À flor da pele

30 Meus extremos


Notas iniciais
Ai galera, dias difíceis u.u Tô sem animo nenhum para escrever, revisar, postar, ler, fazer qualquer coisa. O capítulo ta pronto faz tempo, mas quem disse que eu me animei em postar? =( Eu sou do tipo que a mente e o corpo tem que estar em sintonia para as coisas funcionarem, o que não é o caso agora '-' Mas, espero em breve voltar às postagens frequentes. Sem mais, boa leitura!

Diana

— Aí estão vocês! — A voz animada de Jane me tira do transe, me assustando, e obrigando a recuar a mão debaixo da de Theo.

A freira se lança em seu irmão, sentando-se em seus joelhos e rodeando seu pescoço com os braços, enterrando seu rosto no ombro dele. Theo a abraça de volta, com força. Com carinho.

Acho que ando me sentindo muito só, porque até de Jane sinto um pouco de ciúmes agora. Deve ser porque não tenho muitos amigos, acabo sendo possessiva sobre os poucos que mantenho.

— Mamãe está indo embora! — Ela diz animada pra ele. — E a Martha. E espero que isso faça os outros chatos sumirem também.

Jane parece estar um pouco fora de si. Bêbada. Aliás, não parece, ela está. O cheiro de álcool que sai junto com as palavras não deixa dúvida disso.

— Só não apronte nada, ok? — Ele pede e ela afasta seu rosto para encará-lo. O sorriso travesso é algo muito semelhante ao que vejo Tyler esboçar algumas vezes. Sempre antes de um grande show... Será que ela pegou isso dele, ou ao contrário? Jane é muito sortuda, ela tem Theo e Tyler e ambos a amam, isso é incontestável.

E, sinceramente, quanto mais o tempo passar e mais profundamente ela e meu amigo se envolverem, mais distante de mim ele ficará. E mesmo que Tyler negue, eu acho que devo me preparar para isso. Para esse momento de ruptura, quando a Jane vai tirar tudo de mim.

Sinto inveja dela. Não do seu relacionamento com Tyler. Mas de ter um relacionamento. Ter alguém que te completa. No entanto, eu sei que isso nunca vai acontecer. Eu nunca conseguirei me sentir à vontade com alguém ou deixar que entre... Além dos jardins, como ela.

Eu gosto da companhia de Theo e acho que, de certa forma, ele aprecia a minha. Mas seja o que for que estiver rolando, não tem futuro.

Já estive encantada por caras antes, talvez um pouco menos do que agora, mas no final, o resultado nunca muda. Eles sempre vão querer mais do que posso oferecer.

— O que vocês estão fazendo aqui? — Ela pergunta.

Theo me olha e sorri de canto.

— Só falando sobre o projeto da Diana para meu apartamento.

O olho surpresa. Ele está me obrigando a assumir um compromisso com ele?

Jane se estica e toca minha mão com a sua.

— Isso é incrível, eu adorei o que você fez nas nossas casas.

Nossas?

A garota joga a cabeça para trás e começa a gargalhar. Não sei se é a respeito da minha casa e ela está sendo sarcástica, ou a bebida toma proporções maiores a cada instante...

— Ela está bem...? — Pergunto a Theo, ignorando a Jane risonha em seu colo. Ele me olha, com um sorriso nos lábios, mas a preocupação não passa despercebida em seus olhos.

— Ela vai ficar bem, assim que dormir um pouco.

— Não sejam bobos! — Ela retruca. — Eu posso ouvi-los, sabiam? — E a gargalhada forte e contagiante está de volta. Até eu acabo deixando o riso escapar momentaneamente.

— Eu vou resolver isso. — Theo se vira para mim. — Volto já... Me espera?

Os olhos pidões dele serão minha perdição, tenho certeza disso. Como negar algo quando ele me olha dessa forma?

— Claro.

Ele se levanta, com a irmã no colo. Ela se agarra a ele com mais força, rindo histericamente. Quem diria que eu veria a Jane sombria, já não tanto hoje em dia, sorrindo dessa forma, se divertindo, pirando...

Theo deixa a tenda com ela.

Guardo seu presente na caixa de volta e a tampo, deixando de lado. Coloco minha bolsa de mão e tridente na mesa de apoio, ao lado do sofá, e pego minha taça. Saboreando a bebida levemente adocicada.

