Um final feliz para Gin e sua Hotaru
Um final feliz para Gin e sua Hotaru
Capítulo 16 min de leitura

Capítulo 1

– Hotaru, vem! Finalmente posso te tocar.

Não conseguir me segurar nem mais um segundo ao ouvi-lo falar aquilo, finalmente podia toca-lo. Mas quando o toquei minha alegria durou pouco, em pouco segundos apenas suas roupas estavam em meus braços.

–Não!- Dentro de mim eu gritava, mas por fora apenas conseguia sentir as lágrimas não parecia real, em um momento ele estava lá e agora não estava mais.

Me levantei chorando muito ainda abraçada aquelas roupas. O seus amigos espíritos começaram a chegar perto,imagino que eles foram com Gin quando o viram chorando, se aproximaram para consola-lo.

Mas não conseguia mais aguentar, a dor em meu peito começou a ser muito forte e então gritei:

– Não! Por favor não, por favor eu faço qualquer coisa por favor, tem que haver uma maneira.

Então o espírito raposa se aproximou e me disse.

– Há uma maneira mas é praticamente impossível.

– Por favor, me diz o que é, eu faço qualquer coisa, então por favor me fala.- disse em tom desesperado.

– Bom o deus da floresta usou magia pra transformar o corpo de Gin em espírito, talvez ele possa transformar ele de volta em humano, mas você terá que entregar algo que pertencia a Gin.

– Tenho a máscara e as roupas dele, será que será suficiente?

– Bom não sei, e também ele poderia voltar de novo como espírito e não como humano.

–Por favor, qualquer coisa, eu faço qualquer coisa, por favor precisamos tentar- eu disse já entre lágrimas.

– Tudo bem, mas lembre-se ele só fará alguma coisa se sentir compaixão por você como sentiu por Gin quando ele chegou chorando.

– Entendo, por favor, vamos tentar.

Os espíritos então se afastaram e começaram uma espécie de prece, as luzes mágicas nas quais Gin havia se transformado ainda flutuavam no ar. Quando de repente uma luz muito forte começou a brilhar atrás de mim, me virei, e pude ver aquela luz. Era verde como a floresta, mas também tinha raios brancos e amarelos.E então o deus da floresta começou a falar.

– O que há? Já fazia tempo que não me chamavam.

– Senhor — disse o espírito raposa — essa é a humana amiga de Gin, e ela tem um pedido.

– HUM, uma humana, pois bem! O que quer humana?

– Senhor deus da floresta, por favor use sua mágica pra trazer o Gin de volta. — disse estendendo suas roupas e máscara em direção aquela luz.

– Diga humana, o que sentia em relação a Gin?

– Eu o amava! Não! Eu o amo, eu sempre vou amá-lo, por favor, eu faço qualquer coisa, por favor!

– Se eu o trouxer de volta, ele será humano, e finalmente poderá tocá-la, mas como humano também estará sujeito a tudo que um humano está sujeito, todas as doenças, acidentes, sentimentos, ele poderá não amá-la mais, poderá traí-la, poderá seguir com a vida dele, poderá fazer o que quiser de sua vida, e não poderá mais viver aqui. Tem certeza de que é isso que ele queria?

Era verdade que o fato de que teria Gin de volta era tentador, mas será que queria voltar a ser humano? Será que ele me ama tanto assim a ponto de ir embora comigo, e não morar mais aqui?

– Bom,- disse entre lágrimas — nunca pensamos que ele poderia voltar a ser humano, então nunca perguntei se ele gostaria de voltar a ser hu...

– Então humana — o deus da floresta disse me cortando — quer que eu o traga de volta baseada apenas em suas próprias vontades e sentimentos?

– Bom eu... eu...- Eu não sabia o que dizer, era realmente algo que apenas eu queria?- Eu o amo, eu só quero tê-lo de volta.

– Senhor,- os espíritos começaram a falar-Ele também a amava, nós temos certeza de que é isso que ele queria senhor, ele queria poder estar com ela pra sempre.

– Eu me responsabilizarei — Eu disse já desesperada — eu prometo cuidar dele, prometo fazer tudo que posso pra mantê-lo sempre saudável, e seguro, e mesmo se ele não me quiser e me abandonar, eu prometo que nunca o deixarei sozinho. Então por favor, eu imploro, por favor o traga de volta.

Ouve silêncio, e um vento forte começou, fazendo com que eu sentisse ainda mais as lágrimas que desciam em meu rosto, de repente a máscara e roupa começaram a flutuar, e aquelas luzes mágicas começaram a voltar, era tão brilhante que não conseguia olhar, tapei meus olhos com minha mão enquanto me abaixava, para escapar da força do vento, de repente as luzes formavam o corpo de Gin, e então ele estava lá de volta, envolto em suas roupas, lentamente caindo, corri em direção a ele, e ajoelhada esperava por sua chegada, finalmente aquele corpo chegou ao chão, com a cabeça dele em meu colo eu o abracei. Não conseguia acreditar, ele estava finalmente ali, eu podia tocá-lo, ele parecia estar acordando de um sono profundo, e me abraçou devagar, enquanto suas lágrimas também caíam.

– Hotaru, é você mesmo? Isso não é mais um sonho?Eu estou mesmo vivo?

– Sim, você voltou, voltou pra mim, e agora podemos ficar juntos pra sempre.

–Espero que cumpra sua promessa- o deus da floresta me disse- Gin, agora você é humano e como humano, não poderá mais viver aqui, se despeça de seus amigos e parta.

Gin ainda fraco se apoiou em meus ombros e ficamos em pé, ele então fez um reverência e disse:

– Muito obrigado! deus da floresta, você salvou minha vida duas vezes, e por isso serei eternamente grato!

Nos despedimos de todos, e com Gin ainda apoiado em meus ombros fomo pra casa de meus tios.

– Hotaru! — minha mãe gritou nervosa- finalmente quando acordei e vi que não estava lá sabe o quanto preocupada fiquei...

Ela parou de falar quando percebeu que eu estava acompanhada.

–Quem é esse Hotaro?- ela indagou.

– Primeiro me ajudem a deitá-lo.

Meu tio logo o pegou em seus ombros e o carregou até o quarto onde minha tia estendeu o Futon para meu tio deitá-lo.

–Mãe, tios, esse é Gin.

– Gin! — minha mãe exclamou um pouco alto demais.

–Shh! não grite — eu disse.

–Mas esse Gin não era um espírito da floresta que você inventou quando criança? — meu tio perguntou.

–Gin nunca foi fruto da minha imaginação, isso é o que vocês sempre quiseram acreditar. Mas eu sempre disse que ele era real, e agora ele é humano.

– Mas como assim?- minha mãe disse ainda assustada.

Expliquei a eles tudo o que havia acontecido, e mesmo ainda assustados eles não puderam duvidar, vendo que a prova maior estava bem na frente deles.

– Mãe tem mais uma coisa, Gin não está acostumado com cidades grandes, então se não for incomodo pra vocês- disse olhando pros meus tios- gostaria de morar aqui com ele, pelo menos até terminar meus estudos, depois eu e ele poderemos começar a trabalhar e ter nossa própria casa. E então tio, tia , podemos morar aqui?

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