Black Bride.
Black Bride.
Capítulo 16 min de leitura

Black Bride

Ela era uma garota como qualquer outra. Morava numa casa confortável, tinha uma família perfeita: um pai e uma mãe que a amavam muito e um irmãozinho mais novo super-fofinho.

Ela sempre estava com um sorriso no rosto, estava sempre feliz, sempre alegre; amada por todos os seus amigos. Era uma ótima estudante e se formou entre os melhores alunos de sua faculdade. Mas ela não ligava para nada disso, tudo o que lhe importava era seu amado.

Ele era o mais perfeito dos garotos. Ninguém saberia dizer se ele tinha algum defeito e ela (mesmo que ele tivesse algum defeito) não se importaria de forma alguma. Era um amor puro e jovial, mas ainda parecido com aqueles amores imaturos de adolescente.

Depois da formatura, os dois ficaram juntos. Faziam tudo juntos. Tornaram-se parceiros, cúmplices, verdadeiros amantes. Nunca se decepcionaram um com o outro, e todos ao redor sempre imaginavam que essa perfeição (tão inusitada nos dias atuais) iria terminar... Mas não terminava.

Quando aconteciam situações em que até mesmo os casais que mais se amam brigariam, estes dois continuavam firme e forte um do lado do outro. Nada os separava. Muitos pensavam no por que disso, mas o que poderia ser? Existe realmente alguém que consiga amar e ser amado assim? Não deveria haver brigas e afastamentos que muitas vezes põem à prova nossos sentimentos, nos fazendo pensar se realmente estamos fazendo a coisa certa, se vale mesmo à pena continuar nisso?

Com eles não havia nada disso.

Passaram-se anos e mais anos e os dois continuavam juntos. Porém, quando fazia mais de vinte anos que os dois estavam juntos, os pais do casal começaram a perguntar quando seria o casamento.

O casamento. A cerimônia que torna duas pessoas em uma, que abre as portas para uma família e diz criar laços que apenas a morte poderia separar.

Os jovens não pensavam nem um pouco nisso. Para eles estava ótimo como estava. Eles eram felizes como eternos amantes e não viam necessidade de uma cerimônia para deixar isso ainda mais claro. Mas os pais insistiam e insistiam em seguir as velhas tradições. Vendo que não havia como mudar a opinião dos pais, os dois resolveram se casar.

A cerimônia teria toda a pompa e circunstância que os pais queriam: flores, bolos, carruagens... Tudo. A garota, que agora era uma mulher adulta e de uma beleza exuberante, saia com sua mãe e madrinhas para comprar o vestido, enquanto o garoto, agora um homem feito e de semelhante beleza ia com seu pai e padrinhos comprar os ternos.

Um ano. Este foi o tempo que demorou para tudo ficar pronto.

O casal fez uma coisa um tanto diferente: eles passaram a noite anterior ao casamento, juntos. Normalmente, o noivo e a noiva ficam em hotéis ou em lugares diferentes até que se encontram no altar, mas para eles, como aquilo tudo não passava de uma brincadeira, resolveram fazer assim.

Antes que o primeiro raio de luz do Sol pudesse cruzar o quarto, o noivo acordou e sentou-se com as pernas para fora da cama. Depois de alguns minutos, deu um longo suspiro e se levantou.

...

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Quando o Sol já se levantava no horizonte, a noiva despertou. Passou a mão pelo lugar onde seu amado havia dormido, à procura deste, mas tudo que sentiu foram os lençóis frios. Abriu os olhos com um pouco de dificuldade e olhou meio desacreditada.

Levantou-se. Imaginou que ele tinha se levantado mais cedo e sentiu o cheiro de biscoitos vindos do andar debaixo. Andou até o banheiro e lavou o rosto. Desceu calmamente as escadas e encontrou um prato com vários biscoitos de chocolate (seus favoritos), mas nem sinal dele.

Caminhou até a mesa e pegou um dos biscoitos do prato. Olhando para os lados à procura de quem os havia feito, notou um pequeno bilhete na mesa. Pegou-o e leu.

...

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Subiu as escadas novamente e se trocou. Colocou um vestido preto, que ela tinha usado no velório de sua bisavó, que falecera há dois anos e antes de sair, pegou uma sombrinha de renda preta. Saiu.

Caminhou pelas ruas desertas enquanto segurava um papel em suas mãos (seria o bilhete de mais cedo?).

Depois de algum tempo, chegou até uma florista e pediu-lhe um buquê das rosas mais vermelhas que tivesse. Agora segurava o buquê e o papel em uma mão e a sombrinha na outra.

...

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Finalmente chegou até onde queria.

Depois de passar por uma enorme floresta, chegou até uma lápide em forma de cruz, onde um corvo estava pousado em cima. Caminhou até bem perto dele e deixou o buquê ali.

Em seguida, pegou um pequeno punhal de dentro de sua manga e cortou seu pescoço.

...

...

...

“Bom dia meu amor! Espero que tenha dormido bem.

Perdoe-me por não poder desfrutar destes biscoitos que você tanto adora junto a você. Mas eu tive um sonho noite passada.

Nele não via nada além de sofrimento e uma vida cheia de tristeza e dor. Também vi você, que tinha deixado de lado sua feminilidade e se tornado uma dona de casa amarga. Eu também estava lá, era um marido ciumento e que não suportava ver você sendo olhada pelos homens na rua... Eu partia para a violência inúmeras vezes.

Eu queria gritar. Não queria mais olhar para tudo aquilo. Foi quando percebi que aquele poderia ser muito bem o meu futuro o nosso futuro.

Então para impedir isto de acontecer, resolvi antecipar a situação que o padre nos diria hoje mais tarde.

Nunca irei dizer adeus, porque saiba: meu coração estará sempre com o seu. Tudo que digo, são as três palavras que eu mais te disse nestes anos todos que estivemos juntos:

Eu te amo”.

Perfeição não existe e nunca vai existir.

Tolos são aqueles que pensam que no dia seguinte irão acordar e o mundo estará perfeito e completo. Isso só acontece na mente das pessoas.

Por mais que sua vida seja dita como perfeita, sempre pode acontecer alguma coisa que a tornará imperfeita e defeituosa, mas então, não é isso o que nós, humanos, somos? Seres imperfeitos cheios dos mais diversos defeitos?

Não tenha medo de admitir que errou. Porque o erro é nada mais do que um aprendizado. Quando erramos, temos duas escolhas: insistir nele e continuar errando ou modificá-lo até se tornar certo.

É como dizem: “Caímos para aprender a levantar”.

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