cachorro sem dono e senti que Victória estremeceu um pouco, então aproveitei. – Sabe, eu amo o Edward e quero vê-lo bem, quero fazer o melhor por ele, mas é muito difícil sem saber exatamente o que rolou nesse passado que tanto o assombra.
– Eu te contaria, mas não me sinto no direito, entende? É muito pessoal.
– Conte ao menos o motivo dele não gostar do Natal.
Victória olhou para os lados, pensando no que fazer e soltou um suspiro.
– Okay... Eu te conto se você prometer que não vai dizer a ele o que sabe.
– Palavra de escoteira. – Eu disse.
– O Edward tinha uma irmã e ela faleceu no dia de natal, a morte dela foi um tanto quanto traumática pra ele.
– Irmã? O Edward tinha uma irmã?
– Sim... Uma irmã gêmea. Eles eram muito unidos e foi uma perda muito dolorosa pra ele.
– Então o Carlisle e o Emmet também devem sofrer bastante no Natal, não é?
Victória respirou fundo novamente e deu um leve sorriso.
– Na verdade não.
– Por quê?
– Carlisle e Emmet não conheceram essa menina.
– Mas por quê?
– Ai Bella... É complicado contar coisas do passado dele, porque uma revelação leva à outra.
– Tudo bem. Você está certa. Isso tudo é muito pessoal, é melhor esperar até que ele esteja pronto para me contar. Quanto ao que você me disse, pode ficar tranquila que não comentarei nada com ele. – Garanti já matutando até onde o que eu já sabia podia me levar.
– Okay. Mas tenta fazer ele sair no Natal, é uma data muito especial.
– Eu farei de tudo pra que isso aconteça.
– Ah... Dia 19 de novembro é o aniversário dele. – Disse Victória.
– É no sábado agora. – Eu disse empolgada. – O que vamos fazer?
– Não sei. O Carlisle sempre faz uma confraternização, pros mais chegados, pra não passar em branco. Ele provavelmente vai fazer de novo esse ano. Edward não gosta muito, mas sempre vai, afinal, é o aniversário dele, né? – Disse sorrindo.
Após o almoço com Victória, passei a tarde inteira pensativa sobre tudo que ela havia me dito. Como Carlisle teve uma filha e não a conhecia? Excluí a possibilidade dela ser extraviada na maternidade ou algo assim, já que se fosse o caso, nem Edward a conheceria. Imaginei algo como Carlisle ser separado da mãe de Edward depois dela estar grávida e ela ter ido pra longe, deixando que Carlisle tivesse conhecimento de apenas um filho. Enquanto Emmet era filho de outra mãe, isso com certeza, já que se fosse da mesma, ele também conheceria a irmã.
– Um beijo pelos seus pensamentos. – Disse Edward ao entrar na sala.
– Eu estava pensando no sábado.
– O que tem no sábado? – Perguntou enquanto se sentava em sua cadeira e ligava o notebook.
– Sério que você não sabe? – Perguntei incrédula.
– Primeiramente, que dia do mês é sábado?
– 19.
– Ah... – Disse após pensar um pouco. – É o meu aniversário.
– Exatamente.
– Como soube?
– Almocei com a Victória. Esqueceu?
– Ah é... Verdade. – Disse sorrindo. – Carlisle vai inventar comemoração, de novo.
– E qual é o problema nisso? Você tem que comemorar mais um ano de vida. Afinal, não sabemos mais quantos nos restam.
– É... Mas até que vai ser legal. Você vai estar lá. Não vai?
– Vou sim. – Eu disse sorrindo.
– Acha que devemos contar que estamos juntos nesse dia?
– Acho uma boa ideia sim. Todos vão estar reunidos, é bom que contamos de uma só vez.
– Tudo bem.
Sexta-feira Edward me avisou que Carlisle mandou que ele me chamasse para o almoço que ele daria a partir de meio dia, em seu quintal, comemorando o aniversário de 33 anos de seu filho mais velho, o meu lindo namorado.
