Não sei como reagir. Ele lembrou-se de mim. Day lembrou de mim. Ficamos frente a frente alguns minutos sem dizer nada, apenas estudando um ao outro. O reconhecimento no rosto de Day vem e vai à medida que me olha. Ele parece estar tentando se concentrar. Ao nos apresentarmos senti uma pontada de esperança, mas não consigo deixar de sentir culpa e tristeza também. Eu deveria ficar longe dele, ficar comigo é sua ruína. E pior do que ficar longe de Day todos esses anos, é ficar e ser novamente aquela que trás tristeza ao seus olhos. Uma culpa por amar a responsável pela morte da família.
De repente, minha esperança de estar com ele novamente é massacrada por um sentimento sem nome e devastador. Interrompo o silêncio entre nós, fazendo com que ele se surpreenda. O sorriso em seus lábios faz com que eu pare de pensar em tudo, então olho para baixo rapidamente, dou uma desculpa idiota e saio de lá às pressas. Eu sabia que o veria novamente, hoje, na casa da Tess. Mas agora eu precisava de um tempo pra mim.
Fui rapidamente para o meu apartamento. Tentei pensar em quanto tempo se passara desde o nosso encontro, mas pela primeira vez em anos eu não conseguia pensar logicamente. Entrei para o meu quarto e antes de cair na cama, já estava em prantos. Chorei de felicidade por revê-lo. Chorei por ter me reconhecido. Chorei por saber que mais cedo ou mais tarde, ele se lembrará de tudo. De tudo que eu era antes de juntar-me a ele.
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