Tango Maldito
Tango Maldito
Capítulo 11 min de leitura

Dançem, corpos sem vida

Numa suave e macabra música

Instrumentos infernais embalam os movimentos

Os corpos se movem ao ritmo que é imposto

Nada nem ninguém pode nos parar.

Pois crescemos com essa dança

Crescemos com o gosto por sermos manipulados

Dançando um eterno tango maldito. Sem vontade própria, nossos esqueletos como zumbis, fazem o que devem fazer

Sonham o que devem sonhar

Consomem o que devem consumir

Sem questionar-se que poderia ser diferentes.

Sonhamos com dias melhores, mas não lutamos

Somos hipócritas, bestas e manipulados

Mas não sabemos disso

Estamos preocupados em dançar

E não errar o passo para não sermos excluídos.

Não posso parar!

Preciso ser um desses corpos sem vontade

Eu preciso ser um deles.

Para quem sabe ter a felicidade.

Felicidade que só vem quando danço a música que quero, com os passos que quero, e com os instrumentos que sonho.

Só que ao perceber isso, pode ser tarde de mais.