Naquele mesmo entardecer
Por mais generoso que aquela tarde pudesse ser,tendo encontrado esplendorosos livros e uma dama a qual me encantei,pensamentos tomaram conta de mim e por um segundo a confusão se apossou de minha mente,enquanto dobrava as camisas de Hanz de um modo totalmente angular e simétrico dentro de um armário grande com cheiro de mofo, me lembrava do que acontecia por fora daqueles altos muros de tijolos acinzentados, me lembrava o que acontecia por entre aqueles arames e aqueles dormitórios de madeira,me lembrava oque cada machucado na pele de Ewa significava,tanto para mim,quanto para ela.
Me retirei do quarto lentamente e desci novamente para a biblioteca,já era quase noite e o cheiro de comida invadiu minhas narinas como o leve perfume de grama recém cortada e roupa limpa de Ewa quando a vi pela primeira vez,quando me sentei naquela poltrona verde me senti penetrado por seus olhos e cativado por suas doces palavras,me perguntava se seu coração pertencia a algum outro ou se poderia toma-lo pra mim e cuidar daquele pequeno ser,que aparentemente passava fome,por suas mãos esqueléticas e sua pele apática e sem vida,mas que,apesar de tudo,emitia mais vida que eu mesmo.
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