Nos Nossos Sonhos
Nos Nossos Sonhos
Capítulo 216 min de leitura

0.2

Fiquei alguns segundos ali, imóvel, ouvindo o relógio do meu celular marcar os minutos como se cada tique fosse uma acusação. Me arrastei até a beirada da cama, o cobertor caiu pesado no chão e a camisa do pijama grudou nas costas por causa do calor que o sonho deixou. Levantei devagar, passando a mão pelo rosto como quem tenta apagar um quadro rabiscado: não saiu.

No corredor senti o ar frio bater na pele e, por um instante, quis voltar e me enfiar de novo debaixo do lençol, fingir que nada tinha acontecido. Em vez disso, empurrei a porta do banheiro.

A água quente do chuveiro foi mais eficaz que qualquer pensamento racional; por dois minutos consegui fingir que aquilo ali era só vapor descendo pelo corpo. Lavei o cabelo com força, como se fosse possível enxaguar também as imagens e a sensação de dedos nos meus pulsos, a pressão dos lábios dele contra os meus. Passei duas vezes o xampu, como quem presta atenção numa tarefa doméstica para não dar espaço aos devaneios. Saí do banho com o cabelo preso num coque frouxo, a toalha enrolada na cintura, e me peguei falando sozinha: “Para, Dalia. Não foi real.” A frase saiu mais para convencer do que como certeza.

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