Canção Da Tragédia
Canção Da Tragédia
Capítulo 11 min de leitura

Capítulo Único

Não te fies do tempo nem da eternidade,
que as nuvens me puxam pelos vestidos
que os ventos me arrastam contra o meu desejo!

A seda, meio-tom em púrpura, revoa nos frescores da imensidão esmeraldina.
Vê-se o infindo meneio sob a pradaria; do clero, à si, extenuante.
Diz-se à menina:
"É nada senão teu império, donzela loura cuja o riso belo detém de um destemor espantante".

Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te vejo!

Sobrevém repentino instante, — de somente um arquejo -, a bochecha cumprimenta o orquidário no relevo das brumas.
Dilui-se pupilas pela premência, pranteia o amante suas injúrias.

Aparece-me agora, que ainda reconheço
a anêmona aberta na tua face
e em redor dos muros o vento inimigo…

Rega as débeis pétalas o aio querido, com o sódio nas orbes evanescentes.
O cardíaco pulsa tênue ao pavor.
Suas mãos conjuntas entrelaçam as falanges. E descolora-se a face, já transparente.

Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te digo…

Foi-se Kenny, sua etérea paixão.
Deus que a tenha! Era ainda tão pubescente!

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