A música parece estar mais baixa do que antes, ou é apenas o barulho dos outros convidados que aumentou. Os murmúrios...

É um mundo diferente esse. Agitado. Sexual. Eu não consigo me imaginar nisso, mas posso ver claramente porque Tyler se sente atraído. Isso tudo tem a cara dele. Bagunça, agitação...

Às vezes eu fico voltando atrás das lembranças de coisas que aconteceram em minha vida. Eleonor me disse para esquecer o passado, mas não é tão simples. Tem coisas que acontecem e elas simplesmente nos definem para o resto da vida. Como escapar disso? Acho que nem ela pôde.

Mas o que sempre me intrigou, foi Tyler. Como uma pessoa tão diferente foi conseguir um espaço tão grande em minha vida? Quando foi que o deixei entrar? Eu não tenho certeza sobre isso. Exceto que, talvez, eu esteja fazendo de novo. Deixando outra pessoa, uma tão diferente de mim quanto Tyler, entrar mais uma vez. Só não tenho certeza se isso será algo bom.

A verdade é que, depois de tanto tempo, não sei dizer nem mesmo se ter Tyler na minha vida foi algo positivo. Mas eu acho que, me ter na vida dele não foi...

— Já está a tempo o suficiente para declarar que isso está uma droga? — Levanto os olhos e encontro Tom parado na entrada. Dessa vez ele não tem o chapéu ou a máscara. Ele sorri e eu posso perceber, finalmente, qual a cor real de seus olhos. São verdes. As várias lâmpadas brancas de LED deixam isso claro.

— Acho que não...

— Quero que conheça alguém... – Ele dá um passo para o lado e uma moça alta, de pele negra e cara de poucos amigos, fica ao seu lado. A garota está usando um terno. Não tenho certeza do que é sua fantasia, mas, as peças brancas e a gravata vermelha, caem muito bem nela. A cintura da garota é tão fina que chega a dar uma sensação ruim de olhar. No entanto, o salto dourado dela é de dar inveja. Seu cabelo é longo, liso e cai sobre o ombro direito. — Essa é Theresa, minha irmã.

— Olá... Sou Diana. — A mulher não faz questão de me cumprimentar e isso me deixa petrificada. Eu não gosto que me toquem, não posso esperar que as outras pessoas sejam tão diferentes assim de mim. Afinal, eu sou normal!

Theresa fica parada na entrada da tenda, me observando, estudando, dos pés à cabeça.

— Como vai? — Acho que já a vi em algum lugar antes, mas não tenho certeza. Os seus olhos são castanhos claros, lembram muito a cor âmbar.

Aí está uma mulher incrível, que deixa até mesmo a adorável boneca Amy em desvantagem. Essa é chique. Ela tem um ar glamouroso e intimidante.

— Onde está o Theo? — Ela pergunta.

— Fugindo de você, aposto! — A voz vem do lado de fora da tenda.

Tom se aproxima de mim, se senta no lugar que Theo estava antes e o rapaz de mais cedo entra. Sua roupa de mosqueteiro, ou guarda, ainda não me decidi, balança quando ele para ao lado de Theresa e faz pose, colocando a mão na cintura.

O rapaz, de cabelos negros, levemente ondulados, e olhos azuis, me encara com um sorriso bonito.

— Patrick. — Ele se apresenta e faz uma reverência.

— Diana.

— É um prazer... — A voz dele tem um tom tão... Tão... Sexual, que me arrepia até mesmo os pelos da nuca. Esse é um tipo de cara que as mães avisam à suas filhas para não se aproximarem. Nunca.

— Poupe-me! — Theresa dá de costas e se retira da tenda.

Tão linda e... Nada simpática, aparentemente.

— Eu não disse. — Tom diz de onde está. — Como um garoto...

Duvido disso... Garotos tem educação... Mas, tudo bem!

— Ela está realmente mais insuportável que o normal hoje. — Patrick comenta e balança a cabeça. – Esses jovens de hoje em dia, cheios de relacionamentos complicados.

Ele diz isso como se fosse alguém mais velho, experiente, mas ele parece tão novo quanto Tyler, com 27 anos, no máximo 28.

— Com licença, moça bonita! — O rapaz se curva outra vez e se retira, me deixando sozinha com Tom.

— Vamos lá, diga-me que eu estava certo.

Sorrio para ele.

