Ética Do Amor
20 Tudo ou nada
No dia seguinte, acordamos cedo e terminamos a pintura no apartamento e eu estava receosa sobre a nossa conversa, o dia estava sendo maravilhoso, então pra não me estressar com todo esse assunto, achei melhor deixar pro dia seguinte. Eu realmente não queria estragar o fim de semana, porque dependendo do que ele me dissesse, o nosso fim podia estar próximo.
Segunda-feira, passamos na minha casa pra eu me arrumar e fomos para a empresa. Tânia nos olhou de rabo de olho, por estarmos chegando juntos. Ultimamente ela estava assim, nem bom dia ela me dava mais. Acho que já sabia sobre a gente, mas eu não me importava muito.
– Eu quero falar contigo na hora do almoço, pode ser? – Perguntei.
– Claro. Sobre o que?
– Sobre a gente.
De repente o semblante de Edward mudou, ele parecia um pouco tenso.
– Tá tudo bem? – Perguntou.
– Por enquanto sim.
Edward ficou calado e voltou ao trabalho. As horas até o almoço passaram arrastadas. Eu estava muito ansiosa por nossa conversa e sabia que ele também estava.
– Me diz. Sobre o que precisamos conversar? – Perguntou meio dia em ponto enquanto fechava o notebook.
– Eu quero saber o que você sente por mim.
– Como assim?
– Quais são os seus sentimentos por mim.
– Bella, não é melhor a gente falar sobre esse assunto hoje, mais tarde, lá no meu apartamento?
– Não, Edward. Eu não quero ir pra lá, porque eu sei que qualquer coisa que você disser vai ser válida em um jantar romântico na sua casa ou em qualquer lugar que a gente possa fazer sexo.
– Não pense que não podemos fazer sexo aqui.
– Quieto. – Eu disse tentando reprimir o riso pela cara de safado que ele fez ao dizer.
Ele deu um sorriso torto pra mim que quase me desconcertou, quase. Mas consegui me refazer e retomar ao meu objetivo inicial.
– Só me responde o que eu te perguntei, por favor. – Pedi.
– Por que quer saber isso? Eu estou contigo, você comigo, estamos felizes. Precisamos mesmo dessa conversa?
– Precisamos. Por que é tão difícil pra você me responder? Você não sente nada por mim? É isso.
– Não... – Disse como se fosse óbvio. – Eu só não sei.
– O que?
– O que eu sinto.
– Só isso que você tem pra me dizer? – Perguntei decepcionada com sua resposta.
– Eu não sei, acho que não. Eu nunca parei pra pensar no que eu estou sentindo. É novo pra mim. Eu gosto de você, muito. Eu nunca senti algo assim antes. E às vezes é um pouco assustador a intensidade disso.
– Huhum... – Eu disse gostando do que ele estava dizendo, mas ainda relutante, já que o ponto principal ainda não tinha chegado. – E quanto a nós? O que nós somos?
– Bella, por favor. – Disse parecendo não gostar deste assunto. – Não vamos ficar rotulando o nosso relacionamento, tá? Você sabe como terminou a última vez que tentaram rotular um relacionamento comigo.
– Não é questão de rótulos, Edward. É questão do quão importante isso é pra você.
– É muito importante. Eu não preciso comprar um anel de compromisso e te chamar de namorada pra te querer ardentemente.
– Esse é o problema, Edward. Vai muito além do “Querer ardentemente”. Muito além.
– Bella, por favor, seja mais direta.
– Eu quero saber se você vê um futuro pra gente.
– Eu não costumo pensar no futuro, gosto de viver o hoje, porque ficar pensando demais no futuro trás muitas expectativas e se elas não forem alcançadas, criam frustração. Então eu prefiro não imaginar. Vamos vivendo, um dia de cada vez e ver no que dá.
– Edward, eu acho melhor você ter um tempo, pra pensar melhor nas suas certezas. Quando eu olho pra você, eu vejo um grande ponto de interrogação enquanto eu sou um de exclamação. Isso nunca dá certo pra mim, então é melhor a gente se afastar até você ter certeza das coisas que quer pra sua vida.
– Bella, não. Por favor, não faz isso. – Pediu, quase sussurrando. – Por favor.
– Você tá tomando as suas próprias decisões, Edward. Eu não estou fazendo nada além de não aceitar me adaptar a elas.
Ele estava prestes a falar alguma coisa, mas bateram à porta antes que ele dissesse.
– Edward. – Era Tânia.
