Eu sou a canção que os pássaros cantam.
Eu sou a folha que transforma a terra.
Eu sou a maré que move a lua.
Eu sou a corrente que a areia detém.
Eu sou as nuvens que o vento leva.
Eu sou a terra que o sol ilumina.
Eu sou o fogo que golpeia a pedreira.
Eu sou o barro que dá forma à mão.
Eu sou a palavra que o homem pronuncia.

Ouçam, o passo da noite morre
no vasto silêncio;
a luz sobre a minha escrivaninha canta
baixo como um grilo.
Douradas sobre a estante
brilham as lombadas dos livros:
pilares para as pontes
da viagem ao país das fadas.

E assim ele saboreando sobretudo as coisas sombrias,
Quando, em seu aposento despido, corridas as gelosias,
O quarto alto e azul, duramente tomado de humildade,
Lia o seu romance, aí repensado com tenacidade,
Cheio de pesados céus ocres e florestas inundadas,
De pétalas de carne em lenhos siderais transmutadas,
Vertigem, desabamentos, derrotas e compaixão!

Parece que foi ontem, quando eu costumava acreditar
que sob a minha pele somente havia luz.
E se me cortassem, eu brilharia.
Mas hoje, ao cair pelas trilhas da vida,
machuco os joelhos. E sangro.

Observe por favor, olhe, olhe e olhe!

Nada é realmente aquilo que é. Tem mais. Tem muito, muito mais.

Nunca se canse de mais.

  • ID: #740872
  • Títulos: Nenhum
  • Entrou em 13 de ago. de 2017, 12:54
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