Darriane recusava-se a acreditar que mais um dia se iniciava. A luz da manhã invadia seus aposentos com uma alegria ameaçadora. Enrolou-se no seu manto e caminhou lentamente ate a janela. Fechou as cortinas, controlando sua raiva para não rasgá-las; pois, apesar de caras, eram presente de sua amada mãe e Rainha, que jazia no bosque do palácio. mandou sua serva acender as velas, e à outra, banhá-la.
Evitava pensar. Se pensasse, em qualquer coisa que fosse, surtaria. Era a primogênita, e teria de apresentar-se como exemplo, como sua mãe lhe pedira que fosse. Não, não pensaria naquele dia. Vestiu-se com seu melhor vestido, de seda, azul escuro como o céu da escuridão. penteou, ela própria, seu cabelo, pois a presença humana de suas criadas lhe incitava fúria. Trançou de lado seus fios negros como o véu da morte e calçou suas sandálias. Pensou no porvir, e dominada pela ira de estar desesperada lançou os archotes ao chão, com a força do Vento. E com o seu vento interior, invocou um tornado em seu quarto. Por que diabos sua mãe lhe fizera tal desgraça? Ergueu sua mão direita e tudo voava ao seu redor com uma velocidade que não podia ser calculada. Por fim, abaixou e fechou a mão com força massacrando todos seus móveis e objetos com o seu Vento. Disse às criadas que somente limpassem o quarto e trouxessem colchões novos.
Saiu, então, pronta para proceder como sua mãe lhe ordenara no leito da morte. Desceu as escadas íngremes, preparando sua postura autoritária, até o salão de jantar, para juntar-se à seus irmãos e irmãs, no desjejum. Nymeria — a mais nova — estava despenteada, com suas vestes amarrotadas e os olhos vermelhos e inchados. Vivianne estava arrumada, penteada, mas seus olhos vermelhos também a denunciavam.
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