— Não acho que posso fazer um julgamento depois de dois minutos ao lado dela. E, além do mais, o seu amigo disse que ela estava no meio de algo. Talvez esteja chateada por brigar com o namorado.

Ele revira os olhos.

— Ela foi atrás do Theodor, aposto, eles não são namorados. E acho que faz um longo tempo que ela não tem um. Ninguém a suporta para ficar ao seu lado por muito tempo. — Ele diz, aparentemente, sem maldade. O que só me faz ter pena da garota. — Desculpe desapontá-la, essa é a Theresa!

— Não me faça ter uma impressão ruim da sua irmã logo à primeira vista!

Ele gargalha.

— Fato são fatos, Diana! Infelizmente a nossa boa vontade não os muda.

Ele vai se acalmando aos poucos e suspira.

— Adorei sua fantasia. — Sorri de lado, todo charmoso. — Espero que me infernize a noite toda!

De novo isso, sério? Que homens mais sem criatividade!

— Que original, Tom!

— Obrigada! — Diz cheio de humor.

— Com licença! — Um garçom mascarado entra na tenda e se curva diante de nós com uma bandeja cheia de pequenas... Eu não faço a menor ideia do que sejam. Parecem... Torradas? Torradas com creme e mato...

Tapas? — Tom diz, recolhendo duas das coisas parecidas com torradas.

Tapas?

— É o nome. — Ele explica, enquanto o garçom deixa-nos as sós de novo. — Prova...

E então Tom ultrapassa todos os limites. Ele se inclina em minha direção, leva uma das torradas cobertas de creme próximo a minha boca. Todo o bom momento vai pro espaço. É como se meu cérebro estivesse sendo religado, e meus olhos ganhassem algum tipo de poder. Tipo supervisão. Porque de repente os dedos dele parecem imundos e o alimento em sua mão repleto de bichos e meu estômago revira, automaticamente.

O que leva um cara, que nunca te viu na vida, tentar te alimentar na boca. Com dedos sujos... Porque eu duvido que ele tenha lavado essa mão desde que nos vimos pela última vez.

O que eu devo fazer? Ele continua aproximando aquela coisa presa em seus dedos, de minha boca.

Tenho até medo de dizer não. Se eu abro a boca agora, aposto que ele enfia o tal do tapa.

— Thomas... — A voz grossa me assusta.

Na entrada da tenda, Theo tem os braços cruzados e nos encara. Respiro aliviada quando Tom come o tapa que me oferecia.

— Sua mãe não odeia tapas? — Ele pergunta para Theo.

— Oh, ela odeia. Mas sou responsável apenas pelo bolo.

— Obrigada por avisar, assim eu não como! — Tom solta.

Theodor me encara, parece chateado. E se foi pela cena que ele presenciou, eu espero que ele tenha consciência de que eu permaneço no mesmo lugar que ele me deixou. O problema na cena, definitivamente, não sou eu.

— Quando é que a festa de verdade começa? — Tom pergunta, não faz menção alguma de sair do lugar que Theo estava antes.

Me sinto um pouco pressionada nesse momento. Pego minha taça na mesa de lado e a viro de uma vez. Infelizmente o conteúdo acaba cedo demais.

— Assim que você der o fora! — Theo continua na porta, de cara fechada. Eu não sei se me retiro, se rio para quebrar essa tensão que começa emanar dele, ou que diabos posso fazer.

Por que ele sempre fica tão irritado quando está com ciúmes? Pelo menos eu acho que é ciúmes. Imagina se tivéssemos algo? Eu não acho que poderia ficar ao lado de um cara tão inconstante.

Essa postura de Theo me deixa irritada. Deixo a taça vazia de lado, pego minha bolsa e o tridente e me levanto.

— Senhores... — Passo por Theo e cometo o erro de olhar para ele ao fazer isso. Seu olhar quase faz com que me arrependa e volte para o sofá. Quase.

Quando estou do lado de fora, percebo que a música mudou, já não é mais calma como antes. O movimento do lado de fora diminuiu também e vejo, de longe, que a pista de dança ganhou algum publico. Olho ao redor, procurando Terry ou Tyler. Ou um banheiro para limpar. Me sinto suja.

Vou para dentro, parece que a festa começou de verdade. Já não vejo mais as pessoas mascaradas de antes. Agora personagens do cinema e de livros tomam conta. A música muda de novo, dessa vez mais alta, mais dançante, mais chata. Já não me sinto à vontade aqui.

