Predestinados
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Capítulo 19 min de leitura

Prólogo — Tony Stark


— Tony?


A voz aguda e preocupada de Pepper Potts foi a primeira coisa que Stark ouviu naquela manhã um tanto nebulosa. A primeira coisa que Tony viu foi a marca no pulso esquerdo reluzir junto a uma aliança de compromisso, fazendo Pepper se sentir um pouco constrangida e envergonhada. Fazia cerca de três meses que a mulher havia encontrado seu predestinado e foi Tony que havia os apresentado um ao outro. O grandioso Homem de Ferro jamais imaginaria que seu Psicológo particular fosse a alma gêmea de sua namorada e secretária. Havia sido um choque e ele certamente havia ficado muito chateado no começo, ignorando Pepper em todas as ocasiões, entretanto, como não conseguia viver sem as dicas de organização e o trabalho fantástico que a mulher fazia, ele a manteve perto, alegando está feliz por ela mesmo que não tivesse feliz por ele.


Em três meses ele se sentiu inútil e muito infeliz. Ele passou sua vida indo à casamentos ou encontros, vendo todos a sua volta encontrar a pessoa certa e ele, bem... ele ao menos conseguia enchergar a própria marca. Era patético, mesmo que fosse "questão de tempo", trinta anos era tempo demais para ele. Em pensamentos assim, ele achava que havia nascido com algum defeito ou que jamais teria um predestinado. Já ouviu falar de pessoas que morreram esperando e Stark estava começando a se conformar que era uma dessas parcelas de pessoas no mundo.


— Pepper? — disse devolta e Pepper suspirou, ouvindo a voz rouca e cansada de Tony. Sabia que o homem ficou acordado a noite toda trabalhando e tentando ocupar aquele vazio que o consumia.


Não era mais um capricho dele. Era um fato que, sem o seu predestinado, vivia anos de solidão e tristeza, como se a metade do seu coração estivesse com a pessoa. Quanto mais longe de se encontrarem, quanto mais tempo a espera durava, mais Tony se sentia vazio. Era como tentar esperar algo que nunca viesse, sentar na janela e olhar o horizonte, esperando que alguém viesse correndo de lá, sorrindo e acenando, berrando que finalmente havia chegado.


Novamente estava a divagar e nem mesmo ouviu o que Pepper disse a ele. Sem notar, deixou a pasta com o novo projeto de sua armadura cair no chão e certamente, ele estava olhando algum ponto fixo sem piscar, como se sonhasse acordado.


— Está fazendo aquilo de novo, Tony! — Pepper reclamou e o filantropo pareceu acordar.


— Fazendo o que? — perguntou e viu a loira rolar os olhos em sinal de descontentamento. Tony se abaixou e pegou a papelada com o projeto, colocando em cima da mesa e andando pelo laboratório. Qualquer lugar servia, desde que seus olhos se mantessem longe da prova de que Pepper havia encontrado sua metade.


— Fazendo isso que você faz quando está triste e depremido. Você simplesmente se desliga e fica olhando para algum lugar sem nem mesmo piscar. — explicou, andando atrás do homem com seu salto fazendo o barulho característico de "toc toc toc" no chão lustrado do lugar. Tony se virou para a mulher, que parou e o encarou.


— Eu só não estou me sentindo bem. Preciso de algum café, sabe... — ergueu as sombrancelhas e Pepper novamente suspirou resignada, assentindo.


— Quer conversar sobre isso? — perguntou e Stark negou com a cabeça, querendo dar aquele assunto como terminado. — Está bem, mas vim aqui avisá-lo de algo.


— Prossiga. — pediu e a loita pegou o celular que estava na mesa, digitando algumas coisas e indo de encontro a Tony, que esperava paciente.


Na agenda virtual se lia "Phil Coulson", seguido de "Reunião às 10h A.M". Stark bufou, já sabendo o que poderia vir a seguir com aquilo. Era claro que algo sério estava acontecendo e, como Tony sabia bem, algo envolvendo Os Vingadores seria assionado. Ele não sabia bem como tudo aquilo funcionava e sinceramente não queria saber no momento. Estava muito ocupado se lamentando sobre viver sozinho para sempre, não queria combater ameaças ou estudar qualquer coisa que a S.H.I.E.L.D queria.


— Remarque. — ordenou e Pepper fez uma careta.


— Tony, pela ligação que me fizeram hoje mais cedo, é tudo muito sério. — falou e Stark bufou, se jogando em uma poltrona que havia ali e escovando os fios castanhos do cabelo com os dedos. — Eles querem conversar sobre a Iniciativa.


— É claro que querem. — resmungou Stark e fechou os olhos. — Dez horas?


— Dez horas. — afirmou Pepper.


— Está bem. — falou e abriu os olhos, sorrindo irônico. — Devo colocar um terno?


Pepper riu, negando com a cabeça de maneira brincalhona. Tony continuou com seu sorriso estampado no rosto, observando a mulher dizer que iria trazer seu café e sair da sala logo em seguida. Ele desfez seu sorriso, voltando ao estado anterior e agora com uma preocupação a mais. Sabia que era sobre o incidente da noite anterior sobre a ponte desabando. Havia suspeitado de algo sério quando soube do que ocorreu. Ninguém soube explicar muito bem o que aconteceu de verdade e o governo confirmou que foi uma má colocação nos suportes da ponte.


