Pieces;One Shot.
As pétalas das flores voavam, até acharem seus lugares em cima de seu corpo branco e imóvel. O ar gelado consome minha alma, me fazendo querer estar junto a você, do seu lado, como eu prometi que faria. Será que você me ouve agora? Será que algum dia ouviu? Eu dizia que você iria acabar assim, mas não achei que seria tão rápido. Mas eu te avisei não é? Eu sempre avisei, mas você sempre alegava que, se eu não parasse você tampouco iria. Você dizia que no fim, nós morreríamos juntos. Mas não foi bem assim.
- Hey! — gritei assim que atendi o telefone. Joel falava coisas sem sentido. Ele deveria estar louco. Ou então é culpa da heroína?
- Benji... O carro...Overdose...Hospital...Fígado...Coração... — ele continuava falando com a voz trêmula e eu nao entendia nada. Passei o telefone para Billy que estava junto com Frank — um amigo dele — na minha casa.
- Alô Joel, é o Billy. — ele estava melhor doque eu já que injetou pouco. Sua face foi ficando mais pálida, até que Frank — que estava sóbrio — resolveu tomar uma atitude.
- Oque houve, Billy? Anda, fala! — chacoalhou o garoto menor, e ele deu um berro e começou a chorar.
- Tony... O Benji tá no Hospital... Ele se drogou muito sem querer, e desmaiou no meio da rua. Um carro o atropelou e agora ele esta na sala de cirurgia... Droga! É tudo culpa minha... — eu continuava sem reação... O Benji... O meu, Benji...
O efeito da droga havia passado assim como as lágrimas teimavam em cair a todo segundo. Peguei meu carro, e sai rápido junto com os dois garotos.
Eu gostaria que tudo acabasse agora, eu gostaria que fosse apenas mais um pesadelo, e então eu poderia acordar e levantar, pensando que você ainda esta aqui, pensando que você ainda esta vivo. Mas isso não acontece.
Você ainda esta nessa merda de caixão, que agora desce lentamente. Porque diabos, eu e você nos drogávamos? Insegurança? Medo? Dor? Dude, lamento dizer, mas se for por esses três sentimentos, eu não irei parar, pois é tudo que está na minha mente agora.
No seu aniversário de 18 anos, você me prometeu que usaria a nossa aliança para sempre. Prometeu assim que a colocou. Eu havia pedido para o homem da loja gravar nossos nomes, o dia, e o que somos um do outro: lovers (amantes, namorados).
- Não cara, é pro meu namorado, entao tem que ser maior! — o homem me olhou com os olhos arregalados.
- Que é hein? Olha que eu não vou pagar, seu merdinha! — falei bravo o encarando.
- Desculpe, senhor Lovato. — ele falou corando.
- Tá tudo bem. Mas óh, nem pense em zuar a aliança só porque é 'para dois gays', ouviu? Ela é importante! — eu falei ainda bravo.
- Sim senhor. Em alguns minutos ela estará pronta. — assim que ele disse isso, meu telefone tocou.
- Tony! Tony! Porra cara, onde voce se meteu? O Benji tá desesperado atrás de você e disse que vai te seguir pelo GPS do celular! — Matt falava sem parar, e eu comecei a me sentir meio zonzo.
- Cala a boca por um segundo, Matt! — falei gritando com o celular, que logo fez Matt parar de falar, e fez o homem da loja se assustar. — Enfim, segura o Benji ai, ok? Estou fazendo uma surpresa para ele... Bem que voce podia fazer algo peo Jeremiah, tambem né Mattzinho? — falei rindo pois, só eu sabia que ele gostava do Jere, e vice versa.
- Cara! Não fala isso! Ontem ele quase me bateu porque eu falei que gostava de alguém proximo da gente! Acho que ele me odeia. — ele falou meio triste.
- Cala boca se merda, ele te ama, cara. Haha, voce pensou que ele fosse homofóbico? — ele começou a rir do outro lado da linha.
- Voce tá me zuando né? Calma, calma! Vo lá no quarto dele! Ahh, te amo primozinho! Ah, e outra, o Benji tá aqui em casa ouviu? Vem pra cá! Falou. — ele desligou e me deixou com cara de taxo, esperando a aliança.
- Eai tio, tá pronta? — perguntei rindo.
