À flor da pele

26 Pane no sistema


Notas iniciais
Oi oi, só digo uma coisa, leiam as notas finais que estão interessante hoje... ;) E ó, queria agradecer a Gdragon que recomendou a fic o/ Obrigada, linda!! E a indicação do dia vem aqui, no inicio, hoje. É nada mais, nada menos, que minha outra menina dos olhos, Monster Hunter: http://fanfiction.com.br/historia/424837/Monster_Hunter Para quem acompanha, eu logo volto a atualizar ela, estou adiantando os capítulos e os juntando para ter material por um bom tempo e não ficar tantas semanas sem postar u.u E Sweet Rainbow, aguardando o registro chegar para postar os 12 capítulos finais, porque né, nunca se sabe as pessoas más intencionadas que acompanham nossas histórias u.u E para quem tem interesse em registrar suas histórias e não sabe como, fica aqui o caminho: http://www.karensoarele.com.br/2011/06/como-registrar-seu-livro-na-fundacao-biblioteca-nacional-guia-passo-a-passo/ Boa leitura!

Diana

Não volto para casa. Preciso de um tempo para colocar a minha mente em ordem. Eu fiz algo egoísta hoje e sinto o peso disso em meus ombros. Ele me empurra para baixo, me tira qualquer pensamento positivo que tive ao longo do dia. Sem contar que eu consegui me machucar feio dessa vez. Meus arranhões foram mais fundos, mais prejudiciais.

Eu esperei o elevador descer, pareceu levar uma eternidade. Foi tempo o bastante para minhas unhas cravarem em minha pele. Causando dor e arrancando sangue. Nada tão escandaloso como uma cachoeira de sangue, mas o bastante para deixar uma gota cair na ponta do meu salto.

Eu não limpei, na verdade, tenho olhando para a marca até agora. Esbarrei em duas pessoas no processo, por causa disso. Um deles, um senhor, foi educado o bastante para fingir que a culpa foi dele e pedir desculpas. Já a segunda pessoa, uma garota, me mandou ir à merda e me chamou de cega.

Acho que ela está certa. Eu sou cega, em muitos sentidos. Eu tenho me feito assim, propositadamente, por um longo tempo.

A gota de sangue em meu salto parece criar vida, é como se uma mão saísse dela e me apontasse um dedo acusatório.

Cubro a mão com o machucado pior, o que sangra, e continuo andando. Levanto a cabeça para me localizar. Estou longe de casa, longe do trabalho e longe de mim mesma. É como se minha cabeça finalmente tivesse dado pane e nada fizesse realmente sentido. O que é ruim e também ótimo.

Eu sei que minha mão dói, mas não a sinto, acho que esqueci, momentaneamente, o que é dor. E como senti-la. Eu sei que estou suja e essa caminhada me deixa suada, mas eu não ligo. Não realmente. Não como deveria.

Culpa. Esse é meu problema. Ela me consome, tirando a sanidade, tirando tudo que realmente importa. Mas se não fosse a culpa, seria o medo. Eu tive que fazer uma escolha e, de certa forma, optei pelo mais fácil.

Mas não parece mais ser o mais fácil. Parece... Eu não tenho certeza. Me sinto anestesiada quanto a tudo que não seja a culpa.

Olho a minha volta, à procura de uma farmácia. Preciso esconder esse ferimento. Encontro uma no lado oposto da rua que estou. Então eu vou até ela.

Uma buzina, seguida de uma freada brusca, me assusta e deixo minha bolsa cair. Bem no meio da rua. O motorista do carro parado a minha frente abre a janela e solta palavrões. Muitos deles. Mas não sei dizer o que realmente significam. Recolho minhas coisas do chão e acabo de atravessar, indo direto para a farmácia. Assim que entro, percebo uma fila. Fico nela e quando chega minha vez, coloco meu melhor sorriso e deixo a mentira fluir. Estou acostumada a contá-las, não é grande coisa.

