Explicar quem sou eu é difícil. Sou o acumulo de todas as partes e coisas que em algum momento eu fui ou serei. Sou a junção de todos os fragmentos e pedacinhos, de todas as pequenas partes do meu eu. Mais que discursos enfadonhos, convêm apresentar-me através dos versos do saudoso poeta romântico:

Gema embora a terra inteira
Acurvada a iniquas leis:
Esta fronte sobranceira
Jámais de rojo a vereis.
Oh! ninguem, ninguem a esmaga,
Que eu sou livre como a vaga,
Que sacode sobre a plaga
O jugo d'altos baixeis.

Se não expliquei muito sobre mim, eis o fruto da profissão. Ao escritor não cabe exibir a si próprio, mas traduzir por intermédio das palavras o mundo em que habita.

  • ID: #689261
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  • Entrou em 22 de jul. de 2016 22:12
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