À flor da pele

78 Sweet Dreams - Are Made Of This


Notas iniciais
https://www.youtube.com/watch?v=qeMFqkcPYcg https://www.youtube.com/watch?v=BHRyMcH6WMM Boa leitura ;)

Who am I to disagree? (Quem sou eu para discordar?)

Era verão de 1984 quando meu pai me levou para pescar pela primeira vez. Eu tinha acabado de completar 14 anos e estava descobrindo que garotas não eram tão nojentas quanto pareciam. No entanto, elas me achavam repulsivo.

Meus dentes eram tortos, minha altura elevada para minha idade e meu corpo magro não me faziam o mais atraente dos garotos. Mas naquele dia nada disso importou. Eu acho que foi, literalmente, a minha passagem para a vida adulta.

Minha mãe sempre foi rígida. Ela cobrava nos estudos, meu quarto limpo e que eu estivesse em casa no horário certo. Meu pai também tinha sua postura severa. O bairro não era um dos melhores, os traficantes estavam sempre se esgueirando e recrutando garotos para fazer o trabalho sujo. Então, eu entendia a necessidade deles de me manterem na linha e das rédeas curtas. E nas vezes em que acontecia de cometer algum erro, o castigo era bem severo, com resquícios de crueldade, mas servia ao propósito educativo.

Depois de certos castigos, eu ficava com raiva, desejava que algo ruim acontecesse a eles, mas não naquele dia. Não ao meu pai, pelo menos. Finalmente entendi que um dos propósitos de um homem era educar.

A grande coisa daquele dia não foi a pesca. Foi divertido, mas não foi tudo isso. Nós basicamente ficamos sentados a manhã toda em silêncio, para não espantar os peixes. O ponto alto do dia foi quando voltamos para casa.

O dia estava calmo, os peixes não estavam mordendo as iscas e então voltamos muito antes para casa, meu pai disse que poderíamos ir ao parque jogar bola e aproveitar a tarde ensolarada. Eu estava animado, esses momentos sempre foram muito divertidos.

Meu pai não estacionou na garagem quando chegamos, apenas parou na frente de casa e descemos para guardar o equipamento de pesca e chamar a mamãe. Entramos em silêncio e fui para meu quarto pegar minha bola, isso foi quando ouvi os barulhos. Vinha do quarto dos meus pais.

Me aproximei da porta entreaberta e então vi minha mãe nua com o pai do Curtis Simons, o garoto popular da escola e também praticante de bullying, em cima dela.

Percebi que meu pai estava logo atrás de mim e olhei assustado para ele. Ele fez um gesto para que eu ficasse em silêncio e se afastou. E eu esperei, assistindo a minha mãe, perder todo o meu respeito.

Quando meu pai voltou, ele me entregou nosso pequeno rádio e se inclinou perto de meu ouvido.

— Quando eu entrar, você liga.— Sussurrou para mim.

Concordei, obedientemente, e me afastei da porta, abaixando perto da tomada. Então assisti meu pai entrar e fiz como ele me mandou, no exato momento em que ouvi minha mãe gritar. O rádio ganhou vida e uma balada dançante começou a tocar. Estava no volume máximo e abafou qualquer outro barulho.

Eu não deveria olhar. Mas eu me vi curioso demais e meus pés foram, um passo de cada vez em direção a porta, que continuava aberta. Dei os dois passos que me separavam da cena e então fui apresentado a um pai que nunca imaginei. A um homem desprovido de qualquer emoção. Alguns diriam um monstro, eu diria meu herói.

Diante de mim, coberto de sangue, ele usava uma faca, que nem mesmo vi que levava para o quarto, no, agora, falecido pai do Curtis. O homem era irreconhecível. Tinha marcas por todos os lados e sangue escorria de cada uma delas. Mas, a fatal, aparentemente, foi o corte do pescoço, que deve tê-lo levado quase instantaneamente.

Essa, eu queria ter visto.

Minha mãe chorava e tremia no canto no quarto. Imaginei que ela teria o mesmo destino, até mesmo torci para isso. Mas, meu pai foi misericordioso. Ele deixou a faca enterrada no corpo sangrento e se aproximou da minha mãe.

