Ética Do Amor
19 Conversa entre novas amigas.
Notas iniciais
Eu realmente achava que Nova Iorque era a cidade mais climaticamente esquisita do mundo. O dia inteiro fez frio e à noite estava bem quente. Então eu estava ali me perguntando que roupa eu poderia usar pra ficar fresca e não muito vulgar ao mesmo tempo. Optei por um vestido mesmo. Já fazia quase uma semana desde o soco que James me deu, meus hematomas já estavam sumindo e a maquiagem escondeu totalmente. Depois de pronta, desci até o carro de Edward, que sorriu ao me ver.
– Está linda. – Elogiou.
– Obrigada. – Eu disse sorrindo.
Edward deu partida e nós fomos até a casa de Victória, eu estava um pouco tensa, mas por outro lado, algo dentro de mim dizia que daria tudo certo.
Não demoramos muito para chegar e Edward estacionou em frente a uma casa de dois andares que não era uma casa de alguém rico ou algo assim, mas também não era de alguém pobre. Edward estacionou perto da casa e nós saímos do carro. Eu estava um pouco ansiosa, mas disfarcei bem.
Assim que chegamos na porta, ele tocou o interfone, que em pouco tempo foi atendido.
– Oi? – Disse uma voz feminina do outro lado da linha.
– Victória. Sou eu, Edward. – Ele disse.
– Já vou abrir.
– Okay.
Não demorou muito e Victória já estava na porta, nos recebendo.
– Feliz aniversário! – Edward disse sorrindo.
– Ah, obrigada. Belo visual, hein! – Disse o abraçando e depois olhou para mim e para ele em seguida, esperando que ele me apresentasse.
– Victória. Esta é a Bella, minha... – Ele parecia estar procurando palavras para descrever o que eu era dele e eu estava realmente curiosa sobre a conclusão. – Minha garota. E Bella, está é Victória, minha amiga.
Victória sorriu docemente para mim e eu não tive como não retribuir na mesma intensidade.
– Feliz aniversário. – Eu disse quebrando o silêncio.
– Muito obrigada. – Disse me abraçando e eu retribuí. – Eu te conheço... – Disse após o abraço. – Você é a assistente social lá da empresa, não é?
– Sou sim.
– É muito bonita.
– Obrigada. – Eu disse sorrindo.
– Ah, trouxemos um presente pra você. – Disse Edward entregando a ela a sacola da chanel.
Os olhos de Victória brilharam e ela o pegou rapidamente, pegando a bolsa de dentro e abrindo um enorme sorriso ao vê-la. Como uma criança desembrulhando seus presentes em noite de Natal.
– Gostou?
– Amei! Cara, eu fico esperando o ano inteiro pelo meu aniversário pra você me dar essas bolsas lindas.
– Por isso a empolgação quando eu chego? – Perguntou sorrindo.
– É... – Disse em tom brincalhão. – Claro que sim. – E então desviou o olhar para mim. – Enfim,a casa é simples, mas é toda sua, tá bom? – Disse segurando minhas mãos e eu assenti, sorrindo. – Entrem.
Edward e eu entramos logo atrás de Victória, que a propósito, estava exuberante em um vestido azul, comportado na frente, mas bem decotado nas costas.
Entramos na casa, aconchegante, passando pela sala e cozinha e saindo pela porta dos fundos, onde havia uma piscina em um deck de madeira, rodeada com luzes, enquanto algumas mesas e cadeiras, também de madeira, estavam distribuídas pelo gramado, duas das mesas já estavam ocupadas por dois casais aleatórios, e cinco crianças brincavam por ali, entre elas, a linda Eva, com seus cachinhos ruivos voando, conforme ela corria. Ela estava fantasiada de Tinkerbell e eu me peguei sorrindo enquanto olhava para ela, que ao nos ver, veio correndo em nossa direção.
– Tio Eddie, Tia Bella. Vocês vieram!
Edward abaixou e ela veio como um foguete, se jogando em seus braços.
– Que roupa é essa menina? – Perguntou.
– Sou a Tinkerbell. – Disse sorrindo.
– Eu já tentei, mas ela não quer mais tirar essa roupa. – Disse Victória.
– Mas ela está tão linda. – Eu disse sorrindo.
– Eu to muito feliz que você veio, tia Bella. – Ela disse parando de abraçar Edward e me abraçando em seguida.
