E eu disse ao meu gato que ri

De risada e inocência tão belo

Que de alma em esmero não o vi partir

Ora, que é firme o teu elo

Oh, meu bem! Não se aparta daqui,

Pois meu coração sangra partido, e de chagas ferido, não sei quanto a ti.

Oh, meu gato que ri

São todos tão loucos do lado de cá

Que mal repararam que meu baluarte é o voo a alçar,

Mas gatos não riem, lembrei-me calado

Que pus-me a voar como Ícaro alado

E tão, pois, como Ícaro, elevei-me e caí.

O que seria de mim se não Dédalo-pai que me empurrou?

Eu sou Frankenstein

De dentro do monstro, o médico sou.

Feche as cortinas, minha doce assombração

E arranque da boca a língua de quem me faz menção.

Oh, Chester, pois sou como ti, do mundo uma ilusão

E não sei se penso ou se existo, e o que ouço em meu peito mortiço...

Não sei se é coração.

  • ID: #109028
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  • Entrou em 25 de out. de 2011, 20:47
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