— Você já a viu? — Santana perguntou se aproximando de Quinn. Ela nunca admitiria, mas estava nervosa. O círculo estaria finalmente completo e elas teriam acesso a seu poder de direito. Tentando esconder a ansiedade, apoiou-se contra os armários numa pose que ela achava a fazia parecer legal.
— Ainda não — Quinn fechou o armário, virando-se para encarar a latina. — Isso é estranho. Ela sempre chega cedo, mesmo nos dias em que não temos prática pela manhã. — a loira não gosta quando as coisas não saem de acordo com o planejado. Agora ela estava se questionado se havia tomado a decisão certa ao esperar na escola. Será que ela devia ter ido até a casa da garota? Será que ela devia...
— Relaxe, Q — Santana disse despreocupada. Ela podia ouvir as engrenagens do cérebro de Quinn trabalhando. Ás vezes a loira se preocupava demais. — Hoje é o aniversario da garota. Vai ver, ela e o namoradinho bocó pararam no caminho pra fazer uma festinha particular. Se é que você me entende — acrescentou mexendo a sobrancelha e rindo da cara que a amiga fazia. Ela sabia que esse comentário distrairia a loira. Quinn é sempre tão austera. Santana já perdera as contas de quantas vezes aconselhou a amiga a ir dar uma boa foda pra desanuviar. Mas Quinn sempre ficava ultrajada e elas acabavam brigando.
— Você não tem ideia do quanto eu preferia não entender — falou pesarosa. Contrariando o que a maioria acreditava, as duas eram grandes amigas, e Quinn adorava Santana, ela realmente fazia. Mas há momentos em que a latina só é demais. — você simplesmente não tem ideia.
— Não seja tão puritana, Q — Santana pediu debochada.
— Não seja tão cadela, S. — a loira respondeu no mesmo tom.
— Oh, Quinn — a latina levou a mão ao peito em falsa ofensa. — sendo eu quem sou, como você pode me pedir uma coisa dessas? — disse exageradamente dramática. Rachel Berry ficaria orgulhosa se estivesse presente. — Você pediria a um pássaro para deixar de voar? A um peixe para deixar de nadar?
Quinn revirou os olhos, mas sorriu das palhaçadas da amiga. O que no final das contas era a intenção de Santana.
— Tanto faz. Onde está sua outra metade? — a loira perguntou mudando de assunto.
— Você sabe, não é porque estamos namorando que vamos andar por aí grudadas pelos quadris — Santana replicou em seu tom bitch habitual. Mas a loira não caiu nessa. Ela era a melhor amiga das duas desde sempre, e agora que Santana deixou de ser uma idiota e assumiu seus sentimentos para Brittany, elas estavam sempre unidas pelos mindinhos — Ok, — admitiu vendo o olhar cético no rosto de Quinn. — ela me pediu pra vir na frente enquanto conversava com Becky.
Alguns minutos depois a metade loira do casal veio saltitando pelo corredor. Parou ao lado da latina beijando-lhe na bochecha e deu olá a Quinn.
— Olá, Brit. Como vai?
— Não muito bem. Lord Tubbington voltou a fumar — respondeu olhando pro chão. Ela estava muito triste, essa era a sexta recaída só essa semana e hoje ainda é terça-feira. — Ele não quis conversar sobre isso, eu tentei convencê-lo a ir à reunião do grupo de apoio, mas ele ficou chateado e saiu. Hoje de manhã vi que ele me excluiu no facebook.
— Uhm... eu sinto muito, B. — Quinn tentou parecer solidária. Ela não entendia metade das coisas que a bailarina falava, mas aprendeu que essa era uma boa linha a dizer quando se tratava do gato. Ela já estava acostumada a ouvir sobre as estripulias do bichano.
— Não fique triste, Britt-Britt — Santana pediu. Ela não aguentava ver a namorada nesse estado. Ela precisava pensar em um meio de animar a loira. — O que você acha de irmos alimentar os patos mais tarde? — era batido, mas foi tudo no que ela conseguiu chegar.
— Eu não sei Sanny...
— Hoje de manhã passei pelo parque enquanto corria, e vi filhotinhos de pato — insistiu percebendo que devia ser mesmo sério. Brittany estava sempre entusiasmada pra ver os malditos patos.
— Sério? — perguntou abrindo o sorriso que a latina tanto amava. Santana assentiu. — então nós temos que ir — disse se animando. — Ai, Sanny, nós precisamos comprar fraudas pra eles.
— Claro, baby — Santana respondeu dando-se metafóricos tapinhas nas costas por ter feito Britt esquecer o gato gordo. Ela nem ligava que teria que pular a última aula pra ir atrás de filhotinhos pra colocar no lago.
Quinn sorriu ao ver o quanto Santana é dominada. Quem diria que a latina de fogo seria essa softy quando se trata da namorada?!
— Uhm... meninas? — Brittany chamou. — o que é mesmo que estamos esperando aqui? — ela sabia que era algo importante, só não lembrava exatamente o que.
— Não o quê, mas quem — Quinn respondeu sem olhar pra dançarina. Agora que seus pensamentos voltaram para o lugar onde deviam estar, ela ficou ansiosa novamente. — Amanda Davis, ela é a parte que falta do nosso círculo.
— Mas Q, se nós somos quatro, isso não seria um quadrado? — Brittany perguntou, confusa. Santana não se aguentou vendo o olhar incerto de Brittany e a cara pasma de Quinn.
— Ela tem um ponto lá, Q. Você tem que admitir. — a latina disse gargalhando.
— Sim, suponho que você tenha razão — Quinn respondeu devagar. Ela precisava lembrar que essa era Brittany no final das contas.
— Por que nós achamos que Amanda é a parte que falta no nosso?
— Você sentiu o poder despertando? — Quinn perguntou.