– Oi! — Digo ao atendente. Ele é novinho, não deve ter problema em acreditar. Até mesmo porque não estou com espirito para mentir. — Veja – Mostro minha mão ferida – Estava tentando acariciar um gato de rua e não fui feliz! — Sorrio.

– Nossa moça! Tem que ir ao médico... — Ele ergue o balcão. — Vem cá limpar e fazer um curativo. Mas vá ao médico depois!

– Sim, eu sei, só preciso que isso pare de sangrar para não sujar minha roupa. — Aponto para minha calça e blusinha branca.

Ele sorri e me mostra o caminho até o fundo, onde pega algodão e gaze. Ao limpar, percebo que não foi tão feio, e ele também.

– Está bom agora... — Ele diz ao estudar o curativo. — Mas vá ao médico, é sério! Animais de rua podem ter raiva ou qualquer outra coisa prejudicial a nossa saúde.

– Claro, eu irei. Você tem razão.

Sinto minhas mãos suarem e as seco na calça. O rapaz é tão gentil que a culpa ganha mais peso. É atordoante como ela tem poder sobre mim.

Saímos da sala e pego algumas coisas na farmácia, incluindo mais daqueles adesivos que Theo me deu. Depois de acertar tudo, deixo o lugar e volto para a rua. Já é quase seis da tarde, as lojas logo fecharão. E eu não estou muito animada para lidar com Terry. É capaz do meu humor estragar a noite dela também.

Decido fazer alguma coisa. Talvez uma compra, tentar me distrair. Compras sempre foram o melhor remédio para qualquer mulher! Só que eu não sei o que comprar e a noite cai rapidamente, os lojistas começam a juntar as coisas e me sinto pressionada, e estou cansada de me sentir assim.

Então começo a pensar no dia de amanhã, em minha programação. Eu nem mesmo pensei em um presente para Theo. Não faço ideia do que lhe dar. E nem sei se devo ir. Tyler estará lá e certamente muito irritado. Acho que estragar uma festa de Theo é o bastante.

Mas, indo ou não, eu deveria lhe dar um presente. Até mesmo porque me sinto obrigada depois que ele me deu o cordão para a chave.

Fico imaginando o que ele gostaria de ganhar de presente. Certamente que um beijo ele não terá de novo. Aquilo não foi certo. Embora tenha parecido totalmente. Nós não temos nada além de um começo de amizade. Não quero estragar isso. Até mesmo porquê, se as coisas ocorrerem como imagino, eu irei precisar de um amigo muito em breve.

Talvez eu deva desistir e ir embora. Comprar um presente para Theodor parece ser uma tarefa impossível. O que dar de presente para alguém que já tem tudo? E se não tem, poderia facilmente ter... E meu humor está péssimo. Mas então eu passo pela vitrine de uma livraria. O atendente já fechou umas das três portas de ferro, mas ali, bem diante de mim, está o presente perfeito. Bem, talvez não tão perfeito, mas com um significado e que certamente fará Theodor sorrir.

Entro apressada na livraria, atrás do meu presente ideal.

***

Quando o táxi para na frente de casa, já é noite.

Eu tive que pegar um táxi depois de um tempo. Descobri que sou uma negação para direção e me vi perdida assim que deixei a livraria. Sem contar que fazer caminhada de salto não é nada saudável.

Eu me sinto tão cansada. Minha bolsa e a sacola da livraria parecem pesar uma tonelada, mas isso é, provavelmente, pelo meu emocional detonado. As minhas crises sempre influenciaram diretamente no meu estado físico. O estresse de hoje não deve ser diferente.

O portão está sem o cadeado e a porta da frente destrancada.

Terry deve ter cansado de me esperar e ido para cama. Mas então escuto risadas vindas da cozinha e não é só Terry.

