Tenho lá minha imensidão de defeitos. Meus relacionamentos nunca duram. Meus amigos sempre desistem de mim. Acho que sou cabeça dura demais, errada ao extremo. Eu tento ser uma pessoa boa, mas acho que nunca cheguei perto de ser uma. Eu sempre priorizo sorrisos alheios e esqueço dos meus, não que isso seja um tipo de dificuldade. Mas eu faço sacrifícios por pessoas que no fim se vão. Por pessoas que eu daria tudo pra ter aqui, mas que não dariam uma migalha pra me ter por perto.

Às vezes, eu mesma tenho alguns problemas comigo. Sempre acho que ninguém me quer, que vou morrer sozinha, mas na verdade, eu não quero ninguém e quase sempre prefiro a solidão. Pertenço a alguém, mas não me pertenço ao todo. E tudo que eu queria, de verdade era alguém que não se importasse se eu faço chuva, ou se faço sol. Se sou muito quente, ou fria demais. Só quero que aguente minhas estações, mesmo que meu inverno dure mais que todas as outras... Que não se importe em esperar do lado de fora, enquanto eu tranco a porta do meu quarto e finjo que não tem ninguém lá fora, na chuva e com frio, me esperando. E quando enfim eu decidir sair, que não implique com meu sorriso forçado, simplesmente pode dizer que sentiu minha falta, ou algo assim, e fazer tudo ficar bem. Sentir-se bem com minha bagunça, sem tentar arruma-la. Porque eu sou assim, sou aquele calor de matar em meio ao inverno e a chuva que teima em cair enquanto o sol brilha forte. Sou as folhas que caem na primavera, e as flores que nascem no outono. Bom, a questão é que eu não convivo bem em grupo. Sou cética, desconfiada, irônica e sem assunto. A única companhia que me dou bem é comigo mesma, isso quando não estou de mau-humor, aí nem eu me aguento.

  • ID: #462025
  • Títulos: Nenhum
  • Entrou em 19 de abr. de 2014 07:56
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