No sábado, disse a Edward que não ficaria com ele pela manhã porque eu tinha compromissos com a minha amiga Alice, ele aceitou numa boa. Eu não estava mentindo, já que eu realmente sairía com Alice, mas o motivo era comprar alguma coisa para ele e a tarefa não estava sendo nada fácil. O que dar para um homem que tem tudo? Alice sugeriu um relógio ou uma gravata, já que eram coisas que ele usava no dia a dia, mas porra, ele tinha milhões de gravatas e milhões de relógios, ambos de grife, enquanto eu podia pagar algo de no máximo uns 200 dólares. Era muito difícil, muito mesmo.
– Bella, ele gosta de você, o que quer que você dê, ele vai amar.
– Claro que não, Alice. Vamos ali no antiquário, talvez eu ache algo legal.
– Ah claro, você vai achar coisas muito legais em um antiquário que eu adorava, aquele que o encontrei por acaso em um domingo, foi então que lembrei que Edward comprava seus vinis ali.
– É claro! – Falei sozinha enquanto entrava na loja.
– Claro o que? – Alice perguntou. – Bella, por favor, vamos procurar coisas legais, aqui só vende velharia, você não vai dar velharia pro Cullen, né?
– Alice, não é velharia, tá? Tem muita coisa boa aqui, apesar de antiga. Eu já sei o que comprar.
Fui até o balcão e o Jeff, o vendedor, sorriu ao me ver.
– Bellinha. Quanto tempo!
– Pois é. Eu tenho andado um tanto quanto ocupada. Mas vejo que tem bastante coisa nova aqui, hein.
– Nova na loja, você quer dizer. – Disse sorrindo. – Falando nisso, tenho umas pinturas lindas aqui, uma é até de 1952. Lembrei de você na hora que chegou.
– Eu queria muito ver, mas infelizmente o meu dinheiro hoje vai pra outra pessoa. Quero comprar um presente.
– Pois então diga, o que acha que essa pessoa gosta?
– Então... Pelo que eu me lembro, essa pessoa também compra aqui e ele reserva coisas com você, então creio que você saiba exatamente o que eu posso comprar pra ele.
– Quem é?
– Edward Cullen.
– Ah... O Edward. – Disse sorrindo. – Ele vem de duas em duas semanas aqui pegar vinis novos pra coleção, às vezes eu tenho, às vezes não, depende da disponibilidade.
– Então, agora, você tem algum vinil que ele não tenha?
– Olha, pra sua sorte, chegou um do New Order que tá na lista que ele deixou comigo dos que ele mais quer e ainda não tem.
– Okay. Quanto custa?
– 100.
– 100 dólares em um vinil? – Perguntei com os olhos arregalados.
– Não é só um vinil, é raro. Foi muito difícil de conseguir, Bellinha. – Disse se explicando.
– Okay. Eu vou levar.
Jeff foi buscar o vinil e eu fiquei olhando para as coisas da loja, tinha muita coisa bem legal e difícil de ser encontrada.
– Eu fico me perguntando como você tem coragem de torrar toda a sua grana nessa loja. – Disse Alice. – Não tem nada que preste.
Apenas ignorei Alice e continuei olhando tudo que tinha ali. Até que escondida em uma das prateleiras empoeiradas estava uma câmera que me chamou a atenção. Em sua embalagem estava escrito “Instant 1000 Deluxe Polaroid Camera”
– Alice. Olha. – Eu disse pegando a caixa da câmera e mostrando a ela. – Uma Polaroid. E é linda.
– Hum... – Disse parecendo não concordar muito.
– O Edward vai amar.
– Eu tenho minhas dúvidas.
– Ele adora fotografia. Eu preciso levar.
Levei o produto até o balcão e Jeff chegou com o vinil.
– Quanto custa essa câmera? – Perguntei.
– 200 dólares.
– Eu só tenho 200 dólares. – Eu disse triste, queria levar a câmera e o vinil para ele e faltava 100 dólares.