- Sim senhor. São 200 reais.
- O QUE? — dei um berro lhe entregando todas minhas economias.
E agora, olhando para a sua mão, você cumpriu essa promessa. Mas apenas essa.
Você me disse que ficaria comigo até o fim, mas esse é o fim? É o meu fim? Nós éramos tão ingênuos quando nos drogamos a primeira vez, era tudo diversão, curiosidade e revolta, não é mesmo? Eu, por meus pais me quererem certinho, e você por seu pai ter saído de casa. Éramos inocentes, éramos crianças. Apenas crianças.
Eu lembro que no dia que nos drogamos a primeira vez, nós conhecemos o Billy.
- Estou com medo Tony, não quero que Joel descubra. — Benji disse apreensivo, segurando minha mão, quando fomos encontrar o fornecedor que Matt havia nos contado.
- Não se preocupe, ok? — apertei sua mão. Eu estava cagando de medo, não por alguem nos descobrir, e sim, porque morria de medo de injetar.
- São vocês dois? Benji e Tony? — alguém perguntou atrás de nós dois. Olhamos e um garoto magro e de cabelos loiros e compridos, nos olhava com um sorriso nos lábios, e sorriu ainda mais ao nos ver de mãos dadas.
- Oi, você deve ser o Martin. — falei erguendo a minha mão livre para ele aperta-la, oque ele fez sem hesitar. — Eu sou Tony, e esse é meu melhor amigo, Benji.
- Sei... Olha, eu só tenho heroína hoje. Serve? — ele falou sorrindo. Olhei para Benji, e ele concordou movendo a cabeça, e eu aceitei.
- Err, só temos um problema. — Benji falou.
- O que? — ele disse remexendo em algo em sua mochila.
- Nunca usamos sóbrios. O Matt é quem nos injetou, mas não lembramos. — eu falei olhando para o chão.
- Sei... É isso acontece as vezes. Vocês querem que eu explique e voces fazem em casa? — ele falou ainda sorrindo. Ele nao parecia um drogado.
- Se der. — Benji falou dando de ombros.
- Me chamem, de Billy, tá? — ele falou rindo. — Odeio quando me chamam sobre o sobrenome, mas é um jeito mais formal no mundo dos negócios — ele falou dando uma piscada. — Seu primo já comprou muito comigo, Tony. Ele sempre falou que voce nao gostava desse tipo de coisa. Eu nao achei que voce iria seguir o exemplo dele e do Jeremiah.
- Pois é... — falei rindo.
- Bom... — ele pegou um cadarço em sua mochila e seringas. — Quantos anos vocês tem?
- O que isso tem a ver? — Benji perguntou com uma sombrancelha erguida.
- Ah, só que eu posso colocar demais, e vocês morrem de overdose. — ele falou girando os olhos.
- Ah, ele 14 e eu 15. — falei querendo rir, mas Benji apertou minha mão forte. Acho que ele estava com medo.
- Olha, eu pego o cadarço e enrrolo em meu antebraço, para as veias pulsarem e dar para enxergar melhor. Coloco até essa marca vermelha — apontou para uma marca na seringa — e injeto em qualquer veia. — fingiu injetar mas não foi. — eu não posso fazer isso no trabalho garotos, entao fica por sua conta ok? — ele disse, e concordamos com a cabeça. A partir daquele dia, passamos a ver Billy uma vez por semana, e depois dia após dia, quando nos tornamos amigos.
Desde então, fomos os 3 inseparáveis. Aliás, ele esta aqui hoje. Chorando ao meu lado, como sempre fizemos. Mas hoje eu não posso apoiá-lo. Estou mais acabado do que ele.
Sabe, todos estão me olhando como se eu fosse um monstro. Mas eles estão certos, eu estou agindo feito um.
Não falo com ninguém, não como desde dois dias atrás, não largo meu cigarro e não estou demonstrando nenhuma emoção no rosto. Talvez, eu esteja sendo egoísta, mas é que passamos tão pouco tempo juntos... Eu achei que fossemos ficar juntos para sempre, como naqueles filmes de amor, sabe?Eu só queria que você fosse só meu, e ficasse comigo para sempre, e só comigo.
