Quando abri meus olhos, percebi que não estava morta. Ou estava? Eu ainda não tinha certeza. Eu não sentia mais o meu coração batendo, nem meu sangue circulando em minhas veias. Mas eu ainda respirava. Como?? Meu corpo estava mais gelado que o normal (tá, eu sempre fui mais gelada que o normal e isso não conta) e eu estava deitada em algum lugar igualmente gelado. Olhei ao redor e não reconheci nada. Onde eu estava? Eu vestia uma camisola branca e estava descalça. Fiz uma força enorme para conseguir me sentar, já que meu corpo parecia ter sido atropelado por um caminhão ou algo assim. Eu sentia muita dor, meu corpo inteiro doía e minha cabeça parecia que iria explodir em poucos instantes. Pisquei algumas vezes para tentar aliviar a dor e percebi que de olhos fechados a dor quase passava. Olhei pra cima e a luz quase me cegou. Droga! Por que meus olhos ardem tanto?? Tentei me lembrar de qual foi a última coisa que tinha acontecido para que fosse parar em um lugar tão estranho, mas nada vinha à minha memória. De repente me lembrei de uma pessoa: Erik. Ele estava comigo, ele deveria saber o que tinha acontecido. Desci da ‘cama gelada’ e fiquei de pé, me apoiando na beira da cama para não cair. Olhei pro lado e avistei alguns aparelhos estranhos em cima de uma mesinha de aço. Cheguei mais perto com cuidado para não fazer barulho e não chamar a atenção de quem quer que estivesse por ali, e fiquei em choque quando percebi o que eram aquelas coisas. Aparelhos de autópsia!! Só então me dei conta de onde realmente eu estava.
- oh merda!! Eu estou no necrotério!!! – deixei escapar quase gritando.
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