Fecho a porta e aponto para a o cômodo de onde o som vem. Me surpreendo por encontrar minha amiga com um pijama preto e um roupão aberto por cima, sentada à mesa e de frente para Theodor, que usa um terno azul marinho, camisa branca e gravata vermelha. Ela tem um prato em sua frente e ele também. Pratos vazios. Taças vazias. Sorrisos nos lábios. Ambos totalmente relaxados.

Estão se divertindo.

Isso não deveria me incomodar, mas incomoda. De uma forma muito ruim. Eu estou muito familiarizada ao sentimento de ciúmes. Eu o venho sentindo por muitas vezes em todos os meus anos de vida. Se bem que, um pouco de decepção também ganha espaço nesse momento. E é ridículo tais sentimentos. Eu não quero nada com Theo... Mas... Não sei, acho que me sinto um pouco traída. Mas, é provavelmente apenas reflexo do dia turbulento. Minha mente tentar achar caminhos para desviar da culpa.

Terry levanta seus olhos e me encontra. Ela me oferece um sorriso, está feliz. Então Theo acompanha seu olhar. Ele não sorri para mim. Esse não parece nada feliz. Pelo menos não em me ver.

– Oi. Boa-noite, Theo! — Digo e ele responde com um aceno. O que me irrita, cadê sua educação? Hello! Essa é minha casa!

– Venha comer. — Terry fica em pé e vem em minha direção. — Eu estava preocupada já. Você... — Ela para de falar. Seus olhos ficam grandes, assustados e ela se aproxima rápido, me fazendo recuar dois passos.

– O que aconteceu? Você está bem? — Minha amiga para a minha frente, querendo me tocar, fazendo menção algumas vezes, mas recuando em todas elas.

– Sim. — Olho para baixo por um momento. Estou normal... Merda!

Minha calça branca tem uma mancha de sangue do lado. Provavelmente quando fui secar as mãos do suor. E em minha camisa algumas gotas. Agora está explicado porque o atendente da livraria ficou me secando, e não era pela beleza...

– Eu só me cortei, nada sério, estou bem. — Me afasto alguns passos quando Theo vem para o lado dela. Ele repete a expressão da minha amiga ao me ver. Mas não diz nada. — Sinto muito por... — Olho apenas para Terry. Não posso olhar para ele agora. — Desculpe atrapalhar. Vou subir, estou cansada. Boa-noite!

– Você tem que comer... — Terry diz. Ela parece perturbada ao me olhar. Não estou assim tão destruída, certo?

Sinto uma vontade tremenda de largar tudo ali e correr para frente de um espelho.

– Eu já comi. — Minto. Eu não poderia engolir nada agora, nem se quisesse. Me sinto enjoada e tonta. Só quero me limpar e dormir. — Boa-noite! — Digo e me viro. Me afasto e subo as escadas.

Me sinto esgotada. E se eu não tivesse visto o sangue em minha roupa, provavelmente, pensaria seriamente em dormir do jeito que estou! Ok, eu nunca faria isso. Mesmo no meu pior momento, eu não poderia me deitar tão cheia de germes.

Largo a bolsa e o presente do Theo no chão e encosto a porta. Vou ao banheiro e me assusto com o que vejo no espelho. Meus olhos estão borrados da maquiagem. Meu cabelo bagunçado e estou pálida. Ainda mais que no meu estado natural. Não é à toa que eles me olharam daquela forma.

Tiro meu sapato e roupa e largo tudo no chão. Volto para o quarto depois de lavar as mãos e pego um pijama, camiseta e shorts vermelhos. Então vou para o banho, primeiro tirando o curativo e constatando que o sangramento parou.

Começo meu banho tranquilamente, mas, com o tempo, minhas pernas vão ficando pesadas, meus olhos ardendo, é a culpa voltando com tudo. Me deixo escorregar para o chão e fico ali, sentada, com a cabeça apoiada nos joelhos, chorando como uma criança, e as lágrimas vem fáceis, como se eu nunca tivesse tido problema em fazê-las cair.

Eu fico ali por algum tempo, não sei quanto exatamente. Estou exausta até para levantar, mas me obrigo. Preciso me deitar.