Mas junto com esse egoísmo, vem a felicidade de saber que você está num lugar melhor, num lugar onde você não sofre e nem tem preocupações, um lugar, onde você esta feliz.
Então, de volta ao enterro, o Padre diz algo como “ele parte hoje, para um lugar melhor”. Eu apago meu cigarro, e me aproximo do caixão. Eu tenho certeza que todos os olhares estão sobre mim.
Lágrimas caem sobre meu rosto uma a uma.
- Vou sentir saudades, querido. – eu sorrio, e beijo minha mão enquanto me abaixo, toco sua testa de leve, fazendo meu beijo permanecer tanto em mim, quanto em você.
Me levanto, e me dirijo à saida do cemitério.
Não olho pra ninguém, mesmo sabendo que ainda olham para mim. Agora, eu tinha uma coisa mais importante a fazer.
Eu irei reviver todos os nossos momentos, e reconhecer que você sempre estará em mim, fazendo entao meu egoísmo sumir. Isso me lembra do nosso primeiro pôr-do-sol.
- Eu adoro praia, cara! Agente se sente limpo, e o melhor, estamos sozinhos, no meio de uma praia deserta! Isso é tão bom! — Benji não parava de pular em um monte de areia, e eu apenas o observava, era tão engraçado e ao mesmo tempo feliz.
- Benji! — ele virou para me olhar e eu apenas sorri, fazendo-no entender, que sentia sua falta, e que o queria perto de mim naquele momento. Ele veio devagar, sorrindo o tempo todo, sentou ao meu lado na areia, e apoiou a cabeça em meu ombro. Ele deveria estar exausto.
- Tony... — ele falou observando o pôr-do-sol.
- Sim?
- Eu não gostaria de observar esse pôr-do-sol, com ninguem menos que você. — ele me olhou com ternura, e passou a mão em meu rosto sorrindo. — Eu te amo, Tony. — lhe dei um leve beijo nos lábios e o abracei. Eu sabia. Acho que sempre soube, não é?
- Eu tambem te amo, Benji. — sorri e lhe beijei com mais intensidade. Fizemos amor na praia, no mais lindo pôr-do-sol. Aquela foi a nossa primeira vez juntos e separados. Acho que inconcientemente, estávamos nos guardando um para o outro.
Porque eu sei, que por mais que sua alma não esteja aqui, eu posso sentir seu calor, e lembrar de como era bom, ter voce comigo.
Pois voce sempre foi, só meu, e eu só seu.
FIM.
- Hey! — gritei assim que atendi o telefone. Joel falava coisas sem sentido. Ele deveria estar louco. Ou então é culpa da heroína?
- Benji... O carro...Overdose...Hospital...Fígado...Coração... — ele continuava falando com a voz trêmula e eu nao entendia nada. Passei o telefone para Billy que estava junto com Frank — um amigo dele — na minha casa.
- Alô Joel, é o Billy. — ele estava melhor doque eu já que injetou pouco. Sua face foi ficando mais pálida, até que Frank — que estava sóbrio — resolveu tomar uma atitude.
- Oque houve, Billy? Anda, fala! — chacoalhou o garoto menor, e ele deu um berro e começou a chorar.
- Tony... O Benji tá no Hospital... Ele se drogou muito sem querer, e desmaiou no meio da rua. Um carro o atropelou e agora ele esta na sala de cirurgia... Droga! É tudo culpa minha... — eu continuava sem reação... O Benji... O meu, Benji...
O efeito da droga havia passado assim como as lágrimas teimavam em cair a todo segundo. Peguei meu carro, e sai rápido junto com os dois garotos.
Eu gostaria que tudo acabasse agora, eu gostaria que fosse apenas mais um pesadelo, e então eu poderia acordar e levantar, pensando que você ainda esta aqui, pensando que você ainda esta vivo. Mas isso não acontece.
Você ainda esta nessa merda de caixão, que agora desce lentamente. Porque diabos, eu e você nos drogávamos? Insegurança? Medo? Dor? Dude, lamento dizer, mas se for por esses três sentimentos, eu não irei parar, pois é tudo que está na minha mente agora.
No seu aniversário de 18 anos, você me prometeu que usaria a nossa aliança para sempre. Prometeu assim que a colocou. Eu havia pedido para o homem da loja gravar nossos nomes, o dia, e o que somos um do outro: lovers (amantes, namorados).
