Sonhos Melancólicos
Sonhos Melancólicos
Capítulo 16 min de leitura

Capitulo unico!

Havia uma garota que morava sozinha com os avôs, desde seus 12 anos de idade ela vinha sofrendo com a morte dos pais, tão precoce...

Era uma tarde de domingo, estava nublado, talvez chovesse, Milena estava a cavalgar em seu lindo cavalo preto, quando parada por uma terrível tempestade de areia foi obrigada a descer e puxar o animal ate o rancho onde morava. Entrou com os olhos embaçados, e as botas que calçava estavam sujas de poeira e barro... Então foi ouvido um estrondo, que vinha da cozinha de lenha onde naquele momento sua avó preparava costelas para o jantar.

Milena correu para o local e encontrou fogo por onde pisava, encontrou a velinha ao pé da mesa respirando muito vagarosamente, chamou diversas vezes seu avô, mais nem sinal dele, arranjou forças de onde não tinha e conseguiu tirar dona Clarice do local que estava em brasas, colocou-a deitada sobre uma moita de relvas do lado de fora do local que aos poucos ia se incendiando, novamente entrou procurando por Sr. Augusto, encontrou o velinho com diversas garrafas de pinga na cama, e este descansava ao pé da cama.

Conseguiu tirar o velinho do local, antes que a chamas ardentes os alcançasse... Então ela viu o cavalheiro medieval a porta do pobre rancho, de túnica preta e olhos avermelhados, e lembrou-se de seu cavalo preso no estábulo e correu para solta-lo, o guardião a viu, e a seguiu até o local onde o pobre animal estava amarrado. Logo que chegaram, ele tirou seu chicote de couro da bolsa e chicoteou o pobre animal e a garota junto, o sangue escorria das costas dela e ela não sabia o por que.... Então perdeu a consciência... Acordou já era noite alta, e seu rancho? Dele só havia sobrado cinzas em cima de cinzas e mais nada. Pobre garota, acordou ao relento, com fome e o pior era não achar seus avós, então ela se levantou, com dificuldades começou a caminhar, meio que cambaleando... Ela sabia que havia uma gruta perto dali, que pelo menos daria para tomar um banho e ficar limpa... Sentiu dores nas costas e lembrou-se dos machucados, e como ardiam de dor não agüentou e tombou de novo ao chão molhado pela chuva que caia sem parar... Estava frio... O céu não apresentava nenhum sinal de luz de lua ou estrelas, tudo estava o mais escuro possível. Foi rastejando que conseguiu ir para a gruta que jorrava água limpa e cristalina, conseguindo assim se lavar e afastar os odores de sangue de seu corpo jovem e sofrido... Assim que conseguiu se levantou e colocou sua roupa, olhou e viu uma mulher de branco com asas pretas e um símbolo em sua testa, ela correu entre as arvores do bosque do rancho e a mulher atrás dela, sentiu suas feridas abrirem novamente... Estava com muita dor, encostou-se a uma arvore... colocou então a mão em seu ombro e notou um grande e profundo corte que ia desde seu ombro até a costa de suas mãos, sentiu sua cabeça latejar,e quando cansou de correr deitou- se na beira do rio, cansada e faminta com muito frio..

Eram sete horas da manha quando acordou, estava novamente suja, seu vestido estava manchado pelo barro e pelo sangue de suas costas, apesar de tudo o que mais lhe preocupava era o sumiço de seus avôs no dia anterior... Estava sozinha no mundo? Estava mais do que nunca precisando das costelas que sua avó fazia, sentia-se muito fraca, sem animo pra se levantar e encarar a realidade queria procurar por eles mais não tinha forças... Então ela se lembrou que eles costumavam dizer que um cavalheiro negro e a anja do mal vivam em um poço muito fundo, dentro da propriedade do velho carrasco, dom Hernandez... Ela lembrou-se de ter ido lá varias vezes e a mulher do carrasco nunca estar bem, e Milena não podia jamais vê- La... O carrasco sempre andava de preto, e digamos que as lendas que se espalham diziam que sua mulher o traiu e por isso ele deixou que ela morresse em seu leito e muitos moradores disseram que sua mulher voltou do alem, tudo para fazer justiça já que ela era inocente...

Enfim ela continuou a caminhar, caminhou até encontrar a luxuosa choupana em perfeitas condições, havia uma cabeça de boi na cerca, mais nada a detinha de continuar a procurar pelo poço, andou muito em volta daquele barraco que nesses tempos já estava ficando muito velho e viu o bendito poço, ela tentou aproximar-se mais era algo quase que impossível, pois sentia os calafrios e novamente a mulher de branco vinha a lhe seguir, dessa vez tirou uma adaga do vestido e jogou dentro do poço.... a garota gritou por misericórdia, pela vida do avôs, disse que a mulher poderia leva- La contanto que devolvessem a eles a juventude e a casa que lhe tomaram no dia anterior.

- Então a senhorita que fazer uma troca- a mulher a olhou e dando uma risada ironicamente e cada vez mais alta e depois a olhou seriamente – Tudo bem... A sua alma em troca da juventude e riqueza de seus avós, não me parece má idéia, mais esta dispostas a perder todo esse mundo que te contagia? Nunca mais ira existir em dimensão alguma, escolha bem, pois só vai ter uma chance... Então, Sua juventude e alma pela a de seus avós, ou a vida deles pela sua beleza e sedução?

- Eu escolho a vida deles- Disse a garota arrancando de si o colar de proteção que os avós maternos lhe deram- Eu já perdi meus avós maternos em um acidente, vivi minha vida em sonhos alucinantes, construí um castelo de muralhas falsas, sem sentido algum, então dou a chance de refazer meus planos sem que nunca tivessem me conhecido a esses dois... como forma de agradecimento.... eu espero que eles nunca passem pelo sonhos melancólicos que eu passei...

Essas foram suas ultimas palavras e pela mulher foram marcadas em um caderno de folhas roxas como “divida paga”....

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