Era um dia escuro e chuvoso.
O hospital estava praticamente vazio.
Eu andava de um lado para o outro, preocupado. Mesmo que pessimista, rezava para que tudo corresse bem.
Leiko havia acordado em desespero, a bolsa rompeu.
Havia levado ela as pressas para a UTI, e agora ela estava em trabalho e parto. Eu estava muito preocupado com GoGo, afinal, o médico disse que, no caso dela, não era seguro ter um parto normal, ele disse que tanto ela quanto o bebê corriam graves riscos — Leiko tem um corpo pequeno, poderia não ter forças para realizar o parto por si só.
E se ela não conseguir? E se o bebê não conseguir?
Eu mal consigo — nem posso — imaginar minha vida sem Leiko. Eu preciso dela.
Tentei afastar esses pensamentos terríveis de minha mente, mas eles ainda ficaram lá, me perturbando.
A cada momento que o ponteiro do relógio se movia, mais nervoso eu ficava.
Por que essa demora?
Passaram-se horas, e finalmente a porta se abriu. Tudo que eu pude ouvir era... o silêncio.
Não escutei um choro de bebê, tampouco a voz de minha esposa.
O médico aproximou-se de mim, indiferente. Conforme eu escutava as palavras ditas por ele, lágrimas começaram a se formar em meus olhos.
–N-não, — gaguejei entre soluços — i-isso não é possível!
–Sinto muito.
Não, isso não é real.
Por favor, não...
GoGo...