A música acabou e começou outra, uma que minha mãe adorava. Sweet Dreams. Eu podia vê-la valsando pela cozinha enquanto varria e cantava.

Aposto que os sonhos não eram tão doces agora.

Meu pai olhou para trás, para mim, e esperei que ele me mandasse sair.

— Pega meu cinto.

Ele já estava de cinto. Mas eu entendi qual ele queria. O mesmo que usava para me castigar quando eu exagerava, o com a fivela de ferro grosso que marcava.

Entrei no quarto e caminhei pela poça de sangue, que sujou meus tênis. Encontrei o cinto em sua gaveta e entreguei a ele.

Naquele tempo eu já deveria suspeitar que não era como os outros.

Nada naquela cena me incomodou. O sangue, o odor, ou o choro da minha mãe. E com certeza o cadáver no quarto não me fez nada, me deixava apenas curioso.

Quando meu pai começou a castigar a minha mãe, tudo que eu fiz foi assistir. Não houve nada em mim que quisesse ajudá-la. Pelo contrário, eu sabia que ela merecia.

Some of them want to abuse you (Alguns deles querem abusar de você)

Theodor

Dirijo-me para a empresa do meu pai depois de Amy me acordar com um telefonema.

A mesma empresa que fiquei dias sem pisar. A verdade é que eu não me importo. Não me importava antes quando assumi, e não me importo agora.

Especialmente agora que tenho Diana para me preocupar.

Lembro-me de seu sorriso no jantar de natal. Ela estava radiante.

Claro que, foi preciso John e eu termos uma conversa com Eleonor antes de Diana descer.

Ainda não sei se John tem ideia dos maus tratos que a filha sofreu, não é um tema que você simplesmente puxa. Mas quando ele lhe contou sobre alguém espreitando Diana, eu acho que pude ver, bem de longe, algo parecido com uma mãe começar a vir a superfície, porém, ela conseguiu manter sob controle.

Não consigo entender como Diana conseguiu ser como é sendo criada por aquela mulher. Minha namorada é um raio de Sol em meio a escuridão. Já Eleonor, é a bruxa má dos contos de fadas.

A deixei dormindo quando recebi a ligação de Amy. Não queria, mas como a família dela e Tyler ficaram em casa, me sinto um pouco seguro por deixá-la por um tempo.

John e eu decidimos não adiar mais a noticia do perseguidor. Nós vamos contar a ela na primeira oportunidade do dia. Fico menos apreensivo por saber que não farei isso sozinho.

Quando chego a empresa do meu pai, o lugar está praticamente vazio. Ligo para minha amiga e ela me pede para ir para a sala de vigilância. Subo para lá, curioso com o que ela pode ter encontrado.

Bato na porta e um dos seguranças abre e me cumprimenta. A sala, com várias TVs está praticamente vazia por causa do feriado, exceto por uma Amy mexendo no celular.

— O que foi? — Pergunto impaciente.

— Eu acho que... Temos algo.

Ela me estende o celular e uma gravação do lado de fora mostra um cara de blusa de capuz subir em uma moto. Infelizmente não dá para ver a placa.

— É o cara que me bateu?

— Eu acho que é. E tenho quase certeza que é a mesma moto da noite do ataque na casa da Diana e do cara espreitando no domingo.

Levo um minuto para entender o que ela está me dizendo.

— Filho da puta!

Ela suspeitava que poderia ter sido o mesmo, mas não tínhamos certeza e trabalhávamos com a hipótese da polícia, que foi um assalto. Mas ouvir uma porra dessas, que esse filho da puta teve a audácia de atacar ela... E a mim. Ele é um perigo!

— Não é tudo. O Mark aqui, estava revendo para mim as filmagens do dia do seu ataque. — O segurança que abriu a porta acena levemente. — Ele me ligou hoje de manhã porque finalmente achou alguma coisa.

Ela se vira para um computador e começa a minimizar vários vídeos, até chegar em um em especial.