Tony não acredita muito no governo, todavia, as pessoas acreditam e isso era o que importava, pois assim, a vida na Terra se manteria nos trilhos, impedindo que civis comuns soubessem de como tudo era perigoso e inacreditável de uma forma não muito boa. Tony suspirou e se deixou relaxar na poltrona, sentindo suas pálpebras pesarem a medida que os minutos se prolongavam. Deixou-se ser tomado pelo cansaço acumulado da noite que passou acordado, sentindo-se cair no cochilo tão esperado pelo seu corpo inteiro. Mesmo desconfortável na poltrona, ele soube que teve aquele mesmo sonho de sempre.


Havia um homem vestindo roupas militares e sua marca no pulso esquerdo reluzia sobre a fumaça de tiros e explosões que ocorria entre eles. Tony sentia-se em câmera lenta, apenas tendo olhos para a marca no pulso do homem, como se isso fosse algum tipo de chamado.


— Tony, acorde. — Pepper o chamou e lentamente ele foi abrindo os olhos. — Coulson chega em trinta minutos. — avisou e o filantropo apenas coçou os olhos e resmungou.


— Me deixou dormir?


— Você parecia cansado. Seu café está na mesa e tem roupas limpas no seu quarto. — informou calmamente e entregou o copo de café que estava quente. — Seja rápido. Se precisar de ajuda, peça para J.A.R.V.I.S me chamar.


Tony sorriu agradecido para a amiga e saiu do laboratório a passos preguiçosos. Ainda estava com sono e sua cabeça rodava, repetindo incansavelmente a cena do sonho. Bufando, ele se auto-ordenou a esquecer isso e simplesmente se conformar que nunca iria encontrar seu predestinado e nunca iria poder enchergar sua marca. Desiludido, ele olhou seu pulso, ainda limpo e sem qualquer pontinho, como uma mantra de que ele nunca iria encontrar sua metade. E ele apenas subiu o olhar, ignorando como aquela situação parecia zombar dele.


Entrou no quarto e viu a muda de roupa estirada da cama, passadas e bem limpas. Tony olhou o relógio na parede e viu que faltavam vinte e cinco minutos para a chegada de Coulson. Bem, se era tão urgente, ele esperaria pelo Stark.


— J.A.R.V.I.S, prepare meu banho. — pediu e a inteligência artificial logo se fez presente.


— Sim, Senhor Stark. — falou. Tony jogou-se na cama e bebeu a última golada do seu café, se sentindo um pouco acordado. Agora, o gênio encarava o teto como se ele fosse muito interessante, apenas esperando seu banho ficar pronto. — Tudo certo com o seu banho, Senhor.


— Obrigado.


E se levantou, indo se preparar para uma possível reunião que o estressaria ainda mais.


Trinta e cinco minutos depois, Stark desceu as escadas e viu Agente Coulson tomando uma bebida enquanto conversava com Pepper. Essa, soltava suspiros apaixonados e fofos, enquanto Phil dizia sobre como havia conhecido Eleonora, uma violinista em Paris que era sua predestinada.


Stark bufou invejoso, tossindo para chamar a atenção. Os dois pareceram acordar e Tony sorriu sarcástico quando Phil o deslumbrou. Lá estava a maldita marca no pulso do Agente, que não existia desde a última vez em que se viram.


— Stark, como vai? — Coulson disse se levantando, trazendo consigo uma pasta de executivo.


— Muito bem, antes de ter uma reunião de última hora. — soltou de maneira mal humorada. Pepper fez um som esquisito com a boca, brigando silenciosamente com Tony. Ele nem mesmo ligou, vendo o rosto de Coulson se iluminar e o mesmo rir.


— Parece de mau humor, Tony. — disse diabolicamente e seus olhos seguiram pelo braço de Tony, parando no pulso limpo e sem nenhuma marca. — Ah, entendo...


— Quais são suas prioridades aqui? — Stark o cortou e Coulson assentiu, abrindo a pasta de executivo e lhe entregando o contéudo que retirou dela. Lá havia um chip, Tony pegou o objeto e andou em direção ao computador, conectando o objeto ali.


As imagens surgiram na sua frente e Tony as fitou com os olhos cuidadosos. Tesseract. Vingadores. Guerras. O caos parecia ser certo. Ele viu cada imagem com cuidado, parando em uma especial. Tony encarou por alguns segundos a mais a foto do loiro de olhos azuis, sabia que era Steve Rogers, contudo, não entendia exatamente porque o Capitão América, que foi dada sua morte pressumida a anos, estava fazendo ali.


Deixando aquilo de lado, ele passou a mão pelas imagens que flutuavam a sua frente, desligando o aparelho.


— Você parece ter muito trabalho. — Pepper surgiu ao seu lado com um rosto surpreso.


— Eu não sei se seria uma ideia muito interessante. — comentou com receio.


— Eu vou reservar um jatinho. — Pepper disse e deu dois tapinhas no ombro de Tony, indo na direção de Coulson.


O Stark olhou para a janela, vendo a grande Nova Iorque ensolarada. Ele realmente tinha trabalho a fazer.

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