Por Um Momento
Eu não devia ter feito isso, mas fiz. Eu não devia ter sentido aquilo, mas eu senti. Estava escuro, era apenas eu e ele; o resto das pessoas em nossa volta não nos importava.
Por um momento eu quis esquecer quem eu era. Fingi não saber que era errado; por um momento, fingi que não tinha o menor problema. E ele também: ele apenas sorria, demonstrando seu afeto.
Eu o abracei por um momento e ele retribuiu. Porém, por algum motivo, a vergonha surgiu e por impulso nos soltamos. Mas essa distância não durou muito: ele se escontou em meu ombro, se aconchegando. Eu encostei minha cabeça sobre a dele e o observei dormir.
Ele me deu a mão, e assim ficamos, no silêncio de nossas incertezas por um momento; incertezas que o fizeram segurar minha mão com força, e eu senti que minhas dúvidas sumiam conforme nós nos segurávamos cada vez com mais e mais força.
Minha cabeça girava com os milhões de pensamentos, e a cada carinho que ele me fazia, mais eu me perdia e menos eu queria que aquele momento acabasse. E eu sabia que ele também se sentia assim.
Apenas por um momento, os sentimentos do passado voltaram para o lugar de direito que, por um motivo bobo, de lá eles foram arrancados. E por um momento, eu sonhei que no final seria apenas eu e ele. Por aquele momento, eu acreditei que meus sonhos eram realidade. Por um momento, eu fui dele!