Manhãs em cidades pequenas eram curiosas. Para os resolutos de pouco sono, acordar com o negro da noite se diluindo pouco a pouco e ganhando tons mais claros conforme as horas passavam era um ato de união ao desconhecido, como se um mero estalar de ossos ao se espreguiçar quebrasse esse elo mágico mas ainda assim, com o silêncio profundo e a falta de vida senciente fazendo seu comumente ruído algo sem nome permeasse o ambiente dentro das casas e seguisse pelas ruas. O amanhecer em cidades pequenas poderia ser descrito como um ato de igualdade entre homem e terra e os animais domésticos pareciam entender isso como ninguém, dominando muros e calçadas sem preocupação alguma sobre aqueles de pouca sorte que estavam tão atentos quanto eles naquela hora ímpia.
O orvalho da manhã depois de uma noite chuvosa era o detalhe magistral diante ruído de seus tênis pesando sobre os grânulos da calçada durante uma de suas caminhadas matutinas e, enquanto o ar frio o agraciava, saudando seu hábito de exercícios, sua pele começava a suar por debaixo das roupas e mesmo assim ele persistia em sua corrida, apreciando a paisagem ao redor enquanto podia. Era uma vista para além do comum que sua mente sempre ansiosa gostaria de poder eternizar em algum canto de sua memória.
Em breve ele não estaria mais ali e seu costumeiro hábito teria de ser mudado, ele perderia aquela paisagem para outras e nisso, seu sono se desregulara com ele acordando mais cedo do que estava acostumado.
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