Com muito pesar saio do boxe e me seco. Visto o pijama vermelho e vou direto para a cama, nem seco o cabelo, ou pego minha água. Só preciso dormir. Talvez pela manhã eu descubra que tudo não passou de um pesadelo.

***

Acordo com meus cabelos sendo afagados. Tyler aposto que não é, se fosse ele, era mais provável que estivesse cortando minha cabeça.

Abro meus olhos com dificuldade. Eles estão pesados. O abajur está acesso.

É um sonho. Por qual outro motivo Theodor Blake estaria sentado na beira da minha cama, acariciando meus cabelos, se não fosse?

Mas ele estava em casa. Com o mesmo terno que usa agora. E a mesma cara zangada de agora.

– Theo? — Bocejo, mas só isso. Não me movo. Está bom os afagos...

– Serei direto, ok? — Ele diz, o tom duro em sua voz me assusta. Não tenho certeza se é sonho ou não, mas concordo. — Quero o nome do cara que fez isso.

Que fez isso? Sério? Estou tão mal assim?

– Um cara? — Sorrio, meio sonolenta, tentando manter meus olhos abertos.

– O seu ex, assim espero. Vocês tiveram uma briga? Ele te atacou?

Finalmente afasto a mão dele e sinto a minha palma ferida doer. Faço menção de me sentar, mas ele me empurra, gentilmente, pelos ombros, me mantendo deitada.

– Não levante, por favor. Eu só preciso saber, Diana. Não posso ficar sentado enquanto alguém fere uma mulher.

Diana... Nada de Dia para mim hoje, hein?

– Eu não estou vendo ninguém, Theo. — Trato de deixar isso claro. — Eu me cortei e só. De onde você tirou essa ideia? — Até consigo sorrir, apesar do sono e do meu espirito estraçalhado.

Ele me estuda. Os olhos agora estão negros pela pouca iluminação. Outro homem.

– Terry acha que está se encontrando com alguém em segredo. — Ele diz simplesmente, sua mão descansa sobre minha bochecha, acariciando lentamente e então descendo para meu pescoço e o seu toque é tão reconfortante, que sinto meus olhos se encherem de lágrimas. Eu quero um abraço, isso é estupido?

Começo a negar, mas paro. Theo fecha seus olhos por um momento. Ele está com raiva. Está com raiva de mim.

– Theo... — Levanto meus dedos, sentindo minha mão arder, e toco sua bochecha, ele está deixando a barba crescer. Será que leu minha mente de novo? É boa a sensação de seus pelos curtos espetando a ponta dos meus dedos. E sua pele quente...

Ele abre os olhos.

– Não minta para mim, Diana!

– Não estou! — Ergo a voz, agora estou ficando irritada, Que diabos fez Terry pensar que eu estou saindo com alguém? E pior, dividir isso!

Afasto minha mão do rosto dele, ficando quieta em meu lugar, só observando sua face cheia de desgosto.

Como sempre, só uma coisa ruim não pode acontecer. Elas têm de vir em montes, de uma única vez. Se não fosse assim, essa não seria minha vida.

Mas, esse é um tema estúpido e o último que eu deveria ter de me preocupar agora. Eu nem mesmo quero algo com Theo. Só amizade, é tudo que eu desejo dele. Mas essa raiva e ciúmes, evidentemente estampados em seu rosto, nos leva para outro caminho. Um que eu prefiro evitar. Não posso lidar com mais coisas agora. Ainda mais com Eleonor prestes a aparecer. Eu só preciso me concentrar em juntar todos os meus cacos e estar apresentável para sua visita.

Os olhos dele deixam os meus e se focam no travesseiro vazio ao meu lado. Ou melhor, na minha mão machucada, agora sobre ele.

– Você fez isso. — Ele afirma, segura minha mão e ergue, a estudando. Me sinto nua.– Eu tenho deixado isso pra lá, mas já está na hora de conversamos...

