Caixas. Muitas e muitas caixas, cada uma de um formato diferente com conteúdos diferentes. Eu as encarava com certo ar de dúvida, coçando minha nuca. Eu realmente não me sentia confortável naquele lugar com tantas pessoas felizes e cheias de paixão conversando alto sobre suas aventuras amorosas. Afinal, eu não sou do tipo que posso falar que tive muitas, desde que conheci aquela garota. Talvez o maior motivo de eu estar ali fosse a enorme faixa na frente de sua porta escrito “Os melhores bombons para o Valentine’s Day”. Era um dia tão estúpido! Quero dizer, se ainda estivéssemos falando sobre um final de campeonato da liga de futebol, eu não estaria reclamando. Aquilo sim é motivo para que o coração acelerasse e não algo tão... Argh!
Retirei meus fones de ouvido, pausando o It Won’t Be Long que tocava da minha banda favorita, quando fui interrompido por uma mulher alta e de cabelos vermelhos e cacheados, que caíam por cima de seu colo.
- Posso lhe ajudar? – ela perguntou, totalmente interessada em que diabos eu fazia lá dentro. Não era difícil saber porque, eu estava sozinho entre centenas de milhares de casais que entravam naquele local.
- Só estou vendo uma caixa de bombons. – respondi, talvez um pouco agressivo demais.
- Alguém em especial?
- Não. – minha voz tremeu um pouco, talvez o motivo do sorriso excitado que ela deu.
- Alta, baixa, morena, loira?
- Nenhuma delas. – disse, um pouquinho mal humorado.
- Me deixe adivinhar... Loira.
- Acho que vou levar esse aqui. Bola. Masculino. É, bem meu tipo. – ignorei, cerrando um pouco os olhos, fingindo estar pensativo.
- ACERTEI! – ela exclamou, contente pelo acerto.
- Grande, campeã. – resmunguei.
- Acho que se você levar um daqueles em forma de coração vai ser bem legal, não acha?
- Ela vai jogar no lixo e rir de mim. Nem sei por que diabos eu estou nessa loja, é uma perca de tempo eu tentar comprar algo pra ela. Ela não sabe reconhecer tudo o que eu faço... POR ELA! Eu já tomei um puta esporro da diretora pra encobrir algo que tramou contra o próprio irmão, já ignorei meus amigos pra que me notasse e até comprei algumas coisas. Eu passei a me arrumar pra ir pra escola por causa dela. E ela mal me olha! Como eu odeio essa garota! Ela é mesquinha, metida, chata, fresca, irritante, egocêntrica... QUE ÓDIO.
Quando terminei de falar, a ruiva ficou me olhando boquiaberta por um tempo, tentando acompanhar o que havia acabado de acontecer. Nem eu sabia explicar.
- Me vê esse de coração com um laço rosa. – resmunguei, ao fim.