Segai se aproximava sorrateiro pelas sombras das ruínas dos prédios, de onde estava dava para ver perfeitamente Ouma Shu usando o void em forma de espada de Inori contra os Endlaves de seu exército. Pegou seu celular e tirou uma foto, registrando aquela linda cena que fazia seu olho direito brilhar e o esquerdo girar — o lindo brilho de uma arma extraída de um coração. Tudo estava acontecendo de acordo com seu plano, faltava apenas a peça principal: Gai, quando ele chegasse Ouma abaixaria a guarda e devolveria a arma da menina de cabelo rosa, assim ele esperava. Ficou ali escondido, registrando em foto toda a batalha contra os robôs e se excitando a cada movimento de Shu com a espada gigantesca.
A rua estava mal iluminada, os postes haviam sido destruídos, apenas o fogo nos carros iluminava a batalha, e ali, nenhum dos dois lados tinha vantagem.
Duas dúzias de Endlaves invadiram a rua, Shu já mostrava cansaço, não conseguia mais dar conta de todos eles; Inori estava perto dele atirando nos robôs, e zigzagueando para cá e para lá tentando desviar das balas.
No momento seguinte a peça principal chegou de helicóptero, pousou no meio da rua, atirando e trazendo reforços. Segai mostrou seus dentes perfeitamente alinhados e brancos, no que pareceu ser um macabro sorriso. Guardou o celular no bolso interno do blazer, pegou uma arma com três canos que estava no bolso externo e a deixou pronta para ação.
Como esperado Shu abaixou a guarda com a chegada de Gai, mas ainda usava a espada. Num minuto depois ele devolveu o equipamento se preparou para se esconder, a garota estava ao lado do loiro tentando destruir os Endlaves restantes, quando Segai surgiu na rua vindo das sombras, o rapaz de olhos claros, ao longe, gritou para o Ouma proteger suas costas, mas era tarde demais, o vilão disparou uma vez, três balas da cor de vinho atingiram o garoto que caiu no chão com um estampido abafado. Segai pegou o celular e tirou algumas fotos do corpo ensanguentado do estudante, e correu para as sombras de onde tinha surgido, um Endlave surgiu logo depois do mesmo lugar que ele havia desaparecido.
Os olhos da garota estavam cheios de lágrimas, ela jogou as armas no chão e correu em direção ao corpo de Shu, pulando sobre os destroços dos carros e prédios, caiu de joelhos ao chegar perto do menino. Pegou seu rosto com as duas mãos e virou-o, os olhos dele estavam abertos e fixando o vazio, mas bem lá no fundo havia um brilho avisando que ele ainda vivia.
— Você não pode me deixar! — sussurrou ela.
O último robô foi derrubado, Gai juntou-se a menina de cabelos rosados, pegou o celular e ligou para Tsugumi pedindo para que ela levasse a van o mais rápido possível para onde estavam. O loiro verificou a pulsação de Shu, estava fraca, ele estava partindo, algo precisa ser feito, mas ele não sabia o quê. Inori puxou o corpo de Shu para perto do seu, suas lágrimas caiam sobre a bochecha dele.
A van surgiu da escuridão e iluminou o rosto de Gai que estava com um olhar distante, porém assustado, Tsugumi desceu e correu com Funrell em seu encalço, até onde eles estavam.
— Informe a Ayase que estamos chegando e que Shu está ferido e precisa de um médico com urgência.
A garota de cabelos escuros levou a mão até a boca quando viu Inori suja com o sangue de Shu, correu para informar à Ayase.
— Me ajude a levá-lo até a van.
Quando o loiro se aproximou o garoto gemeu de dor, de repente começou a ficar quente e mais quente. Inori e Gai já não podiam esconder o medo, a garota tentou acamá-lo, mas o rapaz a puxou para longe e a levantou.
— Tem alguma coisa errada. — falou ele dando alguns passos para trás e puxando Inori para junto dele.
Shu se contorcia de dor sobre seu sangue, tremia e suava, gemia alto. Tsugumi apareceu do lado de Inori, carregava Funrell nos braços, olhou para o garoto no chão e não entendeu muita coisa.
— O que está acontecendo com ele?
— Deixe-me ajudá-lo — falou a menina de cabelos róseos tentando se soltar da mão do loiro que a segurava.
O lado esquerdo do rosto do moreno começou a cristalizar, como se ele estivesse canceroso, mas não estava; abriu os olhos, estavam vermelhos como sangue, aquele não era o Shu que conheciam, o braço cristalizou em seguida e adquiriu uma cor escura como se fosse gangrena, linhas luminosas, em forma de teia de arranha, surgiu ao longo do braço, sua perna também se transformou, em menos de 5 minutos o lado direito de seu corpo estava mudado. Contorcia-se no chão de dor, era como se sua carne queimasse; ele era assistido por três telespectadores que não estavam compreendendo nada: Tsugumi, Gai e Inori, que assistiam a tudo com olhos arregalados e incrédulos.
— O que está havendo ai? — a voz de Ayase saía através de Funrell, ela estava conectada ao robô que servia como comunicador, tudo graças à Tsugumi.
— Precisamos sair daqui enquanto ele está no chão — disse Gai tramando uma solução na cabeça.
— Não podemos deixá-lo aqui. Estamos falando do Shu! Um agente funerário! — gritou Inori mais para si mesma que para os outros.
— Se não formos, aqui será nosso túmulo. Maldito Segai! Aquela Arma... Só pode ter sido isso.
Os três recuaram aos poucos procurando um lugar para se esconder. Inori recuperou as armas que havia jogado no chão, caso fossem necessárias.
Shu havia parado de estremecer, ficou quieto como se tivesse tentando entender o que estava acontecendo. Usou o novo braço como apoio para levantar-se, conseguiu ver os três perto do púnico poste intacto naquela rua, a van perto dele ainda com o motor ligado e a aparelhagem dentro dela funcionando. Materializou em sua mão de cristal o void de Yahiro, fez um movimento brusco e a van explodiu; foi nesse momento em que os três fugiram sem olhar para trás, entraram dentro de um prédio na extremidade da rua, subiam as escadarias tentando chegar o mais alto possível. Tsugumi relatava tudo a Ayase através de Funrel, Gai estava arquitetando um plano, Inori tinha a solução de todo aquele problema, mas seria difícil chegar perto de Shu sem que ele atacasse. Entraram no salão de festa no 7º andar, Gai olhava pela janela procurando por sinais de que Shu se aproximava — seu mais novo inimigo.
— Precisamos de sua ajuda, Ayase. Estamos em maus lençóis. — falou Gai. — Tenho um plano, mas receio que um Endlave e uma bazuca não sejam possíveis no momento, então voltamos à estaca zero.

