– Para com isso mãe! Já disse que é só amizade! Matt e eu somos amigos desde o Jardim de Infância! — Minha mãe riu e me olhou com uma cara maliciosa — É serio! Aquele beijo foi porque Care nos obrigou! — Eu tentava explicar a minha mãe que meu beijo com o Matt não fora nada de mais, mas ela teimava que sim. Estávamos no carro indo pro shopping comprar um presente para o papai, amanhã seria seu aniversário. Já eram 19:00 horas da noite e rezávamos para que a loja que iriamos estivesse aberta.
– Ah filha, você sabe que se gostam, deviam admitir isso! Eu e seu pai apoiaríamos vocês! — Eu sabia que ela estava certa, mas não queria estragar minha amizade com Matt, estávamos bem assim.
– Eu sei mãe, mas quero deixar como está. Matt e eu somos bons amigos! — Ela me olhou com certa duvida enquanto parava no sinal vermelho.
– Ok filha. Mas saiba que sempre que precisar eu estarei aqui, pra você e com você. Pode me contar qualquer coisa, pode sempre confiar em mim. Eu amo você e seu pai também. Conte com a gente.
– Também amo vocês! São tudo pra mim. — Eu sorri com os olhos cheios de lágrimas e ela fez o mesmo. Olhou pra frente e o sinal abriu, ela foi pra frente e vimos uma luz branca vindo do lado dela. A partir dai foi tudo muito rápido, o carro bateu e lembro de sentir nosso carro capotar até que eu perdesse totalmente a consciência. Acordei 2 dias depois no hospital com meu pai chorando ao meu lado.
– Pai? Cadê minha mãe? onde eu estou? — Ele me olhou e pude ver seu olhar vazio, sem aquele brilho de sempre. E naquele momento eu soube, ele não precisava responder. Senti minha visão ficar embassada e percebi que eu estava chorando, senti braços a minha volta e senti meu corpo doer, mas não importava, nenhuma dor seria maior que aquela que eu estava sentindo em meu coração, aquele vazio nunca poderia ser preenchido por nada e nem ninguém. Eu chorava sem parar junto ao meu pai, depois do que pareceram horas eu me acalmei, e pude ouvir a voz de meu pai me explicando o que havia acontecido. Basicamente, minha mãe e eu chegamos ou hospital desmaiadas, eu estava com uma pequena fratura na costela, uma perna quebrada, o que me fez perceber o gesso em minha perna esquerda, um corte na testa e alguns outros arranhões em partes do meu corpo.O caso de minha mãe era mais grave, ela estava com uma hemorragia interna, quebrou a costela, uma parte dela na verdade e estava com corte na testa como eu e também havia quebrado um braço e tinha arranhões. Ela foi levada para uma cirurgia para conter sua hemorragia, ocorreu tudo bem e ela estava bem, até a hemorragia voltar e dessa vez maior, ela foi levada para uma cirurgia mas dessa vez não havia resistido. Ela havia morrido naquela manhã, eu havia acordado era 13:00 de uma terça, o acidente tinha ocorrido sábado a noite e eu não iria poder sair do hospital para poder ir ao seu enterro, pois a fratura na costela ainda doía muito e minha perna estava engessada. A mulher que estava dirigindo o outro carro sobreviveu, mas foi presa por dirigir bêbada e drogada. Meus amigos foram me visitar, mas eu não queria ver ninguém, somente meu pai e minha tia Jenna que veio de longe para o enterro de minha mãe. Fiquei no hospital durante 1 semanas para que pudesse me recuperar da fratura e tive que ficar com o gesso mais uma semana. Aquele foi definitivamente meu pior verão e eu nunca havia me recuperado dele, me afastei de meus amigos, até que uma hora eles cansaram de correr atrás e eu os ignorar e me afastar, eu sei que não foi certo porque eles só queriam me ajudar, mas eu não queria, tinha medo de me apegar a alguém e acabar o perdendo como perdi minha mãe. E aqui estou eu, a Elena Gilbert daquele verão, a garota fria, quieta e sem amigos, mas eu estava bem assim, quer dizer... bem eu não estava, mas por enquanto, ou talvez pra sempre, eu queria continuar assim.