— Nós estávamos procurando alguém com as roupas do ataque, mas não tivemos sorte, então, começamos a procurar por pessoas que entraram e deixaram o prédio. E Mark chegou a esse aqui, que entrou e não saiu.

Ela dá o player e vejo um homem manco entrar no prédio, ele anda de cabeça baixa, não dá para ver seu rosto, mas ele tem uma mochila. Ele para no café do prédio. Então Amy passa para outro vídeo, de dentro do café. O homem vai ao banheiro, e nunca sai. Mas alguém com as roupas do cara que me atacou sim, e sempre de rosto baixo. Esse não manca, mas tem a mesma mochila e aposto que o taco que usou está lá dentro.

— Eu preciso ver o rosto dele.

— Não tenho nada ainda. Vou tentar os comércios em volta com câmeras.

Passo a mão pelo cabelo. Estou nervoso, abalado. Preciso falar com Diana.

— Vá para ela Theo, eu só pedi que viesse porque tinha pressa que visse isso. Assim que conseguir uma imagem limpa, entro em contato.

Concordo e então me afasto.

Estou ansioso, louco para matar esse filho da puta.

Saio do prédio irritado, fervendo de indignação. Quando chego em casa, tiro meu capacete e o largo sobre a moto, então vou para Diana. Pronto para acabar com isso. Contar tudo a ela e levá-la até a polícia. Precisamos desse cara atrás das grades, antes que ele cause algum dano irreversível.

Vou direto para meu quarto e quando entro me deparo com ele vazio. Cama arrumada, janela aberta. Sem vestígios da minha mulher.

Desço apressado para a sala de jantar, onde deve estar sendo servido o café, mas está vazia. Então vou até a cozinha e encontro meu mordomo recém-contratado.

— Bom dia, Sr. Blake. Gostaria de tomar seu café agora?

— Onde está Diana? — Ignoro a educação, só me importa encontrar Diana. Que provavelmente deve estar em algum dos quartos de hóspedes com a irmã ou Tyler.

— A Srta. Weber saiu meia hora atrás e pediu para lhe entregar uma nota.

Meu coração começa a bater tão rápido, tão forte, que sinto as batidas nas pontas dos meus dedos.

— Ela saiu sozinha?

— Sim Sr. Eu ofereci o carro, mas ela insistiu em chamar um táxi.

Qualquer outro funcionário saberia que não a quero andando sozinha. Não o novo. E com o pessoal reduzido por causa do feriado, não tinha ninguém realmente de olho. Grande pretensão da minha parte achar que ter família aqui a manteria em casa segura.

Tiro o celular do bolso e começo a discar para ela enquanto leio a sua nota.

“Acordei e você tinha saído... Então Dony, meu chefe, me ligou e vou ter que passar no meu trabalho. Mas, antes vou aproveitar e pegar o presente de natal dele e de sua esposa em casa, então posso demorar um pouco. Volto antes do almoço.

Te amo.

Dia”

— Acorde o Sr. Weber e avise que Diana saiu e fui buscá-la. Quando eu voltar precisamos conversar.

— Sim, senhor.

Saio da cozinha com o celular no ouvido.

— Ei bonitão. — Diana atende no terceiro toque.

— Amor... — O alivio que sinto escorrega pela minha voz. — Onde você está?

— Saindo do trabalho.

Meia hora o mordomo disse? Minha bunda! Ela saiu a mais tempo, ou ganhou super velocidade!

— O que é que não podia esperar?

— Na verdade podia.— Ela está sorrindo, posso dizer. — Dony ligou para desejar feliz Natal, ele disse que tinha algo para mim e que iria passar em casa para deixar de tarde, mas como eu não estava em casa, e tinha algo para ele também, e você não estava na cama... E todo mundo dormindo...

— Você está me dizendo que estava entediada?

— É, acho que é isso que eu quero dizer. E você não deu meu presente de Natal ainda! Então, eu estava sim, entediada e ansiosa.

Não, eu não dei mesmo. É muito especial e ela não vai ganhar até que a situação com esse perseguidor esteja sob controle.

