Versos na Borda do Lençol
Versos na Borda do Lençol
Capítulo 12 min de leitura

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Muito cuidado:

Amar

Não é.

Nada disso que você está pensando.

Não é plenitude ou bem estar

Não é perigo nem radicalizar.

Não confunda

amor e felicidade.

Não se engane

Não se iluda.

Não confunda; amar

É a dor mais profunda,

O engasgar silencioso e oco

O morrer periódico e sem fim.

Amar é assim.

A tolice

Mais surda, cega e muda.

Sentir-se passivo e inútil

O mais passivo e inútil do mundo!

Porque a pessoa amada próxima,

Tão próxima que posso tocá-la,

Está tão longe...

Posso vê-lo,

No entanto já não posso.

O perto mais que distante,

Estilhaça-me você nos braços de mais uma...

Amar não é,

Não é lá o que dizem.

A verdade?

Amar é insuficiente.

O humano?

Ama com as mãos,

Com lábios e gritos,

Corpo no outro,

Beijo na nuca...

(Não é mesmo, caro mestre?)

O perigo saliente – que apetece

O amor é deveras estável

Já o calor, desejável.

Qual a graça de deixar-se

Ao sabor de momentos mundanos,

Se o ópio é do bom e dura pouco?

Quero entregar-me

E gritar por ti...

No fim das contas,

é uma percepção atroz.

O amor é civilizado demais

Para animais como nós.

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