– Fale, senhorita Denali. – Ele disse. – Seu almoço está aqui. Posso levá-lo até aí?
– Não, daqui a pouco eu pego.
– Pode trazer, Tania. – Eu disse enquanto me virava pra sair.
– Bella... – Me chamou, sua voz ainda era um sussurro.
– Vou almoçar, senhor Cullen.
E então saí. Passando por Tânia com a cabeça baixa, pra que ela não visse as lágrimas que ameaçavam cair de meus olhos indo direto pro banheiro. Lutei um pouco para me recompor e voltei para o trabalho, já que o horário de almoço tinha terminado e eu também não estava com um pingo de fome. Assim que cheguei na sala, vi Edward, sentado em sua cadeira, porém virado para trás, olhando Nova Iorque de cima, já que a parede, atrás de sua mesa era toda de vidro. Assim que bati a porta, ele se virou.
– Pensou melhor? – Perguntou.
– Eu não tenho nada em que pensar. Você já deixou claro que não sabe o que sente e nem imagina o seu futuro. Eu sei o que eu sinto e sei o que quero pro meu futuro e não quero incluir uma pessoa que não sabe se quer ficar.
– Bella, eu sei...
– Por favor, vamos trabalhar, tá? Eu conversei com você na hora do almoço. Agora é hora de trabalho.
– Tudo bem, você está certa. Mas não vai poder fugir disso.
Fiquei quieta e o dia inteiro foi assim, um completo silêncio. Ele fazia o trabalho dele e eu o meu, que era monitorar o dele. Tudo que ele fazia em seu computador, aparecia no meu e a partir disso eu fazia as minhas anotações no que observava. Em certo momento do dia, ele abriu o bloco de notas e escreveu “Eu quero você como nunca quis ninguém.”
– Se fizer isso novamente vou incluir em minhas anotações. – Eu disse friamente e ele deu esc no bloco de notas, com raiva.
Meia hora antes do expediente terminar. Edward chamou Tânia e disse a ela que estava liberada.
– Mas meia hora mais cedo? – Perguntou desconfiada.
– Sim. Eu preciso falar algumas coisas com o Emmet e nós vamos precisar de privacidade. Só não libero a senhorita Swan porque ela não está sob meu comando.
– Tudo bem. – Disse visivelmente não engolindo a história. Na verdade eu também não estava. Algo me dizia que ele estava aprontando.
Tânia enrolou bastante até terminar de arrumar suas coisas e sair, tanto que quando finalmente saiu, já estava na hora de irmos, então me levantei e após arrumar as minhas coisas rapidamente, fui até a porta, que por algum motivo, estava trancada. Virei para Edward, olhando para ele imediatamente.
– Abre a porta. – Eu disse.
– Não. – Ele disse enquanto se levantava ia pra frente de sua mesa, se apoiando nela e me encarando. – Vamos conversar.
– Okay. – Eu disse indo até minha mesa e colocando minhas coisas lá. Eu não tinha nenhum problema de conversar com ele fora do expediente, até mesmo porque se ele me procurou, talvez tenha repensado em tudo.
– Eu quero que você me diga o que, exatamente você quer? Porque estávamos muito bem ontem e do nada você quer terminar. Eu realmente não entendo. Se for da sua vontade, nós terminamos sim, mas quero motivos pra isso, motivos reais.
– Eu não quero terminar com você e você sabe disso. Eu tinha um relacionamento casual com o James e tudo mais, só que com você não é assim, eu não consigo não me importar, não consigo não pensar na gente no futuro e tudo mais. Talvez eu aguentasse esperar mais se não soubesse da Victória, porque vocês saíram por sete anos, sete anos, Edward. E nunca saíram disso, ela esperou sete anos por você, até que desistiu, então eu estou me perguntando se eu não vou ser outra Victória.
– Bella... – Disse se aproximando de mim, ficando tão perto que eu podia até sentir sua respiração em meu rosto. – Eu nunca fui um homem carinhoso, porque não me deram isso. Passei grande parte da minha vida sendo tratado como um cachorro de rua, como um nada. E por algum motivo, eu não consigo ser carinhoso com as pessoas, não consigo dizer a elas o que eu sinto, o que se passa dentro de mim. E você veio assim, como um furacão, causando todos esses sentimentos em mim, de uma forma e intensidade que eu não sei explicar e em tão pouco tempo. E eu tenho certeza que o que você sente aí – Colocou a mão em meu peito, na direção de meu coração. – não é diferente do que eu sinto aqui. – Agora sua mão foi para seu peito.