– Eu também estou feliz por ter vindo. – Respondi encantada pelo carinho dela.
– Edward. – Disse um homem alto e bonito, chegando perto de nós, estendendo a mão para Edward, que o cumprimentou. – Como vai, cara?
– Muito bem, e você?
– Muito bem, também. – E então olhou para mim.
– Riley. Está é Bella, minha garota. – Agora ele parecia mais confortável com a definição que encontrou. – E Bella, este é o Riley, meu amigo e marido da Victória.
– Prazer em conhecê-lo. – Eu disse apertando sua mão.
– Prazer em conhecê-la também. Amor. – Disse chamando Victória que veio até nós prontamente. Riley a abraçou de lado, carinhosamente e continuou. – Já conheceu a Bella?
– Conheci sim. Edward demorou, mas escolheu direito.
– Verdade.
– Assim vocês me deixam sem graça. – Eu disse sorrindo.
– Não precisa. A gente é assim mesmo, né? – Disse olhando para ele.
– É, sabemos reconhecer a beleza das pessoas e não temos problemas em falar abertamente isso a elas.
– Obrigada. – Eu disse.
– Mas brincadeiras à parte, vocês podem ficar à vontade, gente. Sentem-se. – Disse Riley.
Edward segurou minha mão e nos sentamos em uma das mesas. Victória nos disse onde estava tudo para que nos servíssemos. Edward pegou alguns canapés e duas taças de vinho tinto para nós dois.
– Está sendo tão ruim o quanto você imaginava? – Perguntou assim que se sentou.
– Não. – Respondi. – Eles são muito receptivos e a Eva é a criança mais fofa desse mundo.
– Verdade. Ela é a filha que eu não tive.
– Você tem 32 anos, não acha meio cedo pra dizer “A filha que eu não tive”.
– Não, porque eu não pretendo ter filhos.
– Mas por quê? – Perguntei não gostando muito da história.
– Eu não sei. Acho que eu não tenho tempo. E se for pra ter um filho e deixar nas mãos de qualquer um por aí, eu prefiro não ter.
– Mas e quando você se aposentar?
– Não quero filhos, Swan. – Disse sorrindo. – Você quer?
– Quero. – Eu disse sorrindo ao imaginar. – Quero um ou dois, mas quero.
– Temos um problema então. – Disse sorrindo.
– Não sei porquê. Pra mim um casal que não tem planos, não quer um futuro juntos. – Eu disse sincera. Já fazia alguns dias que eu vinha pensando na gente, no que éramos um pro outro e cheguei a conclusão de que nunca falamos sobre o nosso futuro.
– Você não quer um futuro comigo? – Perguntou sério, porém compreensivo para o que eu estivesse disposta a dizer.
– Querer eu quero, mas você nunca falou nada sobre isso comigo. Você nunca nem mesmo me falou o que sente de verdade por mim.
– Você também nunca me disse, Swan. E além do mais, pra que ficarmos fazendo planos e nos declarando se o que realmente importa é o que estamos vivendo, o que estamos sentindo? Tantos casais vivem às juras de amor, mas na primeira tempestade, se separam. Eu prefiro a gente assim, sem planejar nada, sem precisar dizer nada, mas seguindo, firmes.
– Eu discordo. Não é uma palavra de carinho que vai fazer uma relação se destruir, mas a falta dela, fará, com certeza. Porque por melhor que o sexo seja, chega uma hora que somente ele não é mais o suficiente. Só que eu acho que a gente tem que conversar isso outra hora, em outro lugar.
– Sim. Outra hora a gente fala sobre isso.
– Ótimo.
Mudamos de assunto, rapidamente ao som de alguma música agradável que tocava ali, Victória e Riley se juntavam a nós ocasionalmente. Ao longo da noite estive os observando e agora eu estava percebendo a conexão entre eles que Edward falava tanto. Realmente não havia como negar, ali não havia espaço pra mais ninguém. Não tinha motivos pra eu ter ciúmes de Edward. Victória pertencia a Riley e Riley a Victória. Isto era visível para qualquer um, até mesmo para mim que não os conhecia muito.
Depois do bolo, todos começaram a ir embora e Eva já estava dormindo, mas Edward, Riley, Victória e eu estávamos em um papo muito interessante e eu não estava com um pingo de vontade de ir.
– Ai gente, vou ter que me ausentar um pouco. – Disse Victória. – Eu tenho que colocar as coisas de geladeira, na geladeira, antes que estrague tudo. Fora a louça que está imensa.