Sinto meu corpo estremecer. É agora que ele descobre que eu sou maluca?

Não, eu não sou, droga! Ou sou? Tyler tem razão?

Oh deus, isso é demais.

O primeiro soluço vem para causar espanto. Assusta a mim e ao Theo, que não se move por um momento. Ele me encara, um pouco assustado até. Acho que não está acostumado com mulheres histéricas.

Me deixo afundar na cama e levo as minhas mãos ao rosto, na tentativa de esconder. Eu posso dizer agora que não quero mais ver Theodor Blake em minha vida. Eu não sei como poderei olhar para esse homem de novo.

Sinto o colchão se mover. Ele provavelmente está fugindo, mas então mãos firmes apertam meus pulsos, os puxando para longe do meu rosto e movendo meu corpo. Não reclamo, apenas faço o que ele quer. Me sento na cama, com a cabeça em seu peito, e sou recebida em um abraço forte. Exatamente o que eu precisava.

Deixo minhas frustrações e medos saírem em forma de lágrimas. E elas saem em uma enxurrada. Barulhentas e desesperadas. E tenho certeza que a camisa dele ficará ensopada e que ele pode começar a fugir de mim depois desse episódio.

Theodor não diz nada e agradeço mentalmente por isso. Tudo isso seria perfeito se fosse um pesadelo. O dia todo. Eu acordaria bem feliz. Não pelo pesadelo, mas por não ser real. Mas, quem dera minha vida fosse assim tão simples e fácil...

– Está tudo bem agora...– Sussurra.

Ele me aperta em seus braços e é a melhor sensação que tive nesse dia. Me sinto segura por um momento, como se nada pudesse me atingir. Nem a fúria de Tyler, nem as ordens de Eleonor.

– Trouxe um convite novo. — Ele diz entre meus soluços. — Espero te ver lá.

Sério, ele quer falar disso agora? Será uma forma de me distrair? Uma forma de distrair a si mesmo? A situação toda é terrível, assustadora e emocionalmente exaustiva.

Concordo, porque falar é um pouco difícil.

– Eu também vi a sua fantasia, com a Terry... — Seus lábios se colam a minha testa e sua mão faz lentos, e reconfortantes, círculos em minhas costas. — Devo dizer que ficará perfeita, embora...

Levanto meu rosto, piscando algumas vezes para Theo entrar em foco. Se a intenção era me distrair, ele está conseguindo.

Ele está sorrindo. Ou tentando. Parece seriamente abalado, tentando manter as coisas calmas. Seus lábios voltam a se colar em minha testa e então em minha bochecha. Eu não deveria deixar, isso é perto demais, íntimo demais, e eu não estou pronta para nada tão intenso, como Theodor Blake promete ser. A mão que faz círculos em minhas costas para e ele passa seu dedo sobre minha bochecha, espantando as lágrimas, que teimam em descer novamente.

– Não deveria usar na festa... — Ele continua, me erguendo um pouco, me deixando de frete para ele e trazendo seu rosto para junto do meu, colando sua testa na minha. — Talvez depois dela... Só para mim?

– É tão revelador assim? — Consigo perguntar entre um soluço e outro.

– Você não viu?

Nego, então uso minha mão para secar as novas lágrimas.

– É sexy... Muito. — Seu rosto suaviza um pouco, dando espaço a um sorriso verdadeiro e malicioso. — Todo cara naquele lugar vai te secar. Posso não saber lidar muito bem com isso.

Sinto meu corpo relaxar aos poucos. Não posso imaginar o que Tyler escolheu. Ou melhor, eu posso. Algo bem curto e vulgar.

– Eu quero ver. — Digo a ele.

Não sei do que se trata e nesse momento, tão atolada de tudo, eu prefiro entrar no jogo de Theo e esquecer, só por um instante, de toda essa confusão dentro de mim.

