Miranda Lancaster avançava graciosamente pela rua, depois de descer do ônibus, tentando não deixar que um palavrão escapulisse por seus lábios ao lembrar que seu carro ainda estava consertando. O vento frio agitava seu casaco e a fazia estremecer, embora estivesse devidamente agasalhada para o clima que fazia em Ravendale. Não andava depressa, mesmo que estivesse atrasada para o enterro de sua tia; ela era a irmã de seu pai, e Miranda não queria encara-lo ou a ninguém que estivesse no cemitério. Só iria até lá para depositar as flores em seu túmulo.
Como imaginava, ao adentrar o bonito e melancólico cemitério, avistou um pequeno aglomerado de pessoas de sua família paterna — com a qual nunca fizera questão de ter muito contato. Conseguiu ver seu pai, que à vista de todos tentava parecer um homem exemplar e ao seu lado estava a mulher que arranjara alguns meses após o divórcio com sua mãe. Seu meio-irmão Matthew estava ali, parecendo contrariado; sabia que ele não gostava de enterros. Havia um padre rezando — sua tia fora católica — e um aparente noviço o auxiliando.
Sentou em um túmulo afastado — com certeza seu dono não iria se importar—, permanecendo escondida dos olhares das pessoas e aguardou a cerimonia se encerrar. Não demorou muito, logo o caixão havia sido descido e o buraco coberto de terra. As pessoas foram embora. Seu pai permaneceu alguns momentos, trocou algumas palavras com o padre e o noviço, e então se retirou. Miranda permaneceu alguns minutos abaixada, aguardando, e quando era a única no lugar, se levantou. Caminhou com calma até o túmulo e encarou a lápide cinza.
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