Tudo que não pudemos dizerPrólogo
— Não acha curioso como algumas obras conseguem expor a nossa própria solidão?
Presa entre as pinceladas e a sensação de impotência que a tela lhe causava, Melissa sentiu-se acordar, lentamente, daquele torpor típico diante de uma pintura que amava — com o tempo, aprendera a amar não só a beleza, mas o desconforto da arte. Ela se virou para encarar o homem ao seu lado, dono da voz desconhecida.
Ali, costumava ser invisível. Mas, por alguma razão, aquele rapaz alto e bonito, de olhos quentes e sorridentes, a notou.
— É quase um vitupério — concordou, com um meio sorriso. — Sermos expostos assim.

