O sangue escorre.

Com paciência calma e tortuosa trilha caminhos rubros na magreza pálida, nas feições profundas. Mancha o rosto branco com o vermelho vivo; traga a atenção dos olhos ao vértice hemorrágico.

O nariz, retorcido em ângulo impossível, é a nascente do rio escarlate.

E o sangue escorre. Pinga sobre a pia. Empoça sobre o tampo de mármore e desliza na superfície recurvada; escorre pelo ralo e gorgoleja para os canos.

Shuuji ri. Encara o reflexo do rosto.

A imagem deformada lhe estende um sorriso branco de volta, que se mancha com seu cheiro e gosto de ferrugem; que perde a brancura e perde também o sentido. É um sorriso torto aquele, afogado de vermelho.

Ergue os dedos doídos e há sangue, sangue sob as unhas.

São hastes longas, as que saem de suas mãos. Longas, escuras e arroxeadas. São seus dedos partidos, percebe, e toca com eles a viscosidade morna incompreensível. Espalha-a.

Ainda escorre.

Do nariz ao queixo, pela máscara encarnada. Escorre.

Há sangue na pia. Há sangue em seu rosto. Há sangue nas unhas, nas palmas, nas mãos.

A imagem refletida é aos poucos traçada com a tinta vermelha fresca, e é o desenho da sua face, recoberto com seu sangue. Ri outra vez – não é um desenhista! Surpreende-se com isso ao encarar a fidelidade nas formas corretas: a caricatura exata da desfiguração humana.

Macula com os dedos o espelho e, na claridade doentia do banheiro, percebe os sentidos se apagando como lâmpadas.

Cai, mas não há dor.

(Há sangue em todo lugar)

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