Fugir de um internato em um canto de Nova York para o outro lado da grande cidade não é nada fácil Sair do acampamento meio sangue para estudar na Justince foi a ideia mais estúpida que já havia feito. Veja só, meu nome é Lion, tenho 12 anos e moro em Nova York. Minha mãe morreu a dois anos atras em um acidente de avião. Meu pai é Hermes, é esse mesmo, Deus mensageiro, dos viajantes e dos ladrões. Minha mãe adorava viajar, deve ser por isso que Hermes se apaixonou por ela. Eu nunca tinha falado com meu pai, mas eu nem mesmo ligava para isso. Eu sentia muitas saudades da minha mãe, mas não adianta eu ficar lamentando, eu tinha que seguir em frente, mesmo sabendo que a vida de um semideus é curta. Eu só tinha duas escolhas, ou ir para um colégio inteiro por um ano ou ficar o ano inteiro no acampamento. No meu primeiro ano decidi ficar lá, o acampamento era legal mas mesmo assim não tinha muita coisa para fazer o ano inteiro, e eram muitos poucos campistas que ficavam. Eu não tinha amigos no acampamento, todos eram legais comigo e eu achava eles legais só que eu era mais quieto e reservado e todos já tinham seus amigos, mas eu gosto de ser solitário. O problema agora era que ou eu fugia do internato agora ou eles iriam me mandar para um orfanato no dia seguinte, e, acredite em mim, fugir de um orfanato é muito mais difícil do que fugir de um internato. Quando minha mãe morreu me mandaram para um, ela havia me contado sobre meu pai na noite anterior e eu já estava pronto para ir para o acampamento, ela disse que um sátiro iria me buscar pela tarde, o acidente aconteceu de manhã e assim que souberam me levaram para um orfanato pois não tinha outro responsável por mim. Ben, o sátiro que me enviaram, me ajudou a fugir. Ele distraiu as supervisoras que cuidavam de nós enquanto eu fugia. Orfanatos podiam não ter grade de segurança ou muros super altos mas haviam poucas crianças e vários supervisores. Peguei um ônibus correndo enquanto Ben ainda distraia as superisoras então não foi tão difícil.
Dessa vez não havia nenhum sátiro para me ajudar. Tinhamos um passeio de final de ano da escola, o primeiro que eu participava, eu sempre me metia em confusão e ficava de detenção no dia pois a maioria das oito escolas em que estudei tinham dó das crianças e não a expulsavam, davam uma segunda chance para elas. Pra mim foram muito mais do que segundas chances.
Meu plano era pedir para o onibus parar em algum lugar da cidade para eu “ir no banheiro”. Provavelmente teria uns cinco minutos até começarem a procurar por mim, eu pegaria um onibus que passaria as duas horas perto de uma lanchonete e iria para o acampamento. Com sorte eu iria conseguir chegar no acampamento antes da policia ser acionada e em algumas semanas todos já iriam se esquecer da criança fugitiva. O problema seria passar por perto daquela lanchonete um pouco antes das duas horas.
Para uma criança com TDAH ter noção de tempo era um grande problema, por isso eu, hã... digamos que eu encontrei um relógio jogado no patio da escola. Tudo que eu tinha que fazer era tentar atrasar todos se estivesse um pouco cedo de mais, é isso foi preciso. Primeiro falei que tinha esquecido de pegar meu dinheiro e voltei para dentro da escola. Eu trabalhava na biblioteca da escola um dia por semana, eu só ajudava Madalena, a secretária, minha dislexia não ajudava muito mas eu precisava de dinheiro para o onibus e foi a única maneira que consegui de ganhar dinheiro em um colegio interno.
Consegui atrasa-los por oito minutos, era o suficiente. Quando passamos pela lanchonete ainda faltavam dez minutos para o onibus chegar. Pedi para a professora para ir ao banheiro e o motorista parou um pouco mais a frente. Desci e fui devagar até a lanchonete, entrei lá dentro e me sentei em uma mesa no canto para que ninguem da nossa escola conseguisse me ver. O onibus chegou dois minutos depois, fui correndo para dentro dele e me escondi em um dos ultimos bancos. Assim que o motorista saiu vi Aniie, uma menina da minha escola, correndo para a lanchonete, aparentemente ela não me viu, mas mesmo assim me abaixei no banco para ninguém mais me ver.
-Se escondendo de alguém?
-Ben! – Eu disse me assustando sem saber como ele tinha aparecido no meu lado. Eu era um pouco desligado nos detalhes mesmo.
– Porque não foi me ajudar, cara? -Hã, foi mal, encontrei uma ninfa muito bonita no caminho e...
-Ben! – Dei um soco no ombro dele e ri.
Logo chegamos no acampamento, se chamaram a policia ela nunca iria me encontrar, não por dois meses, ou provavelmente mais tempo dessa vez. O acampamento estava igual, nada tinha mudado. Ainda havia poucas pessoas, as férias para a maioria dos campistas começaria apenas amanhã. Eu fui para o meu chalé e Ben foi procurar Grover, outro sátiro, melhor amigo de Ben. Deixei minhas coisas no meu beliche, só os irmãos Stoll e Luke estavam no Chalé de Hermes por enquanto. Luke devia estar em algum lugar com Annabeth, ele dizia ser só amigo dela, mas todos brincavam falando que rolava alguma coisa entre os dois. Ele falava que era muito velho para ela mas é claro que nós discordavamos. Na real eu acho que ele podia não sentir nada por ela alem de amizade mas sempre achei que ela gostava dele. Nunca falei isso para ela, pelos deuses se eu falasse, acho que estaria sem um dos braços. Eu não conversava muito com ela, apenas trocavamos um oi geralmente, como a maioria dos campistas. Os Stolls também não estavam no chalé, eu nem mesmo vi Quíron, mas não me importei, estava tão cansado que acabei dormindo no beliche de Travis, cara aquilo não foi uma boa ideia.