Eu estava realmente mexida com o que ele acabou de dizer, mas não era o suficiente. Porque por mais que ele realmente gostasse de mim, isso não adiantaria já que não era o suficiente pra querer algo sério.
– Então me prova.
– Como?
– Eu não vou dizer o que você tem que fazer, porque tem que vir de você. Eu quero que você me mostre que as coisas vão ser diferentes daqui em diante.
– Então é isso? – Perguntou com a voz falhada e os olhos baixos. – Terminamos?
– Bom, atualmente sim. Mas você pode mudar isso. Basta querer.
– Tudo bem então, Bella. Acho que já falamos sobre tudo que poderíamos falar.
– Eu também. Posso ir agora?
– Espere para que eu possa te levar em casa. Eu te trouxe, eu te levo.
– Não precisa. Eu pego um táxi.
– Bella...
– Eu pego um táxi. – Insisti, firme, para que ele não continuasse insistindo.
Edward abriu a porta e eu saí. Assim que cheguei em casa vi Jake na sala, jogando xbox. Dei um “Oi” fraco e fui direto para o banho. Assim que saí, comi alguma coisa forçando, já que a minha fome era praticamente nenhuma e fui para o quarto me deitar, porém o sono veio depois de algumas horas de reflexão e até lágrimas. Eu queria muito que os nossos sentimentos bastassem, queria muito que algumas palavras bonitas fossem o suficiente. Sabia que provavelmente eu ter me separado dele, foi na verdade um impulso para o fim, para o nosso fim, mas que por outro lado, seria apenas uma questão de tempo até que tudo terminasse.
No dia seguinte, fui para o trabalho sem um pingo de vontade. Ter que passar oito horas trancada em uma sala junto com ele era uma espécie de tortura. Mas infelizmente, uma tortura necessária.
– Bom dia. – Eu disse friamente ao entrar na sala.
– Bom dia. – Respondeu. – Como foi a sua noite?
– Boa, obrigada.
– A minha foi uma droga, se quer saber. – Disse passando a mão no rosto de cansaço. – Dormi pouco e o pouco que dormi, foi mal dormido.
– Talvez seja o colchão, por que não o troca?
– Você sabe que não é o colchão, Swan.
Fiquei calada e ele provavelmente percebeu que eu não queria muito papo, então não falou mais nada.
Duas semanas se passaram e ele já nem tentava mais puxar assunto, ainda mais com o fato de que um dia após terminarmos os chineses ligaram, dizendo que não fechariam o negócio com a empresa, ele ficou visivelmente mal por isso e o clima ficou ainda mais gelado ali, eu sentia sua falta de uma forma que era até difícil de tentar explicar, sempre soube que sentiria, mas não tinha noção do quanto. Claro que eu tentava driblar toda essa saudade de alguma forma, Jantei com Jasper, Alice e Jake duas vezes. Visitei minha mãe e Carlisle. Fui ao shopping com a Rosalie, mas bastava eu encostar a cabeça no travesseiro e tudo desmoronava. Todas as lembranças vinham com força e era inevitável não sentir tanta dor. Dos meus amigos, o único que sabia todo o meu lance com o Edward era o Jake, que mesmo gostando de mim, não estava feliz em me ver tão triste, chegando às vezes até mesmo a dizer pra eu voltar com Edward e ficar mais um tempo, já que não estávamos nem há um mês juntos. Eu disse a ele que a questão não era dar um tempo para talvez ele gostar de mim, mas sim eu não querer me envolver cada vez mais com alguém que talvez nunca pudesse me dar o que eu quero ter.
Sexta-feira à noite, eu estava sozinha no apartamento, de moletom, me empanturrando de sorvete de flocos e assistindo pela milésima vez episódios aleatórios de Friends na TV. E então a campainha soou. Me levantei e fui até a porta, assim que atendi, me deparei com Edward, de terno e gravata, lindo de morrer, bem na minha frente. Meu coração veio até a boca e eu tive que me lembrar de como se respirar. Fazia algum tempo que eu não o via em algum lugar que não fosse na empresa e aquilo mexeu muito com o meu emocional, que vinha sendo trabalhado para eu não pensar nele.
– Edward.
– Oi, Bella.
– O que faz aqui? – Perguntei.