– Tá vendo? Isso que dá, não quer fazer cartão de crédito, dá nisso.
– Não gosto de cartão de crédito, porque não gosto de banco. – Eu disse. – Sou feliz assim.
– Pois é o meu cartão que vai te ajudar, sua vadia louca. – Disse Alice tomando a câmera da minha mão.
– Passa essas duas coisas pra mim, por favor. – Disse Alice estendendo o cartão a Jeff.
– Pode deixar. – Disse ele pegando a maquininha.
Dei os 200 reais para Alice que guardou na carteira.
– Quando eu receber te dou o resto. – Eu disse.
– Precisa não. O Jazz paga tudo e nem pergunta a procedência. – Ela disse sorrindo.
– Mesmo assim, Alice. É o dinheiro dele, isso não é legal.
– Bella, para de ser tão certinha. Eu já disse que tá tudo bem. É sério, não precisa pagar.
Assim que fomos para casa, já era uma e dez. Droga! Edward ia me matar. Olhei meu celular e havia cinco mensagens dele.
“Você já pode vir se quiser... Quero sua companhia. Beijos. — 19 de nov 11:17”
“Bella, vem logo... Uns parentes do Carlisle estão aqui e eu já estou de saco cheio. — 19 de nov 11:53”
“Victória, Riley e Eva chegaram, Carlisle não quer mais esperar pra servir o almoço... Cadê você??? — 19 de nov 12:10”
“Já estão todos aqui, menos você... Muito obrigado por me deixar sozinho no dia da porcaria do meu aniversário. — 19 de nov 12:56”
“ Vou ser obrigado a interagir com as outras pessoas agora só pra não 'soar mal educado' como Carlisle disse. Quanto a você, não se preocupe porque não vou mais encher o seu saco, ainda mais quando não pode nem mesmo responder às minhas mensagens. — 19 de nov 13:02”
Tentei responder às mensagens, mas meu crédito tinha acabado. Eu tinha que falar com ele, já que ainda ia me arrumar, fora a casa de Carlisle que era um pouco longe, eu provavelmente só chegaria lá pras duas horas. Liguei à cobrar para o celular de Edward e ele atendeu no primeiro toque.
– Onde você está? – Perguntou lentamente antes mesmo que eu pudesse dizer “Alô”
– Eu acabei demorando mais do que achei que demoraria lá com a Alice, mas já estou me arrumando e vou direto pra festa.
– Tudo bem. – Ele ainda estava bolado. – Achei que você se importasse mais, mas tudo bem. Nem respondeu as mensagens.
– Eu tive que gastar o dinheiro dos meus créditos. Minha sorte é que a lambreta está com gasolina, porque eu não tenho nenhum dólar, por isso não respondi as mensagens.
– Você é sempre tão organizada com o seu dinheiro. O que houve nesse mês?
– Algumas coisas saíram do meu orçamento. Agora eu vou desligar pra poder me arrumar, senão não chego aí hoje.
– Tá bom, até daqui a pouco.
– Até... Edward. – O chamei antes que ele desligasse.
– Oi?
– Te amo, tá?
– Tá bom. Eu também te amo. – Disse com a voz levemente mais animada.
Encerrei a chamada, tomei um banho em velocidade record e me arrumei. A bolsa teve que ser grande para levar os dois presentes de Edward, mas eu não me importei.
Assim que cheguei na casa de Carlisle, encontrei com Emmet que me levou até o jardim, onde havia umas 30 pessoas. Rapidamente localizei Emmet e Rose sentados em uma das mesas, minha mãe e Carlisle conversando com algumas pessoas que provavelmente eram conhecidos da família de Carlisle, e por final vi Edward, que estava sentado à mesa de Riley e Victória, conversando. Foi então que ele olhou para a entrada da festa e me viu. Permaneci parada o observando e ele se levantou, vindo em minha direção em seguida.
– Oi. – Disse sério.
– Não me olhe desse jeito. – O reprimi. – Houve um motivo pra minha demora.