— Em breve.

— Em breve no próximo Natal?

Rio com sua indignação.

O presente dela foi muito agradável. Uma lingerie, que ela usou para mim depois do jantar. Claro que, não foi tão legal, já que ela se sentiu envergonhada por ter o pai sob o mesmo teto e não me deixou fazer muita coisa.

— Estou indo te buscar. — Informo.

— Bem, me encontra em casa então, eu já estou vendo um táxi, assim posso pegar algumas roupas mais quentes para o almoço.

— Certo, tenha cuidado. Amo você.

— Amo você, mais. Até.

— Tchau.

Desligo o celular com um aperto no coração. Odeio não tê-la sob meus cuidados.

Pego a chave do BMW e vou para casa da Diana. O caminho não é demorado. Ainda mais com a minha pressa. Deixo o carro na frente da casa dela e uso as minhas chaves para entrar.

Ela ainda não chegou, mas deve a qualquer momento.

Então, subo para o quarto e tiro a minha jaqueta e abro o guarda-roupa, tirando um casaco meu.

Já estou melhor, mas não falamos sobre me mudar para minha casa ou meu apartamento, que já está pronto também. A verdade é que me sinto mais em casa aqui do que em qualquer outro lugar. Ou talvez não seja o lugar, mas a companhia.

Quando estou saindo do quarto, encontro a caixa de presente que Peter deu a Diana no dia anterior. Ela disse que era um brinco, mas eu não o vi. Me aproximo e pego a caixa. Será que ela sentiria falta se eu jogasse fora?

Tiro a tampa e fico paralisado com o que vejo.

— Seu grande filho da puta...

São brincos delicados, cada um com três estrelas pequenas, azuis, que lembram muito bem as tatuagens que Diana tem em sua pélvis. Como um cara que nunca a viu nua poderia saber da porra das estrelas? Ah não ser que ele viu enquanto ela não estava vendo, ou acordada.

Deixo a caixa cair e desço apressado. Ligo para Diana de novo, dessa vez cai na caixa postal.

— Não... Não... Atende!

Nada.

Então ligo para Amy e rezo para que Diana só esteja em algum lugar com sinal ruim.

Everybody's looking for something

(Todo mundo está procurando alguma coisa)

Meu pai foi um grande homem. Ele viveu corretamente, cuidando e educando sua família. Sua morte foi honrada, porém cedo demais. Ele reagiu ao que não deveria. Pelo menos é como eu me lembro. Para as pessoas, ele foi embora. Foi muita pressão quando a esposa o deixou.

Essa parte, pelo meno, foi fato.

Porém, guardo boas lembranças dele. Como em 1986, eu tinha acabado de completar 16 anos, ele me levou para caçar e me deu minha primeira espingarda. Eu adorava a experiência de acertar o alvo, mas a minha fascinação sempre foi com as facas.

Então, naquele ano, depois de passar horas espreitando, seguindo e encurralando minha presa, quando derrubei o cervo com a minha arma, e depois o abri com minha faca de caça... A sensação foi incomparável. Sentir o sangue quente ir se esfriando lentamente em meus dedos e os órgãos perderem seus pulsares, até não ter vida nenhuma mais... Foi emocionante. Eu me deleitei com cada segundo de aflição que proporcionei.

No entanto, às vezes não posso decidir se gosto mais de caçar ou abater a caça.

Há algo poderoso sobre ser paciente e espreitar sem ser notado.

De tocar sem ser sentido... É viciante.

Diana

Tem dias que a gente não deveria sair da cama. Nosso corpo acorda todo em alerta máximo e nós simplesmente confundimos com ansiedade, mal estar, ou qualquer coisa. Menos premonição.

Theodor não estar na cama me irritou um pouco, eu dormi mal, apesar do bom momento que tivemos durante o jantar, e quando consegui cochilar, ele saiu.

Então desci e o único acordado era o mordomo. Depois disso Dony ligou e vi uma oportunidade de sair e me distrair.