– Eu te ajudo. – Me ofereci.
– Eu recusaria, mas estou exausta, então vou aceitar a sua ajuda sim.
Colocamos as coisas para dentro e ela começou a lavar alguns pratos, enquanto eu os secava e colocava em cima da mesa.
– Mas e você e o Edward? – Disse Victória puxando assunto. – Estão juntos há quanto tempo?
– Tem quase um mês.
– Ah, que bom! – Disse parecendo realmente feliz por nós. – Edward sempre me conta tudo sobre a vida dele, mas ambos andamos meio sem tempo pra conversar e tudo mais, nos falamos mais assim, quanto marcamos alguma. Mas ele é um homem incrível. Você só precisa ter muita paciência.
– É... Eu percebi. – Eu disse e ela sorriu.
– Eu não estaria conversando com você sobre ele se não tivesse percebido que o que há entre vocês é forte.
– Você percebeu isso?
– É visível pra qualquer um. Vocês não tem olhos pra mais ninguém e se eu posso te dar um conselho é não deixar que isso escape de você. Porque você não vai mais encontrar algo assim. Eu encontrei e não o deixei ir.
– Mas isso não depende só de mim, né? – Eu disse disposta a conversar abertamente com ela sobre o que eu sentia. Era bom poder me abrir com alguém que não fosse me julgar por gostar dele. Como minha mãe e Rosalie faziam. – A gente está numa fase boa, mas eu não sei, sempre estou insegura, porque nunca sei qual é a dele, sabe? Eu sei que há algo sobre o passado dele. Algo que o marcou muito, mas ele não conta. A última vez que tentei falar disso com ele, ele me mandou embora do apartamento. Eu não sei o que esperar da gente. Ainda mais quanto tudo que eu ouço das outras pessoas, é pra eu me afastar dele, eu não o faço, não faço porque eu gosto dele.
– Mas você concorda com essas pessoas?
– Não. Eu não acho o Edward uma pessoa horrível como dizem que ele é. Ele já me deu provas de que é um homem muito bom, mas que precisa ser compreendido. Precisa se mostrar mais.
– Pois é. O Edward tem esse problema com mostrar pras pessoas o que se passa dentro dele. A real pessoa que ele é. Mas se eu disser pra você que tudo vai ser flores, estaria mentindo. O Edward realmente tem um passado, não é dos mais felizes e ele tem as crises dele por conta disso, mas isso é algo que tem que ser batalhado, dia após dia. O problema maior é essa coisa com relacionamentos, que ele tem. Chega uma hora que você vai querer mais, vai querer casar e ter filhos. Não ficar só nessa de namorar e só. Chega uma hora que a gente cresce. Eu não posso te iludir dizendo que talvez com o tempo ele mude de ideia, como também não posso dizer que não. Isso é algo que o futuro vai te dizer. E eu espero com todo o meu coração que quando você começar a cobrar esse próximo passo no relacionamento de vocês, que ele esteja de coração aberto pra perceber que isso é importante.
– É, eu vejo tudo isso. – Eu disse sorrindo. – Eu sei que você deve estar receosa sobre o que dizer, porque você não sabe até onde eu conheço as coisas. Mas eu sei que vocês tiveram um passado e ficaram bastante tempo juntos. Pra ser sincera eu até costumava me sentir bem insegura em relação a isso. Porque ele me falou sobre você, sobre o quanto ele foi apaixonado por você e disse que vocês ainda eram amigos. Isso me deixou bem insegura. Até eu vir até aqui e ver você e o Riley, é realmente muito intenso isso que vocês têm. Meus parabéns.
– Muito obrigada. – Disse sorrindo. – Eu não sabia que o Edward te contou sobre a gente, mas isso faz tanto tempo. Nós mesmo nunca mais tocamos no assunto. Até mesmo porque não faz muito sentido pra gente. Eu sei que ao seu olhar, parece que o que tivemos foi algo enorme, foram sete anos de muita paixão e tudo mais, mas só. Fomos muito apaixonados sim e eu sofri demais quando terminamos definitivamente. Achei que nunca superaria, até eu conhecer o Riley, que me mostrou que tudo que o Edward e eu vivemos, poderia ser grande e os nossos sentimentos muito intensos, mas não era amor. Porque se fosse amor, eu jamais sentiria por outro homem algo ainda maior do que sentia por ele e ele jamais me deixaria ir, enfrentaria todos os seus dilemas interiores e no final constataria que ficar sem mim era pior do que superar essa coisa com namoros que ele tem, e nunca, jamais, me deixaria ir. Porque o amor é isso, você lutar com os seus dilemas por maior que eles sejam, pela pessoa amada. E por favor, não se deixe levar pela insegurança só porque passamos tantos anos juntos. Existem casais que em um mês já se amam mais do que muitos outros que passaram a vida inteira juntos. O amor não tem prazo de validade.