- Não cara, é pro meu namorado, entao tem que ser maior! — o homem me olhou com os olhos arregalados.
- Que é hein? Olha que eu não vou pagar, seu merdinha! — falei bravo o encarando.
- Desculpe, senhor Lovato. — ele falou corando.
- Tá tudo bem. Mas óh, nem pense em zuar a aliança só porque é 'para dois gays', ouviu? Ela é importante! — eu falei ainda bravo.
- Sim senhor. Em alguns minutos ela estará pronta. — assim que ele disse isso, meu telefone tocou.
- Tony! Tony! Porra cara, onde voce se meteu? O Benji tá desesperado atrás de você e disse que vai te seguir pelo GPS do celular! — Matt falava sem parar, e eu comecei a me sentir meio zonzo.
- Cala a boca por um segundo, Matt! — falei gritando com o celular, que logo fez Matt parar de falar, e fez o homem da loja se assustar. — Enfim, segura o Benji ai, ok? Estou fazendo uma surpresa para ele... Bem que voce podia fazer algo peo Jeremiah, tambem né Mattzinho? — falei rindo pois, só eu sabia que ele gostava do Jere, e vice versa.
- Cara! Não fala isso! Ontem ele quase me bateu porque eu falei que gostava de alguém proximo da gente! Acho que ele me odeia. — ele falou meio triste.
- Cala boca se merda, ele te ama, cara. Haha, voce pensou que ele fosse homofóbico? — ele começou a rir do outro lado da linha.
- Voce tá me zuando né? Calma, calma! Vo lá no quarto dele! Ahh, te amo primozinho! Ah, e outra, o Benji tá aqui em casa ouviu? Vem pra cá! Falou. — ele desligou e me deixou com cara de taxo, esperando a aliança.
- Eai tio, tá pronta? — perguntei rindo.
- Sim senhor. São 200 reais.
- O QUE? — dei um berro lhe entregando todas minhas economias.
E agora, olhando para a sua mão, você cumpriu essa promessa. Mas apenas essa.
Você me disse que ficaria comigo até o fim, mas esse é o fim? É o meu fim? Nós éramos tão ingênuos quando nos drogamos a primeira vez, era tudo diversão, curiosidade e revolta, não é mesmo? Eu, por meus pais me quererem certinho, e você por seu pai ter saído de casa. Éramos inocentes, éramos crianças. Apenas crianças.
Eu lembro que no dia que nos drogamos a primeira vez, nós conhecemos o Billy.
- Estou com medo Tony, não quero que Joel descubra. — Benji disse apreensivo, segurando minha mão, quando fomos encontrar o fornecedor que Matt havia nos contado.
- Não se preocupe, ok? — apertei sua mão. Eu estava cagando de medo, não por alguem nos descobrir, e sim, porque morria de medo de injetar.
- São vocês dois? Benji e Tony? — alguém perguntou atrás de nós dois. Olhamos e um garoto magro e de cabelos loiros e compridos, nos olhava com um sorriso nos lábios, e sorriu ainda mais ao nos ver de mãos dadas.
- Oi, você deve ser o Martin. — falei erguendo a minha mão livre para ele aperta-la, oque ele fez sem hesitar. — Eu sou Tony, e esse é meu melhor amigo, Benji.
- Sei... Olha, eu só tenho heroína hoje. Serve? — ele falou sorrindo. Olhei para Benji, e ele concordou movendo a cabeça, e eu aceitei.
- Err, só temos um problema. — Benji falou.
- O que? — ele disse remexendo em algo em sua mochila.
- Nunca usamos sóbrios. O Matt é quem nos injetou, mas não lembramos. — eu falei olhando para o chão.
- Sei... É isso acontece as vezes. Vocês querem que eu explique e voces fazem em casa? — ele falou ainda sorrindo. Ele nao parecia um drogado.
- Se der. — Benji falou dando de ombros.
- Me chamem, de Billy, tá? — ele falou rindo. — Odeio quando me chamam sobre o sobrenome, mas é um jeito mais formal no mundo dos negócios — ele falou dando uma piscada. — Seu primo já comprou muito comigo, Tony. Ele sempre falou que voce nao gostava desse tipo de coisa. Eu nao achei que voce iria seguir o exemplo dele e do Jeremiah.
