Sonhadora
Não tente me entender, sou uma incógnita que você nunca irá decifrar. Sou muito complicada. Tem dias que acordo com um lindo sorriso no rosto, já outros, que acordo com uma lágrima que nem eu sei bem o motivo. Sou muito carente. Um “Eu te amo” me conquista muito fácil. Sou chorona, mas ao mesmo tempo muito forte. Consigo disfarçar muito bem meus sentimentos. Sou uma ótima atriz, muito boa mesmo, deveriam me contratar para atuar em alguma novela. Um sorriso falso aqui, outro ali, e ta tudo resolvido. Minha vida é cheia de farsas, mentiras […] É, eu sou uma garota que ninguém nunca conseguirá decifrar.
Ela estava cansada. Cansada de absolutamente tudo. Estava cansada das pessoas, dos sentimentos, das emoções. Estava exausta da vida. Ela não queria desistir da vida. Não, ela não pretendia cometer suicídio. Mas isso se passou por sua cabeça. Por quê? Por que aquela parecia ser a única solução. Loucura? Não, não pense que é loucura. Se soubesse de tudo que ela, tão jovem, já havia passado, de tudo que havia perdido e de como sua vida estava uma total bagunça, uma verdadeira tragédia, entenderia por que o suicídio talvez parecesse à melhor solução. Mas ela resolveu esquecer isso. Pelo menos por um tempo. Decidiu dar um tempo ao tempo, pra ver se pelo menos parte dos problemas se resolveriam. E se resolveram… Mais ai outros problemas apareceram. Daí a idéia de se suicidar começou a transparecer novamente. Em sua cabeça, a dor que a vida lhe proporcionava poderia ser curada com a morte. Quem sabe. Por acaso algum morto veio reclamar? Por acaso algum fantasma continuou tendo problemas? Não existe nada relatado então, bem, talvez seja mesmo a solução de todos os males da vida. Mas aí, quando ela já estava prestes a cometer o ato, veio-lhe na mente sua família, que sempre, em todos os momentos estiveram com ela. E Deus. O que Ele pensaria dela? Ela nunca fora muito religiosa, mas acreditava de corpo e alma na existência do Todo Poderoso. E queria agradá-lo. Por que Ele, Ele sim se importava e a amava verdadeiramente. Ele se alegraria de vê-la se destruindo, acabando com a própria vida? E mais uma vez ela desistiu de desistir da vida. Mas, pensando bem, já nem tinha mais uma vida da qual desistir. Aquilo não era vida. Ela não se sentia viva. Deus teria de perdoá-la por isso, por que aquilo, aquele estado deplorável em que ela se encontrava, em que sua vida se encontrava não era culpa dela. Talvez em pequenas partes fosse, mas o resto cabia apenas aqueles que a desvalorizaram e a maltrataram. Que a fizeram chorar e bagunçaram sua vida. –“Oh Deus! Por quê? Sempre me preocupei tanto em fazer tua vontade, em alegrar-te! Por que, Deus? Por que permites que estas coisas me aconteçam?” – E largando a lâmina que se encontrava em suas mãos, ela voltou a chorar. E exausta, agora fisicamente, ela dormiu… Dormiu na esperança de que quando acordasse, tudo teria passado.
Don't carry the world upon your shoulders ♪ (...) - The Beatles, Hey Jude.
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- Entrou em 29 de mai. de 2012 12:26