– Não sabe o quanto é libertador pra mim, ouvir tudo isso de você. Porque eu realmente estava bem insegura e o Edward sempre me dizia que era besteira. Eu já estava convencida disso, depois de tudo que você está me dizendo então… Eu só me sinto um pouco cansada às vezes, sabe? Na minha cabeça, eu gosto bem mais dele do que ele de mim e eu já passei por isso, nunca dá certo.
– Bella, você não enxerga porque está de longe, mas isso é claro pra qualquer um. Ele era um cara muito fechado, você não tem noção. Nas festas aqui em casa, ele sentava em uma mesa no canto e enchia a cara, parecia que estava ansioso pra que acabasse, sabe? Mas hoje, ele veio com essas roupas alegres e ele estava muito radiante, sorrindo. Você não tem noção do quanto estou satisfeita com o bem que você está fazendo a ele. Às vezes eu me sentia muito mal, sabe? Eu via que ele nunca mais tinha ficado com nenhuma mulher, sério, se envolvendo sentimentalmente e ficando apenas com ela, como ele ficava comigo e eu achei que isso era culpa minha, que a nossa relação tinha sido traumática pra ele e tudo mais, só que você apareceu e fez ele feliz de novo, como há muito tempo eu não vejo, pra falar a verdade eu nunca o vi dessa forma, nem quando a gente estava junto, porque na nossa época, ele também era muito fechado, ele nunca falou que me amava, nem mesmo que era apaixonado por mim, não me dizia nenhuma palavra de afeto. Ele dizia apenas que não saia com mais ninguém e que não queria que a gente terminasse, porque gostava muito de mim. Essas eram as palavras mais carinhosas, em todos os sete anos. Ele sempre foi muito fechado e pensativo. Com você é como se ele fosse livre, de tudo isso que o faz tão introvertido.Então tenta ver por esse lado e você vai saber que não é a única que tá mergulhando de cabeça nessa.
– Desistimos de esperar vocês, meninas. – Disse Riley entrando e Edward vindo logo atrás dele.
– A gente já está até terminando. – Disse Victória.
– Pois é, mas eu acho que tá ficando tarde. – Disse Edward olhando em seu relógio. – É melhor nós irmos. Nova Iorque de madrugada não é das mais seguras.
– Ah, mas já? – Disse Victória.
– Já. Já são uma e meia da manhã. Tá na nossa hora.
– Se quiserem dormir aqui, sem problemas. – Disse Riley.
– Não precisa, gente. – Disse Edward sorrindo. – Meu apartamento não é longe daqui.
– Tudo bem, então. Vocês quem sabem. – Disse Victória. – Mas por favor, vamos marcas outros encontros desses. A noite foi muito agradável.
– Vamos sim, é claro.
– Bella, eu amei te conhecer! – Disse Victória. – Vamos almoçar juntas qualquer dia desses.
– Vamos sim. É só marcar. E eu também adorei conhecer vocês.
– Obrigada. – Disse sorrindo.
– Vamos levá-los até a porta. – Disse Riley.
Assim que chegamos no apartamento de Edward, ele me puxou até o banheiro, para que tomássemos banho juntos. Eu estava feliz, imensamente. Por todas as coisas que Victória havia me dito e por ver que eles dois eram realmente passado, mas toda essa coisa de não ser nada além de a garota que ele estava saindo estava realmente me incomodando. As coisas estavam tomando grandes proporções pra mim, e apesar de eu também ter meus receios com relacionamentos, por causa de águas passadas, a minha vontade de deixar esse medo de lado, assumir um namoro com ele e fazer planos para um futuro com ele era maior.
Não tinha mais pra onde correr, eu estava apaixonada por Edward, de verdade. Não fazia mais sentido fingir que nada estava rolando ali e amanhã mesmo eu ia conversar com ele sobre isso.
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