Eu sou a luz das estrelas, eu sou a cor do luar, eu sou as coisas da vida, eu sou o medo de amar. Eu sou o medo do fraco, a força da imaginação, o blefe do jogador, eu sou, eu fui, eu vou. (...) Eu sou o seu sacrifício, a placa de contra-mão, o sangue no olhar do vampiro e as juras de maldição. Eu sou a vela que acende, eu sou a luz que se apaga, eu sou a beira do abismo, eu sou o tudo e o nada. Por que você me pergunta? Perguntas não vão lhe mostrar que eu sou feito da terra, do fogo, da água e do ar. (...) Das telhas eu sou o telhado, a pesca do pescador, a letra "A" tem meu nome, dos sonhos eu sou o amor. Eu sou a dona de casa, nos pegue pagues do mundo, eu sou a mão do carrasco, sou raso, largo, profundo. (...) Eu sou a mosca da sopa, e o dente do tubarão, eu sou os olhos do cego, e a cegueira da visão. Eu! Mas eu sou o amargo da língua, a mãe, o pai e o avô, o filho que ainda não veio. O início, o fim e o meio (...).


(Raul Seixas)

  • ID: #18493
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  • Entrou em 16 de jul. de 2009 16:52
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