– E qual foi?
Tirei uma das alças da bolsa do ombro e a abri, pegando os dois presentes de Edward e entregando em suas mãos.
– Esse. – E então o beijei com um rápido e discreto selinho nos lábios. – Feliz aniversário.
Edward deu a embalagem da câmera em minhas mãos e desembrulhou o vinil, abrindo um enorme sorriso assim que viu do que se tratava.
– New Order! – Disse feliz. – Eu estava louco por esse vinil. Como adivinhou?
– O Jeff me falou, é claro.
– Muito obrigado. – Disse sorrindo. – Agora segura esse que eu vou abrir o outro.
– Okay. – Eu disse segurando o vinil e entregando a embalagem da câmera em suas mãos.
Edward desembrulhou o presente, empolgado. Assim que viu a caixa que mostrava a câmera polaroid, ele abriu um sorriso ainda maior ao que deu ao ver o vinil.
– Como adivinhou que eu queria uma polaroid?
– Bom... Esse foi pura intuição. – Admiti.
Edward tirou a câmera da caixa e apontou a câmera para mim, tirando uma foto que saiu instantaneamente, ele segurou a fotografia cinza e balançou para que as cores e formas se revelassem, não demorou muito e lá estava eu, com cara de surpresa, segurando o vinil do New order.
– Isso é porque eu queria que a primeira foto fosse sua. – Disse sorrindo.
– Eu estou horrível, mas se isso te faz feliz...
– Verdade que você só demorou pra chegar porque estava comprando os meus presentes?
– Sim. Eu não sabia o que comprar pra você e acabei perdendo um pouco a noção da hora.
– Obrigado. – Disse acariciando meu rosto.
– Eu também.
– Bella? Edward? – Disse Carlisle chegando ao nosso lado e vendo Edward com uma das mãos em meu rosto, ele parecia confuso.
– Oi? – Edward perguntou.
– Eu vim chamar a Bella pra almoçar.
– Ah sim. Vai lá, amor.
– Amor? – E então, o semblante de Carlisle foi de confuso para surpreso. – Não acredito nisso! – Disse sorrindo. – Vocês dois!
– Nós dois. – Edward confirmou.
– Nossa! – Disse ainda surpreso. – Isso é muito legal. Quem já sabe?
– Por enquanto só você. Minha mãe sabe que estamos juntos, mas não oficialmente. – Eu disse.
– Estou feliz por vocês... De verdade. Isso é tão inesperado, mas eu adorei. – Disse colocando uma das mãos nas costas de Edward. – Especialmente por você, filho. É bom saber que está começando a se permitir.
– Obrigado, Carlisle.
– Vocês vão contar?
– Acho melhor contarmos só pra família mesmo, não é, Edward? – Perguntei.
– É, o resto das pessoas vão acabar sabendo mesmo. Acho melhor contar só pra vocês, por enquanto.
– Tudo bem, vou pedir pra Rosalie e o Emmet ficarem e depois do almoço vocês contam.
– Tudo bem.
O resto da tarde passou arrastada, eu estava ansiosa, mais pela reação de Rosalie do que por qualquer outra coisa, ela me disse pra manter distância do Edward e tudo mais, não gostaria nada da notícia.
Conversei um pouco com Emmet e Rose e depois fui para perto de Edward, Victória, Riley e Eva. Quando eram mais ou menos cinco da tarde, após o Carlisle cortar o bolo, todos começaram a ir embora, e quando ficamos apenas nós seis, Carlisle nos reuniu na sala.
– Por que pediu para que ficássemos, pai? – Emmet perguntou.
– É que o Edward e a Bella querem dizer algo. – Disse fazendo com que nos olhassem com expectativa.
– Não tem motivos pra muitos rodeios. – Disse Edward. – O que queremos informar é que estamos namorando.
Rosalie se engasgou com o champanhe, mas rapidamente se recompôs, com uma expressão normal, porém era visível que ela não havia aprovado a notícia. Emmet por outro lado parecia muito feliz, enquanto minha mãe estava com a cara fechada.