– Eu vim te ver. Tem sido muito difícil pra mim fingir que nada aconteceu entre a gente, fingir que não ligo e que não sinto sua falta. – Disse olhando em meus olhos e minha respiração falhou novamente. Se ele continuasse seguindo esse caminho, eu sabia que me ganharia fácil.
– Eu também senti muito a sua falta, mas por que demorou tanto pra me procurar? – Perguntei com a voz falhada.
– Eu queria deixar as coisas como estavam. Eu nunca deixei de fechar contrato com ninguém e isso aconteceu com os chineses, aconteceu porque eu me dei ao luxo de passar a tarde com você, ao invés de me preparar pra reunião e colocar em pauta todos os motivos deles fecharem negócio com a gente. Eu achei que eu não tava conseguindo separar as coisas e que o nosso relacionamento tava afetando o meu profissionalismo, e esse pensamento se uniu ao fato de a gente não estar mais juntos, então achei que era melhor deixar pra lá e voltar a ser apenas o seu colega de trabalho, como deveria ser.
– É... Devia ser assim mesmo. – Eu disse com os olhos lacrimejando levemente ao ouvir tudo aquilo.
– Sim... Mas não é isso que eu quero. – Disse com os olhos suplicantes. – E eu sei que não é isso que você quer também. Eu quero você e eu não consigo pensar em outra coisa, não consigo.
– Edward... – Eu disse com o coração inundado de felicidade por ouvir todas aquelas palavras depois das duas semanas de indiferença entre a gente.
– E eu trouxe isso pra você. – Disse me entregando uma sacola da chanel que eu nem percebi em suas mãos ao abrir a porta. – Espero que isso te ajude a pensar melhor na sua decisão em relação a nós dois.
Abri a sacola, tirando a grande e linda bolsa branca, de couro e pedras brilhantes, ainda mais elaborada que a bolsa de trinta mil que Victória ganhou, logo eu mal conseguia calcular o preço daquela. Foi então que suas últimas palavras começaram a ecoar em minha mente... “Espero que isso te ajude a pensar melhor na sua decisão em relação a nós dois.” Meus olhos lacrimejaram novamente, mas dessa vez com mais intensidade. Ele estava pensando que me dar um presente caro ia me ajudar a pensar melhor sobre a gente, ia me ajudar a voltar pra ele... Aquilo doeu, doeu demais. Olhei para Edward e sem dó, nem piedade, joguei a bolsa com toda a minha força em cima dele, que levou os braços para frente do rosto, se protegendo.
– O que houve? – Perguntou confuso. – Não gostou da bolsa? Podemos trocar por outra.
– A bolsa é linda. – Eu disse furiosa. – Mas ela jamais me ajudaria a pensar em decisão nenhuma. Meus sentimentos não estão à venda. Pega essa bolsa de não sei quantos mil dólares e engole!
Fechei a porta com toda a minha força, me encostando a ela e permitindo que as lágrimas caíssem. Doía demais querer tanto alguém que não sabia reconhecer que as coisas mais simples, não tinham preço e pior que isso, não sabia que tudo que eu mais quero é apenas tê-lo completamente ao meu lado, como um namorado, amigo, companheiro, amante. Não apenas como “O cara que eu transo nos fins de semana”.
Voltei para o meu sofá, para voltar a curtir a minha fossa sozinha. Quando fui dormir, olhei meu celular e vi uma mensagem dele, de alguns minutos atrás dizendo “Eu faço tudo errado, mas a minha intenção é sempre acertar. Me perdoe”. Ainda possuída pela raiva, digitei rapidamente uma resposta que dizia: “NÃO ME PROCURE MAIS!” e enviei, assim mesmo, em letras garrafais.
Me deitei e aos poucos, conforme minha raiva foi passando tive vontade de pegar o celular e digitar que ele podia sim, me procurar, contanto que sua vontade fosse de se acertar comigo, e assumir para o mundo que estávamos juntos, no entanto disso ele já sabia.
No dia seguinte, sábado, Jake, Alice, Jasper e eu saímos juntos. Fomos passar o dia em um sítio super legal do irmão de Jasper. O dia foi incrível e eu estava me divertindo, o que era algo muito bom em vista da noite de ontem.
À tarde recebi uma ligação de minha mãe e estranhei, já que normalmente ela trabalhava nas tardes de sábado e quando trabalhava não costumava me ligar.
– Oi mãe. – Eu disse enquanto atendia ao telefone.
– Oi filha. Tá fazendo o que?
– Estou em um sítio, com o Jake, a Alice e o Jasper. Por quê?
