O infernoChegada
O céu se apresentou como uma existência tátil. Touya tocou o pescoço e sentiu o toque dos dedos. Que ensejo. O entorpecimento das queimaduras desapareceu. Seu corpo não era mais uma ferida aberta, mas pele lisa e macia recobrindo uma estrutura forte, saudável.
Ele gargalhou, apalpando as pernas. Sua carne recém-reformada pulsava em vida, o que só confirmava sua morte. Aquilo era mesmo o inferno?
― Não se empolgue, garoto.
A voz feminina atraiu-o para uma porta entreaberta. Ao atravessá-la, Touya deparou-se com um berçário. Entre os bebês adormecidos, uma mulher informou:
― Esse é o meu inferno.