Ok...– Ele diz, mas não se afasta. Fica me segurando em seus braços quentes, me olhando profundamente, como se pudesse me ler por dentro. Desvendar todos os meus segredos, o que espero sinceramente, que não seja possível. Porque ai assim, ele fugiria sem pensar duas vezes. — Você pode falar comigo, sobre qualquer coisa. — Ele diz, finalmente, mas sem quebrar nosso contato visual. — Quando precisar.

Então ele sorri e beija minha bochecha. Me empurra, gentilmente, para seu lado e se levanta.

Assim que ele sai do quarto, eu vou ao banheiro e estudo meu rosto inchado e ainda molhado. O lavo e seco com uma toalha. Pego um pedaço de gaze e coloco sobre o machucado feio em minha mão. Então respiro fundo e tento me convencer de que isso não foi nada. Minha amizade e de Theo não será prejudicada por esse surto. Eu posso dizer amanhã que foi a TPM, que fico sensível e muito emocional nesses dias. Mas aí ele vai pensar que estou menstruada e vai começar com aquele papo “Eca!” dele.

Me vejo sorrindo para meu reflexo. Estou triste, decepcionada comigo mesma, mas ainda consigo sorrir. Também, Theodor é uma companhia tão agradável que é quase impossível não relaxar a seu lado e sentir tranquilidade. Mesmo que momentaneamente.

Saio do banheiro ao ouvir sua voz. Ele está falando com Terry, que veio para o quarto e está sentada na poltrona da penteadeira.

– Amiga, não fica brava – Ela sorri. Pelo jeito vai fingir que está tudo bem também. E quer saber, eu prefiro assim. Eu não posso lidar com “O que aconteceu? Você está bem? Alguém te machucou?” ou qualquer coisa desse tipo. Se eu tiver vontade de contar algo a um deles, eu o farei. Por vontade própria e não por pressão. Então, sou muito grata por isso.

– Você tava demorando e eu estava ansiosa para ver a fantasia... — Ela continua e então morde o lábio. — Abri ela! — Diz, com um risinho nervoso.

– E o que achou? — Sorrio para ela, mais para mostrar que estou bem.

Theo está sentado na minha cama. Ele tirou a parte de cima de seu terno e está de camisa, que tem uma mancha de molhado na altura do peito. Minhas lágrimas.

Ele começa a desembrulhar a fantasia do saco, que está ao seu lado. E devo dizer, a embalagem é bem maior que a peça. Quando ele ergue o vestido branco, mínimo, que mais parece uma camisola de noite de núpcias, me sinto queimar por inteira. Começando pelas bochechas e indo para a ponta dos dedos dos pés. E se eu tivesse deixado para abrir isso só amanhã, antes da festa?

Theo tenta conter o sorriso, mas não tem sorte. Ele ergue com a outra mão um par de asas.

– Um anjo. — Diz em voz alta. — Muito apropriado.

Oh, meu pobre coração. Será que ele diria isso se soubesse do meu atual inferno? Se soubesse da droga que estou fazendo e de como estou jogando fora a minha amizade com Tyler? Eu não posso concordar com ele sabendo disso tudo. Não é apropriado. Apropriado seria o oposto disso.

– Não posso usar isso nem para dormir. — Me aproximo e sento na cama, tocando o tecido erguido e então encontrando os olhos dele.

– Me deixe adivinhar... — Ele baixa o tecido e o deixa sobre a cama. — Tyler?

Concordo e sinto um aperto no peito. Ty vai me odiar...

Olho para Terry, que tem um dedo apoiado no queixo e nos olha. De um para o outro, então estala os dedos, como se algo tivesse surgido em sua mente. A melhor das ideias.

Mas ela não diz nada, apenas alarga o sorriso e pisca para mim.

– O que você vai usar? — Pergunto a ela.

– Não pensei nisso ainda...

– Você quer usar isso? — Pergunto e me arrependo em seguida. Ela arregala os olhos e começa a negar.

– Pelo amor, Diana! Eu não posso sair desse jeito! — Então ela começa a gargalhar. — Nem minhas peças especificas para conseguir sexo são tão reveladoras!

