Muito cuidado:
Amar
Não é.
Nada disso que você está pensando.
Não é plenitude ou bem estar
Não é perigo nem radicalizar.
Não confunda
amor e felicidade.
Não se engane
Não se iluda.
Não confunda; amar
É a dor mais profunda,
O engasgar silencioso e oco
O morrer periódico e sem fim.
Amar é assim.
A tolice
Mais surda, cega e muda.
Sentir-se passivo e inútil
O mais passivo e inútil do mundo!
Porque a pessoa amada próxima,
Tão próxima que posso tocá-la,
Está tão longe...
Posso vê-lo,
No entanto já não posso.
O perto mais que distante,
Estilhaça-me você nos braços de mais uma...
Amar não é,
Não é lá o que dizem.
A verdade?
Amar é insuficiente.
O humano?
Ama com as mãos,
Com lábios e gritos,
Corpo no outro,
Beijo na nuca...
(Não é mesmo, caro mestre?)
O perigo saliente – que apetece
O amor é deveras estável
Já o calor, desejável.
Qual a graça de deixar-se
Ao sabor de momentos mundanos,
Se o ópio é do bom e dura pouco?
Quero entregar-me
E gritar por ti...
No fim das contas,
é uma percepção atroz.
O amor é civilizado demais
Para animais como nós.