— Madame? — Um garçom para ao meu lado, grita para chamar minha atenção e me oferece algo semelhante ao que Tom me apresentou como tapa, mas esse não tem creme, parece ter tomates e alguma erva.

— Não, obrigada. — Grito de volta e ele passa para o próximo. Então sou abordada por um segundo, com doces. Doces diferentes, em copinhos de chocolate talvez. Esses parecem muito bons, mas aposto que encostaram neles para colocar ali e quando foram se servir. Então, dispenso.

Continuo olhando em volta, procurando Tyler ou Terry, mas quem encontro é Amy. Ela está sentada uma poltrona, num ambiente um pouco diferente do cheio de tecido e gente. É um espacinho com poltronas e uma mesa de centro, de madeira, aparentemente. E só consigo perceber isso agora porque as luzes coloridas parecem ter sido desligadas. Agora está tudo devidamente iluminado.

Percebo também, finalmente, a cor das paredes. Brancas. E há muitos quadros nelas. Quadros que retratam paisagens e mulheres e homens de séculos passados.

Me sinto tão desconfortável com todo o barulho e agitação, que me aproximo de Amy. Me sento a seu lado, numa poltrona branca vazia. Ela é a única pessoa familiar à vista no momento.

— Olá. — Sou obrigada a gritar.

Ela apenas acena, nem me olha. Isso me incomoda também. Se ela for namorada do Theo, então, de fato fiz algo para a ofender. Eu deveria ter perguntado a ele sobre isso. Ou a Tyler. Ou Jane. Qualquer pessoa, mas não... Eu tinha que ficar quieta e agora estamos aqui, nessa coisa tremendamente desconfortável.

— Se eu te ofendi de alguma forma, eu peço desculpas. — Digo e ela finalmente me olha.

— O quê? Não escutei. — Ela diz, apontando pro ouvido.

— Sinto muito se te ofendi. — Repito.

Ela se inclina e aproxima seu rosto do meu.

— Não entendo. — Ela diz de novo, ainda apontando pro ouvido.

— Ótima festa!! — Tento mais alto e ela sorri. Para mim. Pela primeira vez.

— Isso tá um saco! — Grita de volta, ainda perto de mim. — Eu preferia passar meu sábado de pijama vendo The Voice.

— Acho que concordo com você! — Respondo, me esgoelando.

Ela me oferece o segundo sorriso da noite e volta a se encostar no sofá.

Um garçom se aproxima de nós e se inclina com uma bandeja de champanhe. Ao menos é isso que acho que estou bebendo desde que cheguei.

Amy pega uma taça, eu pego outra. Fico ali, ao lado da garota que não sei se me odeia ou quê, degustando a bebida.

Eu diria que a noite está sendo... Não tenho certeza. Tudo se transformou tão de repente.

Eu nunca soube como me comportar em uma festa. No começo nem parecia festa, eu estava confortável, mas agora, essa bagunça e corpos saltitantes, e essa sensação terrível de sujeira...

Será que se eu ficar apenas uma horinha e for embora o Theo vai ficar bravo? Tipo, uma horinha contando com o tempo que já estou aqui. Se bem que ele já parece estar bravo de qualquer jeito, então... Tanto faz, não?

Termino minha taça e a deixo na mesinha de centro. Espero Amy terminar e me inclino, como ela fez antes, me aproximando.

— Onde é o toilet, por favor? — Grito.

— O banheiro? — Ela pergunta sorrindo. Me lembra Theodor, em sua casa. Será que as pessoas não usam mais essa palavra?

— Isso! — Concordo.

Ela aponta para a escada.

— No fim daquele corredor.

Corredor? Olho novamente para onde aponta e então vejo que do lado da escadaria tem um corredor, não percebido antes.

— Obrigada. — Me levanto, com minha bolsa em mãos.

Alguns corpos dançantes e distraídos se trombam em mim no caminho. Não importa a distância que eu pego, eles parecem ser atraídos em minha direção. Me sujando ainda mais.

Quando alcanço o corredor, finalmente sinto um pouco de paz. Está vazio.