Olho para Theo depois desse comentário. Dessa vez é ele quem olha para nós. Alternando o olhar de uma para a outra, com um sorriso largo e cheio de malícia. Então seus olhos se travam nos meus.

– É melhor eu ir. Acho que as senhoritas tem uma equação difícil para resolver aqui!

Ele se inclina e beija minha bochecha, bem daquele jeitinho que não deveria. Tocando mais meus lábios que minha bochecha, realmente.

– Nos vemos amanhã. — Ele diz, então se vira para Terry. — Me acompanha até a porta?

Ela concorda e isso me incomoda. De novo. O ciúmes me rodeia. Ele estava aqui, comigo em seu colo quase, me tocando tão carinhosamente e dizendo coisas bonitas... Coisas que, apesar de tudo, não o vi fazer com Terry nas vezes que estivemos sobre o mesmo teto juntos. Ela é muito bonita e me apaga, isso é fato, mas Theodor não parece perceber isso.

– Claro!

Ela se levanta e sai do quarto, tendo Theo em seu encalço, mas ele para na porta e me olha.

– Até amanhã?

Concordo. Eu não acho que deveria ir. Mas eu quero. Quero mais dessa sensação de tranquilidade que só ele parece ser capaz de me dar atualmente.

Então ele sai e todos aqueles pensamentos negativos e lágrimas parecem querer voltar com tudo.

Me concentro na fantasia de “anja prostituta” e fico pensando no que posso usar amanhã, porque assim é que não irei.

Maldito, Tyler!

Notas finais
Olha uma curiosidade. Eu sigo um calendário para escrever, então, o aniversário do Theodor Blake é dia 21 de novembro. Logo, Theo é de escorpião u.u Agora vejam o que o signo diz sobre nosso Theo Tesudo: Quando amam, se entregam de corpo e alma. Claro que mais de corpo do que alma. Conquistadores por natureza, sua virilidade é seu maior orgulho. Sendo magnéticos, sensuais e provocantes, atraem as Mulheres com uma certa facilidade. O olhar do Escorpião é tão penetrante que parecem estar despindo a Mulher. Sensíveis (sim... sensíveis) que são, podem ser muito inseguros quando iniciam uma relação, desenvolvendo um ciúme doentio. Conquistar um Escorpião pode ser difícil, mas é ainda mais difícil resistir ao seu assédio. Não são só insistentes e sedutores; conseguem descobrir nossos desejos mais profundos. Não existe ninguém capaz de ceder, nem que seja por alguns momentos, ao seu ataque. Mas há uma maneira de conquistá-los. Tenha segredos e não se mostre interessado. O desconhecido e o indecifrável os fascinam tanto que eles não resistirão a desvendar seus mistérios. Seja fácil e eles usarão e abusarão de você. Conquiste-os e terá um amante para sempre. Depois aguente as conseqüências. Agora você pertence a eles. Dificilmente você fará amizade com um Escorpião. Ele fará amizade com você. Isso pode ser uma sorte grande, mas pode ser uma infelicidade da qual você jamais esquecerá. Seletivos e desconfiados eles escolhem a dedo as pessoas que farão parte de seu grupo de amizades. Com poucos ele se abrirá, mas nunca totalmente. Fiéis e exigentes, eles esperam a mesma atenção e dedicação dada por ele. Sempre prontos a proteger e a favorecer seus amigos, não permite que outros os ataquem. Sensíveis e rancorosos, não suportam desfeitas e traições, e é difícil convencê-los de que você não teve essa intenção. Pense bem antes de fazer amizade com esse pessoal de Escorpião. Como amigos são ótimos, mas, como inimigos, são melhores ainda. E ai, tem a ver com o Theo? Temos escorpiões entre nós? Eu sou canceriana, o signo mais doce e compassivo do zodíaco ;) ...E bipolar .-. Qualé o signo de vocês? Combina ou não com sua personalidade? Bj bjs