Meu salto ter prendido na escada deveria ter sido outro sinal. Ter esquecido meu relógio, que não gosto de sair sem, mais um, e derrubar minha bolsa no portão de casa, com certeza era o sinal dos sinais. Mas a coisa é, só reconhecemos quando é tarde demais.

Eu peguei o presente do Dony e da esposa dele e levei para o trabalho. Fiquei feliz em revê-lo. Mas em todo o momento, desde que deixei a casa de Theodor, me senti como se estivesse sendo observada. Isso me gelou até os ossos. Nem mesmo o champanhe, a torta da Sra. Shepard e a camiseta com a foto do Dony conseguiram me relaxar.

Então, quando eu saí do prédio, atrás de um táxi e meu celular tocou, eu me senti feliz e segura de novo, só por ouvir a voz de Theodor. Então eu relaxei, andei meio sem rumo enquanto batia papo com ele.

Agora, depois de desligar, me vejo quase de frente para o Junior, o filho chato do Dony, discutindo com homem mais velho. Hoen. O nosso cliente mais odiado. Dou as costas o mais rápido que posso e praticamente corro em direção oposta ao que o táxi está. É nesse momento que o dia fica pior. Diante mim está o meu ex, Derek.

E um ex muito irritado devo dizer. O seu cabelo loiro falso, está bem bagunçado, e ele tem um olho roxo e inchado e o lábio rachado.

— Sua puta! — Ele pega meu braço com força, me assustando e grito. — Olha o que você me fez.

— Socorro!

Tento me soltar, mas ele é mais forte.

— So...So...Sol...Solta! — Escuto e então sinto uma mão trêmula segurar meu braço e forçar Derek a me largar.

Ele me solta, mas ataca meu salvador.

— Co...C...rre.

Olho para Junior no chão, segurando a perna de um Derek zangado. Em pensar que Terry e eu rimos de sua gagueira.

— Filha, aqui... — Escuto não muito longe.

Começo a correr, abandono a bolsa, que caiu durante o ataque e se vê presa embaixo do Junior agora, e vou até o Sr. Hoen que acena de perto de um carro.

— Ele precisa de ajuda! — Digo ao Senhor. Tento me manter no controle, não voltar ao que eu era antes de Theodor. Mas eu tremo tanto, minhas emoções são uma bagunça, me sinto suja, confusa e assustada.

— Chamei a polícia, entra no carro, menina! Se ele vier aqui, vou sair.

Eu faço como o Senhor assustado me recomenda, e ele faz o mesmo. Ficamos assistindo como Derek se volta para Junior no chão e ameaça lhe dar um soco, mas, inesperadamente, o ruivo segura a mão dele e o puxa para baixo, o dominando de um jeito que ninguém diria que ele poderia fazer.

— Aqui, querida... Você está tremendo tanto.

Senhor Hoen me entende uma garrafa de água. Eu abro e tomo. Depois de dois goles me dou conta de que estava aberta e ele deve ter colocado a boca e deve estar suja. Mas tudo bem, eu posso lidar com isso.

— Só mais um pouco. — Ele empurra a garrafa de volta, quando tento devolver. — Foi um choque. Tome isso e se acalme e eu vou até lá ver se posso ajudar.

Olho para Junior, que parece ter tudo sob controle e agora tem outras pessoas chegando e formando um circulo a sua volta. Ou talvez não sejam tantas pessoas assim. Acho que é uma ou duas. Não sei. Minha visão está embaçada. Me sinto tonta, cansada.

— Calma querida. — Ele pega a garrafa da minha mão. — Agora nós vamos para casa. — Eu não entendo o que ele está dizendo e tão pouco porque a voz dele, geralmente rouca e mansa de repente se tornou mais grave e suas costas curvadas ficaram tão eretas.

Eu não entendo.

Só tenho sono.

Estou tão cansada e não consigo lutar contra mais.

Então eu deixo o sono me embalar.

Some of them want to use you (Alguns deles querem te usar)

Some of them want to get used by you (Alguns deles querem ser usados por você)

Sweet Dreams...

Notas finais
( 。◕‿‿◕。) <,︻╦╤─ ----҉....Diana Bj bjs ;)