— Sim, foi incrível — os olhos de Britt brilhavam ao recordar. — Eu senti como se o meu corpo todo aquecesse. Estava debaixo da minha pele.
— É verdade, eu diria que envolveu meu coração se eu tivesse um — Santana comentou.
— Era como um orgasmo — Brittany concluiu feliz.
— É uma boa analogia, Britt-Britt — a latina colocou um beijo no pescoço da namorada. Brittany não sabia o que era uma analogia, mas se faria Santana beijá-la, ela ia querer analogias a toda hora.
— Ah, por favor, será que vocês duas podem parar com isso? — Quinn pediu levando a mão aos olhos. — Estou ficando enjoada. Ainda bem que não terei mais que aguentar vocês sozinha.
Ela não fala sério, baby — Santana falou quando viu Brittany ficando triste de novo. Às vezes ela só queria socar Quinn. A loira pode ser tão idiota — Certo, Fabray? — perguntou dando um olhar de: “É bom você dizer que sim ou eu vou chutar essa sua bunda branquela”.
— É claro, Britt — Quinn ignorou o brilho que a latina lhe enviava e se concentrou em concertar as coisas com a dançarina loira. — Eu só estava brincando. Você sabe que eu te amo e, durante a maior parte do tempo, eu nem sinto vontade de matar a Santana.
— Own, Fabray, estou lisonjeada — Santana pensou em uma nova forma de implicar com a loira. — Mas sinto muito, eu já tenho uma namorada incrível — pontuou dando uma piscadela pra Britt.
— Desculpe Q, mas a Sanny já é minha. Talvez você possa se arranjar com a garota nova — Brittany se empolgou com a ideia. Ela já podia ver, as quatro indo alimentar os patos, depois assistindo a pequena sereia, quem sabe elas poderiam cantar I Kiss I girl (da pequena sereia) pra prática de Glee.
— Britt, eu não... — Quinn começou, mas Santana interrompeu.
— Guarde pra si, Fabray. Eu realmente prefiro minha loira atual. — a latina adorava implicar com Quinn, ainda mais assim, quando conseguia fazer-se de inocente e Brittany não brigava com ela.
Quinn achou melhor deixar de lado e não responder as provocações de Santana. Ela tinha coisas mais importantes com as quais se preocupar.
— Como eu estava tentando explicar — falou voltando ao tema original. — Nós sentimos o poder despertar durante essa madrugada e Amanda é a única garota que faz 16anos hoje — Brittany abriu a boca pra fazer outra pergunta, mas Quinn já sabia qual seria e se adiantou. — Lembra quando pedimos pra você distrair a secretária da escola no ano passado?
— Sim, eu disse a ela que um pato precisava de ajuda para atravessar a rua.
— Isso — Quinn disse um pouco incerta. Ela não sabia que essa era a desculpa que a Britt havia usado. Da próxima vez seria melhor explicar-lhe exatamente o dizer. — Nesse dia Santana e eu copiamos as fichas de todas as garotas do primeiro ano. Depois fizemos algumas investigações e descobrimos que há muitos anos houve um boato de que a Sra. Davis tinha um caso com Jacob Corcoran.
Os Corcoran são uma das quatro famílias fundadoras de Lima. As outras três são: os Fabray, os Pirce e os Adams (sobrenomes adotados enquanto fugiam da Santa Inquisição por serem praticantes de bruxaria). As primeiras gerações residentes de Lima mantiveram suas tradições e praticavam magia apesar dos riscos, mas com o passar dos anos essa herança foi esquecida.
Cada família possui um livro, ele como é como um diário que conta sobre sua linhagem e contém milhares de feitiços. Há três anos, Quinn achou o livro de sua família e compartilhou seus segredos com Santana e Britanny. Desde então as três praticam pequenos feitiços e esperam pela quarta bruxa para completar seu circulo. Toda bruxa nasce em um círculo que é constituído por quatro pessoas.
Apenas as mulheres carregam a magia. Depois de completo, o círculo ganha quatro guardiões masculinos. Cada guardião é destinado a uma bruxa com quem desenvolve uma ligação inquebrável após fazer o Juramento de Guerreiro. Guardião e bruxa podem unir-se mesmo que não tenha havido o ritual para selar o circulo.
— O que não quer dizer muito, pelo que soubemos esse cara dormiu com metade da cidade — Santana interrompeu.
— Isso não vem ao caso — Quinn disse irritada com a interferência. — Fato é que desde o começo ela foi a candidata mais provável e isso se confirmou na noite passada.
— Então por que não vamos até lá falar com ela?
— É isso que estamos fazendo aqui Britt, esperando por ela para conversarmos — Santana explicou.
— Por que não perguntamos onde ela está à sua irmã gêmea?
— Brittany, Amanda é filha única.
— Ai meu Deus, Sanny! Clonaram ela! — Brittany falou se jogando nos braços da latina. Santana se surpreendeu. Não com a dançarina pulando em seus braços assim do nada, isso era recorrente, mas com ela conhecer a palavra clonagem.
— Do que você está falando, Britt-Britt? — perguntou tentando acalmar a namorada.
— Olha lá, Sanny — Santana e Quinn olharam pra onde o dedo da dançarina apontava. Ali, perto do bebedouro, estava Amanda. Santana e Quinn se espantaram ao notar que não sentiam nada vindo da garota. Não era ela quem as bruxinhas procuravam.
Mas isso era impossível, porque a única outra garota que fazia aniversario nesse dia era...
— Ai, meus olhos, meus olhos.
Os pensamentos de Quinn foram interrompidos por Karofsky chorando como um bebê. Ela virou-se para a fonte do barulho e viu o garoto no chão, encharcado de raspadinha. Acima dele pairava uma morena que olhava sem entender nada.