- Pois é... — falei rindo.
- Bom... — ele pegou um cadarço em sua mochila e seringas. — Quantos anos vocês tem?
- O que isso tem a ver? — Benji perguntou com uma sombrancelha erguida.
- Ah, só que eu posso colocar demais, e vocês morrem de overdose. — ele falou girando os olhos.
- Ah, ele 14 e eu 15. — falei querendo rir, mas Benji apertou minha mão forte. Acho que ele estava com medo.
- Olha, eu pego o cadarço e enrrolo em meu antebraço, para as veias pulsarem e dar para enxergar melhor. Coloco até essa marca vermelha — apontou para uma marca na seringa — e injeto em qualquer veia. — fingiu injetar mas não foi. — eu não posso fazer isso no trabalho garotos, entao fica por sua conta ok? — ele disse, e concordamos com a cabeça. A partir daquele dia, passamos a ver Billy uma vez por semana, e depois dia após dia, quando nos tornamos amigos.
Desde então, fomos os 3 inseparáveis. Aliás, ele esta aqui hoje. Chorando ao meu lado, como sempre fizemos. Mas hoje eu não posso apoiá-lo. Estou mais acabado do que ele.
Sabe, todos estão me olhando como se eu fosse um monstro. Mas eles estão certos, eu estou agindo feito um.
Não falo com ninguém, não como desde dois dias atrás, não largo meu cigarro e não estou demonstrando nenhuma emoção no rosto. Talvez, eu esteja sendo egoísta, mas é que passamos tão pouco tempo juntos... Eu achei que fossemos ficar juntos para sempre, como naqueles filmes de amor, sabe?Eu só queria que você fosse só meu, e ficasse comigo para sempre, e só comigo.
Mas junto com esse egoísmo, vem a felicidade de saber que você está num lugar melhor, num lugar onde você não sofre e nem tem preocupações, um lugar, onde você esta feliz.
Então, de volta ao enterro, o Padre diz algo como “ele parte hoje, para um lugar melhor”. Eu apago meu cigarro, e me aproximo do caixão. Eu tenho certeza que todos os olhares estão sobre mim.
Lágrimas caem sobre meu rosto uma a uma.
- Vou sentir saudades, querido. – eu sorrio, e beijo minha mão enquanto me abaixo, toco sua testa de leve, fazendo meu beijo permanecer tanto em mim, quanto em você.
Me levanto, e me dirijo à saida do cemitério.
Não olho pra ninguém, mesmo sabendo que ainda olham para mim. Agora, eu tinha uma coisa mais importante a fazer.
Eu irei reviver todos os nossos momentos, e reconhecer que você sempre estará em mim, fazendo entao meu egoísmo sumir. Isso me lembra do nosso primeiro pôr-do-sol.
- Eu adoro praia, cara! Agente se sente limpo, e o melhor, estamos sozinhos, no meio de uma praia deserta! Isso é tão bom! — Benji não parava de pular em um monte de areia, e eu apenas o observava, era tão engraçado e ao mesmo tempo feliz.
- Benji! — ele virou para me olhar e eu apenas sorri, fazendo-no entender, que sentia sua falta, e que o queria perto de mim naquele momento. Ele veio devagar, sorrindo o tempo todo, sentou ao meu lado na areia, e apoiou a cabeça em meu ombro. Ele deveria estar exausto.
- Tony... — ele falou observando o pôr-do-sol.
- Sim?
- Eu não gostaria de observar esse pôr-do-sol, com ninguem menos que você. — ele me olhou com ternura, e passou a mão em meu rosto sorrindo. — Eu te amo, Tony. — lhe dei um leve beijo nos lábios e o abracei. Eu sabia. Acho que sempre soube, não é?
- Eu tambem te amo, Benji. — sorri e lhe beijei com mais intensidade. Fizemos amor na praia, no mais lindo pôr-do-sol. Aquela foi a nossa primeira vez juntos e separados. Acho que inconcientemente, estávamos nos guardando um para o outro.
Porque eu sei, que por mais que sua alma não esteja aqui, eu posso sentir seu calor, e lembrar de como era bom, ter voce comigo.
Pois voce sempre foi, só meu, e eu só seu.
FIM.