– Caramba! – Disse Emmet. – Eu sabia que vocês estavam saindo, porque o Edward me falou, mas namorando? Cara, que legal. Estou muito feliz por vocês dois. – Disse sorrindo.
– Você sabia deles o tempo inteiro e não me falou nada? – Disse Rose olhando para Emmet, ela não estava nada feliz, tanto por nós quanto por Emmet ter escondido isso dela.
– É que eu sabia que como você é amiga da Bella, ia ficar enchendo a cabeça dela. E você também sabe que faria isso.
– Por essa nem eu esperava. – Disse Reneé. – Pra mim vocês estavam só saindo mesmo. Nem preciso dizer o que penso disso.
– O que você pensa disso? – Carlisle perguntou sério.
– Eu não aprovo. – Disse minha mãe, sincera.
– Por quê?
– Carlisle, é melhor deixar isso pra lá.
– Não, eu insisto. – Disse sério. – Por que você não aprova o relacionamento da Bella e do Edward, Renée?
– Porque eu não gosto do seu filho. Pronto, era isso que você queria ouvir?
– Tudo bem. Mas deve existir algum motivo?
– Não gosto do jeito que ele trata você e o Emmet.
– Ah... Deixa eu ver se entendi. Você não gosta do meu filho porque não aprova o jeito que ele trata a mim e ao irmão dele.
– Exatamente.
– Agora me responda. O que ele fez a você? Exatamente a você.
– Nada.
– Então não há motivos pra isso, Reneé. Eu entendo você não aprovar as atitudes dele, agora não gostar de uma pessoa que nunca fez nada a você. Isso eu não compreendo não.
– Carlisle, será que você não vê? Ele é assim com vocês por sua causa. Porque você fica aí defendendo. A Bella mesmo vivia reclamando da conduta dele, só mudou de ideia porque está aí, apaixonada.
– Mãe, na verdade o Edward permitiu que eu conhecesse o verdadeiro ele, por isso me apaixonei. Pela pessoa dele, não porque ele é um cara bonito.
– Ah Bella, faça-me o favor.
– Eu sei que o Edward não é dos mais simpáticos, mas ele é um bom homem e tenho certeza que fará a Bella muito feliz. Agora me magoa de verdade você ter tanta raiva dele e... – Ele parecia realmente irado e eu já estava começando a temer uma briga ali.
– Pai. Deixa isso pra lá. – Disse Edward. – Não é o seu sermão que vai fazê-la gostar de mim.
– Você me chamou de “Pai”? – Disse Carlisle emocionado.
– Bom... Você é o meu pai, não é?
– Sou, mas você sempre diz “Carlisle”.
– Ah claro, muito apropriado. – Disse minha mãe e eu quase a mandei ficar quieta. – Pra se fazer de bom moço resolver até te chamar de pai. A Rose tá é certa. Ele faz você e o Emmet de capacho e os dois ficam batendo palmas.
– Hei. – Disse Emmet. – Isso não é verdade.
– Olha, pra mim já chega. – Disse Edward, irritado. – Se você e a Rosalie não gostam de mim o problema é todo de vocês, eu posso perfeitamente conviver com isso. Você pode namorar o meu pai, o seu relacionamento com ele só diz respeito a vocês dois e eu não vou interferir, asism como eu não vou admitir que nem você e nem você – Apontou para Rosalie. – Se metam na minha relação com eles. Ele é o meu pai e o Emmet meu irmão. Eu amo os dois, da minha maneira, mas amo.
– Ah é? – Disse Rosalie se iniciando na conversa. – E até quando você vai usar esse papo de “Eu os amo à minha maneira” pra fazer o que bem entende? Pra se fazer de coitadinho?
– Ele é um mimado. Isso sim. – Disse Renée.
