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Sol e Mar

Histerya

Sol e Mar
Capítulo 15 min de leitura

Únicos.

Era manhã de segunda, e o único pensamento era nele. Como ele estaria, com quem, fazendo o que. Se vestia sua jaqueta de colegial. Se ainda tinha aquele brilho magnifico no meio do azul pacífico do seu olhar. Será que ainda queria andar de cavalo, ver o mar, o por-do-sol? Se passou tanto tempo desde aquela época, a boa. A boa época.

"Menina, em que mundo você tá? Tá me ouvindo?" Dizia uma voz madura, voz que odiava o laranja rosado do fim da tarde. "To aqui, Mily". Mas não estava.

Era fim da tarde daquele dia, andava na calçada, descalça, como quem quisesse sentir o mundo com os pés e não com as mãos. E era bom. Ela sorria. Ela era feliz.

*Latidos* — "Opa, desculpa, ele não costuma latir pras pessoas". Disse o olhar que certamente amaria ver o por-do-sol de cima do Morro do Dimas. Era uma inundação de azul. Silêncio. Um azul silêncioso. Tão gostoso.

"Oi, sou a Tiana". Disse ao olhar. "Olá, me chamo Bigs". Bigs seria um tipo de nome intimo (?), pois, se fosse, estaria a um passo mais perto de pular da ribanceira direto naquela imensidão de azul.

Por dois quarteirões, aquele azul. Conversas sobre futilidades do dia-a-dia — "Onde você trabalha?" "Faz o que da vida?" "Tem cachorro?" "Eu queria viajar". Na porta, o cão já comportado, um aperto de mão. Só isso? "A gente podia sair um dia desses?" Pensou. Ele disse. Claro, aceitou.

Dois dias depois — durante dois dias deixara as pessoas loucas com sua felicidade eminente. Era a noite, chegou o carro. Rosas e um gracioso beijo no rosto. Tinha o cheiro dele. Era o tipo de cara que abria a porta. Era cavalheiro.

No restaurante, pratos fartos e sorriso contagiantes. Era tudo perfeito. Vinho da melhor qualidade. Sorriso da melhor qualidade. A conversa fluia como um rio que havia achado o seu curso. Era encantador.

~*~

Ela sorria como uma louca, o que encantava. Sorria porque queria, não porque queria agradar. Agradar nunca foi seu forte. Mas era bom esquecer ela por um momento. Era bom achar algo que compensasse sair de casa, deixar o conforto do sofá.

Queria saber como estava. Se pensava nele, se chorava quando ouvia a musica deles. Se havia encontrado alguém para sustentar os seus costumes de classe alta. Se ainda frequentava os grupos High Hells, dos jovens milionários. Será que amava, se escondia do por-do-sol e evitava o mar?

No dia seguinte, sorriso no rosto. Fora conferir os emails e "De: Vivian Seu amor ♥". O que queria, depois de tanto tempo sem procurá-lo? Ela queria voltar. Estava com o coração partido. Um jovem ricasso a havia abandonado pois ainda amava a ex. Ela queria voltar?

Duas batidas no portão. Era ela. Choros lá fora. O que queria?

~*~

Estava louca para mandar emails para as amigas distantes, elas precisavam saber dele! Estava curada. Era preciso noticiar. Mas havia um email anônimo. Anônimo? "Oi minha princesa", dizia a primeira linha. O que queria? Sangue corria frio em suas veias. Meu azul, pensava. Não era mais seu!

Estava solteiro, voltando pra cidade e 'afim de ver um porsinho di sol com a gatinha mas lindinha e tchutchuquinha de toda a terrinha s2'. Era ridículo. *ring*

"Alo?"
"Leu meu email, gatinha?"
"Tu tu tu tu tu"

Não podia voltar a trás do seu juramento. Se tremia toda. Havia paixão ainda. Mas... Bigs!

Ocupado, apenas ocupado. Onde estaria? Andou até sua casa, quando viu um carro rosa choque parado embicado na garagem. Uma loira siliconada, bonita — mas falsa -, estava parada na porta. Apertava a campainha e borrava sua maquiagem extra-cara (Não era a prova d'agua?). Partia, se lamentando e chingando, dentro de seu poçante, desviando de todos e quase batendo em um carro estacionado.

"Quem era?"
"Minha ex" O azul já não era mais tão azul. Era um azul melancólico. De quando se quer morrer.


Silêncio. De mãos dadas, abraços e beijos. *ring* Era ele denovo.

"Quem é?" Disse o azul purpuro.
"Meu ex" Olhares cruzados, estatuas de azul. Até cansar quem estivesse do outro lado da linha ou que a bateria acabasse.

~*~

Não vou deixar que me levem de você, minha pequena raio de sol. Eu posso jurar, nunca amei tanto o fim do dia quanto o amo agora. Você me contagia, me faz querer gritar, correr, dançar, cantar. Me faz querer te amar. Amar e amar. Até que não exista mais amor no mundo. Até que o mundo acabe. Num enorme e infinito por-do-sol. Seus olhos. Meu por-so-sol preferido. Seus olhos, quero que olhem só para meu oceano de azul.

~~*

Porquê é desse azul que quero me afogar. É dessa agua que quero beber. É ai que eu quero estar até o fim dos dias. Até que tudo acabe numa minuscula gota, que se transforme novamente num imenso oceano. E que haja vida, e que seja nossa vida. Porque é nosso azul. Uma imensidão de azul. Sem fim. Até o fim.