Caminho entre as paredes repletas de quadros e flores em aparadores. Há um arco grande no meio do corredor e uma porta no final. Eu acho que a porta é o banheiro, mas paro no arco, me deparando com uma espaçosa sala, com sofás grandes e confortáveis. Não há TV, apenas cortinas pesadas e mais flores. Acho que aqui é servido o chá. A decoração toda me lembra as casas de ingleses. Os móveis de aparência antiga, mas visivelmente novos, colaboram bastante para isso. Mas não vejo nenhum porta-retrato, talvez tenham sido retirados para a festa. Porque não creio que o lugar seja tão impessoal assim. É a casa da família de Theo, certo? Até onde eu sei, ele tem mãe, irmã e avó. Eles devem ter fotos.

Paro de bisbilhotar, não será legal se aparecer alguém. Podem até pensar que estou roubando algo. Imagino que constrangedor ser retirada por seguranças por causa de um mal entendido...

Vou em direção à porta que acho que é o banheiro. A abro e a luz acende sozinha. Por um momento imagino que estou no lugar errado, então vejo uma privada.

Para quê uma pessoa precisa de um banheiro do tamanho do meu quarto? Tem até uma poltrona. E é um cômodo só, sem divisórias, sem cortinas... Poltrona de couro, espelho em uma parede inteira, e olha só... De frente para a privada!

Eu não consigo imaginar que pessoa escolheria tal decoração para seu banheiro. O Theo eu tenho certeza que não. Se bem que eu não sei como são seus gostos. O apartamento que ele mora não tem nada dele. Exceto a sala, que foi o Tyler que planejou. Fora isso é o gosto do morador anterior.

Será que Theodor gosta de... Se ver quando...?

Oh, meu deus!

Balanço minha cabeça, tentando afastar as imagens que se formam. Elas são nojentas.

Fecho a porta atrás de mim e vou para a pia. Deixo minha bolsa e o acessório em um canto e ligo a torneira, lavando minhas mãos e me sentindo um pouquinho melhor. Mas o que eu preciso mesmo é de um banho. Só queria que isso funcionasse de uma forma diferente. Que a sujeira não fosse a única coisa a descer pelo ralo. Seria perfeito se os problemas a acompanhassem. Ou as memórias ruins. O estresse... Tudo que causa esses terríveis e incômodos sentimentos em mim.

Minutos atrás eu estava tão bem e agora... De um extremo a outro.

Lavo meu rosto, não pensando muito bem sobre isso, quando o levanto, ainda molhado, percebo a máscara negra que foi passada em meus cílios se desfazendo, assim como a sombra esfumaçada. Que ótimo, de uma diabinha bem vestida para um demônio nível master.

Olho em volta, atrás de toalhas de papel. Não tem. Essa não é a casa do Tyler, os donos não pensaram em mim. Só tem uma toalha de pano, que todos da festa, provavelmente, já secaram a mão e muitos deles nem lavado direito devem.

Aquele enjoo volta e um pouco de tontura também. Eu preciso ir para casa, preciso tomar banho e me livrar dessa sujeira. Desse sentimento terrível de podridão, que passeia por cada parte do meu corpo.

Me aproximo do vaso sanitário e pego o rolo de papel, então o uso para me secar e isso é a coisa mais nojenta que já fiz em minha vida. Tem pessoas que tiram o rolo do suporte para ficar mais fácil e definitivamente não é com as mãos limpas!

Deixo o rolo no lugar e jogo o papel úmido e manchado de maquiagem no lixo. Me sinto nojenta.

Volto pra frente do espelho, sem vontade alguma de retocar qualquer coisa.

Eu sabia que era bom demais para ser verdade. À vontade em uma festa? Isso nunca iria acontecer realmente, eu deveria me conhecer melhor, saber meus limites e me deixar de fora dessas coisas.

Estou usando os adesivos novos, que comprei na farmácia ontem, sobre os ferimentos de minhas mãos. Eu deveria trocar, trouxe mais para isso, mas eu não posso. Não posso ficar um minuto a mais nesse lugar imundo. Tudo que eu quero é ir para casa.

Notas finais
O que acharam? Só digo que o capítulo que vocês querem é o próximo ;) Ps: Com exceção do cabelo, é assim que a Di acabou a noite: http://media.tumblr.com/tumblr_lr9u6nbDbV1qdv5vi.png Cenas do próximo capítulo: "- Eu me preocupo com você, não posso evitar." "Estendo minha mão, a procura de um interruptor, mas o que sinto é um tecido macio sobre uma superfície dura." "Será que ele tem pelo no peito?" "Seguro a respiração por um momento, deslumbrada..." Bj bjs ;)