– Mimado? – Disse Rosalie furiosa. – Você e a Bella não sabe nada sobre ele. Sobre o pedaço de nada que ele é. Onde ele vai, ele leva desgraça, tragédia, infelicidade. – De repente todos ficaram calados e eu tinha a sensação de que meu coração estava caminhando sobre uma corda bamba. Eu queria levantar a voz e defendê-lo, com unhas e dentes, mas por outro lado usei todas as minhas forças para me controlar, me manter calma, já que Rosalie ainda tinha mais a dizer. E esse mais, poderia ser algo sobre o passado do Edward.
– Eu não ia me meter nisso, ia ficar na minha, mas já que você fez questão de me mencionar. – Disse olhando para Edward. – Então acho que nada mais justo do que eu ter o direito de contar uma história, uma pequena e triste história. – E então ela olhou para mim. – Bella. Hámuito tempo atrás, existia um casal muito feliz, muito mesmo, só que você sabe né? Homem tem carne fraca e esse obviamente não era diferente, após cinco anos casado com esta mesma mulher, disse a ela que ia passar o final de semana viajando à trabalho, e ela confiou cegamente no marido, no entanto ele não foi trabalhar, ele foi para um fim de semana de despedida de solteiro de um dos amigos que foram com ele, fim de semana esse, regado a bebida e prostitutas baratas em Las vegas. Ele voltou pra casa, fingiu que nada aconteceu e continuou com a sua vida feliz com a esposa, dois anos após eles tiveram um filho e os anos se passaram, eu conheci o filho desse casal quando eu tinha dez anos e ele doze, na época ele era um grande amigo meu e a mãe dele era uma mulher excepcional, até que em 1996, 15 anos após o fim de semana em Las Vegas do marido, o mesmo marido, recebeu uma ligação da delegacia de Nevada que dizia que o filho dele estava preso lá. Ele estranhou, já que seu filho tinha apenas 13 anos e morava em Nova Iorque com ele e a esposa, mas resolveu averiguar a situação e descobriu que ele tinha sim, um filho preso em Nevada, filho esse resultado do fim de semana com as prostitutas, ele não acreditou e fez um exame de DNA que provou que ele era sim, pai do garoto. Resolveu soltá-lo e cuidar dele. Ele era um garoto excessivamente quieto, machucado e problemático, mas mesmo assim, ele cuidou, deu do bom e do melhor. Quanto à esposa? Nem preciso dizer que ela ficou arrasada, não é? Afinal o homem que ela tanto amava e confiava tinha a traído com uma prostituta qualquer e ainda por cima engravidou esta prostituta. Foram dois anos suportando um casamento destroçado, ela odiava com todas as forças o bastardo, brigava com ele o tempo inteiro, e ele, cansado dela que pegava muito em seu pé, pegou uma faca e esperou até que ela trouxesse o lanche da tarde, e quando ela o trouxe, ele a matou, com uma facada certeira no coração. E esse é o fim da história. Um maldito bastardo que acabou com uma família feliz. Acho que eu nem preciso dizer os nomes dos personagens, não é?
– Eu não matei ninguém! – Disse Edward possesso. Eu nunca, em circunstancia alguma havia o visto daquela maneira. Ele parecia tomado por ódio e tristeza.
Meus olhos encheram de lágrimas por vê-lo daquela forma e tudo que eu queria era pegar em sua mão e levá-lo pra bem longe dali.
– Você é um maldito de um assassino! – Gritou Rosalie. – Você matou a Esme!
– Eu não matei ninguém! – Gritou e então avançou para cima de Rosalie, porém Emmet e Carlisle o seguraram, enquanto eu chorava, parada, extasiada.
– Calma filha. – Disse minha mãe me abraçando. – Eu sabia que havia algo errado com ele. Sabia disso, mas você é uma boa pessoa e não pôde enxergar. Não tem importância. Mamãe está aqui.
– Não... – Eu disse me afastando dela. – Para com isso.
Fui até Edward que se debatia para chegar até Rosalie que estava do outro lado da sala, o encarando, séria.
– Soltem ele. Por favor. – Pedi a Carlisle e Emmet.
