O ar ainda cheirava a sal e trovão quando Annabeth atravessou os portões do Acampamento Meio-Sangue. A areia da praia estava encharcada, e os galhos do carvalho onde o Velocino de Ouro repousava ainda tremiam, como se a própria natureza temesse o que acabara de acontecer. O céu, antes pintado de azul, agora era um amontoado de nuvens densas, iluminadas por relâmpagos que dançavam sobre o mar como serpentes de fogo.
Ela se sentou sob a árvore, tentando retomar a leitura do livro de arquitetura antiga. As letras em inglês dançavam na página, como sempre faziam. Para uma filha de Atena, a dislexia era um fardo irônico — o cérebro programado para o grego antigo se revoltava contra o alfabeto moderno. Ainda assim, ela insistia. Projetar, estudar, compreender... eram formas de manter o controle quando o mundo dos deuses se tornava imprevisível.
Mas algo no ar mudou. O vento que antes era apenas uma brisa se transformou em uma corrente violenta. Annabeth ergueu os olhos do livro, e seu coração gelou. O horizonte do mar começava a girar, primeiro devagar, depois com força devastadora. Um ciclone. E não um comum. O som era grave, quase consciente — uma fúria viva.
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