— Penny, Penny, Penny — Sheldon batia na porta em frente a seu apartamento repedidas vezes, em um intervalo cuidadoso e certo a cada uma. A loira que estava sentada no sofá desempacotando caixas de papelão roubadas de supermercados levanta-se impaciente e a abre.
— O que você quer Sheldon?
— Gostaria de parabeniza-la por finalmente ter atinjido sua independencia e não ter nos acompanhado em nosso jantar.
— Mais alguma coisa ou só isso? — responde desviando o olhar para o sofá e a caixa de papelão que estava terminando de abrir.
— Vejo que esta ocupada, não voltarei a incomoda-la tão prematuramente — e assim o "vara pau" se retira do apartamento de Penny e esta volta as suas atividades.
— Porque a Penny não veio hoje? — pergunta Leonard antes mesmo de Sheldon terminar de atravessar a porta.
— Ela estava ocupada desenpacotando caixas, parece que comprou mais sapatos — voltando-se ao amigo, e lançando um olhar ameaçador, solta as previsíveis palavras — Você esta no meu lugar Howard!
***
— Quem era? — pergunta a garota ruiva sentada na cadeira da sala de estar de Penny.
— Meu vizinho, meus vizinhos são um bando de nerds, eu tomaria cuidado se fosse você ao passar na frente do apartamento deles, uma vez quase que uma um robô cortou minha perna com uma serra.
— Meu Deus, deve ser engraçado morar perto de gente assim — diz a garota ansiosa.
— Não, na verdade é bem sem graça quando o Sheldon me ensina como lavar roupa certo.
As garotas se voltam para as caixas, trocando assuntos variados sobre o mundo das celebridades e roupas, as vezes o assunto se voltava para a vida pessoal das garotas e trocavam ilusões amorosas.
— Seu sotaque é da onde? — pergunta Penny desviando mais uma vez o assunto principal.
— Sabe que eu não sei, deve ser uma mistura de Russo com Português e sei lá mais o que — responde a garota com linguagem vaga, ignorando totalmente o fato de saber falar duas línguas difíceis — mas e ai, o que aconteceu quando ele pediu pra ficar com você? Você deu um fora né?
— Calma, como assim Russo e português? — pergunta Penny assustada.
— É uma longa história, e é chata, tem certeza que quer ouvir?
— É verdade, acho que não — responde a loira fazendo uma careta de desaprovação — eu nem lembro quando foi a ultima vez que eu conversei com alguém normal, sabe aqueles nerds me deixavam louca as vezes.
— O que você disse a mim sobre o temperamento deles é bastante conclusivo — diz a garota em linguajar mais culto, fazendo a loira a sua frente ficar boquiaberta, logo a ruiva percebe o que havia feito e conserta sua frase — aqueles caras quase te atropelaram com um robô de serra, quem não ficaria louco com um figura dessas?
— Calma, calma, calma. Você é muito mais estranha do que eu imaginava, sabe falar duas línguas difíceis e ainda domina o inglês? Você é um nerd também?
— Não! É que eu morei por uns anos na Russia e no Brasil, porque a empresa do meu pai se mudava muito, ai aprendi os idiomas só isso! E o inglês qualquer pessoa é obrigada a saber.
— Ah tá, deixa isso pra lá, então como eu estava dizendo, é claro que eu dei um fora nele...
E assim passaram-se mais algumas horas de palavras jogadas fora e tempo gasto desembrulhando caixas. A garota ruiva torcia o olhar inquieto voltado a uma caixa de papelão camuflada sob outras, esta parecia ter algo secreto e precioso para a garota, ao qual não queria te-lo aberto na frente de Penny.
— Parece que apenas mudamos a bagunça de lugar, era melhor ter deixado na caixa e ter feito uma coisa de cada vez, olha a zona que ficou seu apartamento — diz a ruiva sorrindo, porém passando a mão na testa em sinal de preocupação — me desculpe Penny.
— Que é isso menina, você não sabe a zona que fica isso quando eu não tenho visita.
A garota sorri timidamente e estica as mãos para Penny, esta a segura e as duas trocam sorrisos vergonhosos.
— Obrigada pelo convite — diz a ruiva.
— De nada querida, obrigada você por ter aceitado. Está bem, agora vamos para de lésbiquices — eles soltam as mãos e a ruiva sorri e cora desfarçadamente — vamos dormir porque amanhã eu tenho que ser acordada as 11:00 pelo Sheldon me pedindo alguma coisa.
— A quanto tempo você suporta ele?
— Mais ou menos uns 2 anos.
— Boa noite Penny.
— Boa noite ruivinha.
Penny caminha cantando até seu quarto enquanto a garota intrusa tende a pegar a caixa que tanto azarava.
— "Ich hoffe, dass alles richtig" — sussurra estas palavras, com um significado de difícil interpretação "espero que tudo de certo". Ao certificar-se de Penny não estar mais presente, coloca em cima da caixa algumas roupas e a ergue, levando-na a seu quarto não montado ainda. Se senta em seu colchão inflável e abre a caixa, revelando muitos livros de estudo e diversão, assim como revistas em quadrinhos, bonecos de ação e cosplay dos mais variados personagens.