– Não podemos. Ele vai acabar com a Rosalie. – Disse Carlisle.
– Não vai não, porque ele vai embora comigo.
– Podem soltá-lo. – Disse Rosalie. – Ele pode me bater até me matar, mas isso nunca vai mudar o fato dele ser um monstro infeliz e destruidor de famílias.
– Por favor! – Eu disse a Carlisle e Emmet, ignorando Rose. – Soltem o Edward. Ele não vai até lá.
– Bella. – Ele está em uma das crises. – Disse Emmet. – Ele fica irreconhecível. Acredite.
– Eu confio nele. – Insisti e eles sentiram firmeza em mim, tanto que soltaram Edward, lentamente, porém soltaram.
Ele ainda olhava possesso para Rosalie e assim que foi solto, começou a caminhar para ela, mas entrei em sua frente, impedindo sua passagem, coloquei as mãos em seus rosto, direcionando-o para o meu.
– Hei. Olhe pra mim, olhe pra mim, Edward. – Edward olhou em meus olhos e toda a raiva que havia ali sumiu, totalmente, dando lugar apenas à tristeza. Ele não dizia nada, mas seus olhos imploravam, por perdão, por compaixão, por confiança. Era tudo que ele queria pedir pra mim, porém não conseguia. – Eu acredito em você... Eu amo você. Vamos pra casa, por favor.
E lentamente, Edward fez que sim com a cabeçaenquanto as lágrimas escorriam de seus olhos e suas mãos tremiam.
Segurei sua mão e o levei até a garagem. Edward estava calado e andava lentamente.
– Bella. – Disse Carlisle correndo até a gente. – Eu levo vocês.
– Nós podemos pegar um táxi. – Eu disse.
– Não. Eu insisto.
– Tudo bem, então.
Entramos em um dos carros da garagem e eu fui no banco de trás, com Edward, que estava deitado no banco, com as pernas encolhidas e a cabeça em meu colo, totalmente em silêncio enquanto eu acariciava ternamente seus cabelos.
– Me perdoe pelo que aconteceu lá. Essas coisas já eram pra estar no passado e a Rosalie sabe disso. – Disse Carlisle enquanto dirigia para o apartamento de Edward.
– Tá tudo bem. Vai ficar tudo bem. Eu vou cuidar do Edward.
– Que bom que conseguiu controlá-lo, porque as coisas costumam ficar muito feias quando ele tem esses ataques.
Assim que chegamos na portaria, levei Edward até seu apartamento, pela mão e assim que entramos, o levei direto ao banheiro, tirei toda sua roupa, o levando para debaixo do chuveiro, observando enquanto a água molhava seu corpo.
– Se ensaboa enquanto eu pego a sua roupa, tá bom? – Ele fez que sim com a cabeça enquanto pegava o sabonete.
Fui até seu closet e escolhi uma calça de moletom com uma camisa de malha, peguei a toalha de banho e levei tudo até o banheiro. Assim que ele terminou, após devidamente e vestido, o levei até sua cama e nós nos deitamos, um de frente para o outro. Ficamos ali, apenas nos observando por muito tempo, até que após preparado para isso, ele começou a falar.
– Você não vai embora? – Perguntou.
– Eu não vou a lugar algum.
– Por quê? – Agora ele parecia surpreso. – Agora você acha que sou um assassino.
– Você disse para Rosalie que não era. Eu acredito em você. Cegamente.
– Eu não a matei, juro que não matei. – Disse com os olhos lacrimejando novamente.
– Já disse que acredito. – Disse acariciando seu rosto. – Você não precisa se preocupar em me convencer.
– Posso falar com você sobre isso mais tarde?
– Fale quando se sentir pronto pra isso.
– Obrigado. Eu amo você. – E isso bastava. Pouco me importava seu passado ou o qua havia o trago até aqui. Contanto que essas três palavras permanecessem intactas entre nós dois, eu ainda estaria ali.
Fale com o autor