– Eu ia te chamar pra gente sair juntas, ir ao cinema, teatro, sei lá. Um programinha de mãe e filha qualquer.
– Ah sim... Poxa, pena que estou longe de casa, mas podemos marcar pra amanhã, se você quiser.
– Então tá, pode ser amanhã sim.
– Mas não era pra você estar trabalhando agora? – Perguntei confusa.
– Era, mas foi um homem de preto lá na loja e comprou todas as flores da loja.
– Todas as flores? – Perguntei impressionada.
– Sim. Muito estranho né? Mas eu vendi tudo, é claro.
– Legal. Mas vamos amanhã sim. Quando eu chegar em casa eu te ligo pra gente marcar de sair amanhã.
– Tudo bem, divirta-se.
– Obrigada.
Encerrei a chamada e continuei no sítio com o pessoal. Conversamos, brincamos e na hora de ir embora ainda jantamos em um restaurante bem legal. Alice e Jasper foram para o apê deles, enquanto Jake e eu fomos para o nosso, rindo feito loucos da piada que Alice estava contando no elevador e assim que abrimos a porta, demos de cara com ninguém menos que Edward, que estava no meio da sala com um violão nas mãos em uma sala repleta de flores, muitas mesmo. Fiquei paralisada na porta do apartamento, o encarando, incrédula.
E então ele sorriu lindamente, começando a tocar e cantar uma música que rapidamente reconheci “Bed of roses” do Bon jovi. Ele olhava diretamente em meus olhos e sua voz linda soava como a de um anjo sussurrando em meu ouvido, aos poucos meu coração ia desarmando, não apenas desarmando, como também ficando repleto de amor, o mais puro amor.
– Edward. – Eu disse fechando os olhos e me concentrando antes de dizer tudo que realmente precisava ser dito, independente do que eu estava sentindo naquele momento. Assim que me senti forte o suficiente pra prosseguir, abri os olhos e comecei a falar. – Isso tudo é lindo, demais. Só que eu não quero só isso. E você sabe. Eu quero algo sério. E não são centenas de flores compradas na floricultura da minha mãe, nem uma música linda cantada por você que vão mudar isso. Você vai ter que me dar provas concretas de que as coisas vão ser sérias daqui em diante.
– Bella. Eu já vim pra cá com a consciência disso. – Ele disse sério enquanto colocava o violão no chão pra falar comigo. – Ontem à noite, após ler a sua mensagem de texto, deixando bem claro que não era pra eu te procurar mais, senti no fundo do meu coração que se eu não me esforçasse ao máximo, seria o fim. Então mentalmente, coloquei tudo em uma balança, o que era mais importante, você ou a minha liberdade. E então, depois de muito pensar, eu vi que não dá pra voltar atrás, eu mergulhei no mar depois de anos, pintei as paredes da minha casa e troquei as minhas roupas, conversei sobre filhos, sobre futuro e principalmente, eu fui feliz como nunca fui antes, e quando você foi embora, tudo isso escorregou pelos meus dedos, tudo. Eu não me visto mais com roupas coloridas, não mergulhei no mar apesar de ter ido à ilha semana passada, não tinha ninguém pra falar sobre filhos e futuro comigo, as paredes, apesar de coloridas, não têm graça, não têm vida e definitivamente não fui feliz, na verdade foram os piores dias, piores até mesmo que os que eu julgava terríveis. Eu não suporto ficar longe de você. Não suporto te sentir distante mesmo estando tão perto e se antes eu tinha alguma dúvida sobre os meus sentimentos, agora eu tenho certeza deles. Eu te amo, Isabella Swan. Eu te amo mais do que qualquer coisa e eu não quero e nem posso deixar você ir. Eu quero enfrentar todos os meus medos pra ser um homem digno da mulher maravilhosa que você é, e eu não vejo como começar a enfrentá-los sem um primeiro passo, e o meu primeiro passo é esse: Quer ser minha namorada?
Senti as lágrimas, agora de felicidade, descendo por minhas bochechas enquanto eu processava mentalmente todas as palavras que ele me disse. Olhei em seus olhos repletos de expectativa e sorri, como há tempos não sorria, plenamente feliz.
– Sim. Eu quero ser a sua namorada.
E sem me importar com a presença de Jake ali, corri até Edward e pulei em seu colo, enroscando as pernas ao redor de seu corpo enquanto ele me segurava firme. Tomei seus lábios com os meus em um beijo urgente e apaixonado.
– Eu te amo. – Sussurrei em seus lábios.
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