Perdão
Perdão
Capítulo 18 min de leitura

Capítulo Único

Todos os dias nós treinávamos juntos, era como um ritual um não treinava sem o outro, no período da manhã. Tudo começou tão simples e ao mesmo tempo tão complicado que não se dá para entender ou ao menos discutir. Na verdade eu tinha como discutir, mais na época eu estava à procura de perdão por parte de Hinata e a melhor forma disso era me aproximando dela de qualquer maneira, e Hiashi me deu essa oportunidade de bandeja, e nem precisei pedi-la. Confesso que essa foi a parte mais fácil, pois o pior ainda estava por vir.

Nunca pensei que aquela garota tímida e doce conseguisse guardar magoa de alguém, mais como ela mesma disse: “os ferimentos que causei a ela não foram somente físicos, pois esses são fáceis de curar, mais na alma.” Eu a havia machucado muito com palavras e ações e naquela época, acabei por terminar com o pouco de confiança que ela ainda tinha.

Será que não bastava já ser repreendida a todo o momento pelo pai?

Será que não bastava a humilhação que ela sofria em casa?

Ainda sim teria que sofrer uma humilhação por minhas próprias mãos, incapazes de expressar qualquer sentimento por conta de um orgulho idiota que eu tinha? Orgulho este que me afasta das pessoas, uma arrogância pertinente em meus olhos. Naquele dia ela sofreu uma humilhação que não merecia.

Mais esforço era o que eu tinha de melhor e faria de tudo para conseguir o perdão dela. Lembro-me até hoje do que aconteceu naquele dia.

Hiashi havia me mandado treiná-la, e mesmo contra vontade de Hinata, ele me deixou isso bem claro, eu aceitei. Era uma ótima oportunidade de encará-la e pedir perdão, e eu torcia para que não fosse tão difícil. Treinamos por muito tempo mais eu nunca olhava diretamente para ela que fazia o mesmo comigo. Eu não era capaz de pedir perdão.

Mas quando naquela manhã começamos a treinar ela não me encarou nem sequer por um minuto, como era de costume, fez apenas um comprimento enxuto e seco para que pudéssemos começar. Estava tão difícil me concentrar com a imagem de Hinata-sama, que mal me olhava enquanto eu falava que suas posições estavam abertas e totalmente erradas, ela não havia nascido para ser uma lutadora, terrível engano, mais isso eu só constataria com o tempo.

Eu já não suportava ver aquela magoa em seus gestos e em seus olhos que sem querer colidiam com os meus e revelavam uma coisa que eu não entendia, talvez uma magoa contida,uma raiva reprimida ou uma vontade louca de acertá-lo?

Em um determinado momento quando estávamos lutando, tentando aperfeiçoar as técnicas em luta, Hinata estava a ponto de me acertar um golpe no peito, totalmente previsível e extremamente lento, quando eu a segurei e a forcei olhar em meus olhos, nós estávamos tão tensos, que o ar custava a chegar aos pulmões. Ela me encarava com um olhar que eu não entendia e seu rosto delicado se contorcia em sinal de reprovação.

- O que quer de mim? – a voz dela era tão doce. Como eu não fui capaz de perceber aquilo antes?Como não fui capaz de perceber todas aquelas qualidades que naquele momento transbordavam por todo canto. Seria pela minha incapacidade de ter sentimentos? Ou seria por estar cego devido a um ódio sem limites e precedentes?

Nada falei, pois me faltavam palavras, apenas continuei a encará-la querendo que meus olhos dissessem o que minha boca não conseguia. Ela quase não me encarava desde que me mudei e passei a conviver com a família principal, jantávamos juntos todas as noites mais nuca consegui ver aqueles olhos ou seu rosto propriamente dito, a única lembrança que tinha dela era a de quando havíamos lutado o desespero, a determinação, o sofrimento, me culpava todos os dias por aquilo. Por tê-la feito sofrer.

Minha voz não saia e a única coisa que consegui pronunciar foi....

— Seus olhos.... – Hinata me encarou sem saber o que falar afinal o que era aquela minha conversa? Nunca pensei que fosse tão difícil pedir perdão a alguém, não me lembrava da ultima vez que o havia feito, talvez nunca o tenha, mais com ela eu sentia a necessidade de dizer alguma coisa, dizer que eu estava arrependido, dizer que foi tudo um amargo engano, mais eu não conseguia! Era como se eu estivesse bloqueado de alguma maneira, não sei como.

– São lindos... – ela ficou paralisada e eu também, senti suas mãos ficarem geladas e começarem a tremer enquanto eu permanecia firme e imóvel. O que era tudo aquilo comigo? Porque tudo aconteceu daquela maneira? Porque é tão difícil pedir perdão?

- O que está dizendo? — eu não sabia o que dizer ou fazer então larguei aquelas mãos delicadas e macias, me virei rumando para fora daquele local onde treinávamos, mas parei ao chegar perto da porta e olhando por cima do ombro visualizei Hinata segurando as próprias mãos, rente ao peito, seus cabelos negro azulados não estavam mais tão curtos dando-lhe ares perfeitamente harmoniosos. Realmente criei uma coragem que nunca imaginei ter para aquela situação, não sairia sem antes dizer a ela o que precisava ser dito então mais decidido do que nunca com o olhar fixo nela, refiz o caminho de volta chegando a ficar centímetros dela. Aqueles olhos, aquela boca como não pude notá-la antes?

Não quis perder mais tempo já havia perdido demais. Agora seria à hora de minha remição do pecado de odiá-la. Ela me encarava sem ação e chegou até a recuar um pouco, porem não deixei que se distanciasse muito, também não a toquei, mais não por falta de vontade mais sim por medo de como ela pudesse reagir. Então olhei fixamente em seus olhos, respirei fundo.

- Hinata-sama eu... Eu... – impressionantemente eu estava gaguejando! – Me perdoa!

Essas palavras saíram tão rápidas que a assustaram, ela arregalou os olhos me observando, talvez não estivesse esperando isso de mim ou não estivesse acreditando, mais o que eu poderia fazer para provar a ela que eu estava realmente arrependido.... E com medo do que poderia vir eu me afastei dela, ainda de costas para a saída não tirei meus olhos dos dela até que bati as costas na porta, e sai sem olhar para trás. Ela não me impediu nem saiu correndo atrás de mim, mais afinal eu não a culpo aquilo havia sido tão de surpresa que nem eu estava realmente acreditando. Eu não mencionei mais era inverno e a neve começava a cair de fora do dojô,caminhei rapidamente até me abrigar na pequena coberta que ficava no jardim de trás da mansão e a poucos metros do dojo,foi quando eu a ouvi gritar meu nome.

- Eu te perdôo....

Mal acreditei o que aqueles lábios haviam me dito, ela não se aproximou de mim e onde estava sentou-se apara observar a neve, e eu também sentei, onde estava observando aquele branco tão intenso e delicado cair do céu em pequenos flocos. Eu fiquei minutos a finco somente observando ela e o quão graciosos eram seus movimentos que me encantavam, ela percebendo isso me olhou fundo, eu não tirei meus olhos do dela... Por Kami!!! Como aquilo era bom!e meus lábios se moveram quase que em suplica.

- Obrigado.

Hinata sorriu como nunca antes e voltou a observar a neve assim como eu. E naquele momento eu tive certeza que eu a protegeria, não por obrigação, mais porque eu sabia que era isso que eu queria fazer.

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