My (boy)friend
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Capítulo 14 min de leitura

O Colégio Novo

-Acorda querida... Amandla... Acorda!

Abro lentamente meus olhos. Minha mãe está sentada na beirada da minha cama, me chamando.

-São seis e quinze! Levante!-ela diz, docemente.-Vai se atrazar no primeiro dia de aula da escola nova?

-Mããe, não quero ir.-faço cara de pidona e imploro, com a voz chorosa.

-Amandla! Pare de manha! Você já tem 16 anos!-Ela repreende.

Jogo meu cobertor branco para o lado e me sento na cama. Fito meu quarto por um tempo. Ele é pequeno, mas aconchegante e fofo. A porta está na parede esquerda da cama, logo do lado dela, meu guarda-roupa personalizado-eu o pintei, do meu estilo-. Minha cama no meio do quarto, meus dois criados-mudos aos lados da cama, uma janela na parede direita e na frente da cama tem minha TV pendurada na parede.

Coloco meus pés descalços no frio chão de porcelanato e vou para o banheiro. Faço minha higiene matinal no banheiro da minha mãe e volto pro quarto. Já estou no ensino médio e ainda não nos deixam ir sem uniforme pro colégio! Ou a camiseta ou a calça. Visto um jeans justinho e coloco uma blusa meio larga para o meu tronco-tenho pouco seio e sou meio magrela- e preta com a insígnia do colégio bordada no lado esquerdo. Calço meu All-Star preto, velho e sujo. Prendo meu cabelo castanho meio ondulado em um rabo de cavalo e faço meu make- rímel e lápis de olho, que dão um destaque para meus olhos marrom-esverdeados e batom amarronzado, que se destaca na minha pele branca-.

Coloco meu brinco de prata em forma de laço, presente da vovó e vou até a cozinha do apartamento da minha mãe. Sim, só da minha mãe. Meus pais são separados, minha mãe mora no apartamento e meu pai em uma casa, pequena e aconchegante, com um quintal enorme.

Na cozinha, minha mãe está sentada à mesa, tomando seu café. Pego um pedacinho de chocolate e me sento ao seu lado.

-Filha, isso não é café da manhã. Vai ficar com fome.

-Ah, não vou não.

Vou pra sala e me jogo no sofá, fico assistindo TV. Olho no relógio e... já são seis e cinquenta! Preciso correr.

Beijo minha mãe na testa, pego minha mochila e saio correndo. Pego um ônibus e em vinte minutos estou na frente do colégio. Entro por uma portaria e desço alguns degraus. Na minha frente está a cantina, e à esquerda, um enorme pátio coberto.

Compro uma garrafinha de água e me sento em um banco, no pátio.

Mas que droga! Colégio novo! Odeio isso! Vou ficar totalmente sozinha! Quem vai ser amiga de uma garota magricela, de um metro e setenta, estranha, com pernas longas e olhos grandes como uma amora?

Logo o sinal toca, sete e quinze é o começo das aulas. Mas, eu não sei para onde ir. Estou perdida. Minha sala é a D, mas não faço a mínima ideia de onde fica. Fico desnorteada no meio do pátio, com algumas crianças correndo, até que alguém chega ao meu lado.

-Oi.-um voz rouca me cumprimenta. O dono dela é um garoto mais baixo que eu- chutaria um metro e sessenta e cinco-, olhos castanho-claros pequenos, pele um pouco mais escura que a minha, magro e usa uma calça jeans e a blusa do colégio.

-Oi.-falo meia envergonhada.

-Aluna nova?

-Sim.

-Prazer, sou Gabriel.-ele estende o braço.-E você?

-Amandla.-aperto sua mão.

-Qual é seu sala?

-D. E a sua?

-D também.-ele sorri. Um sorriso lindo e perfeito.-Vamos?

Sorrio e ando ao seu lado. Achamos nossa sala. É comprida, com 3 janelas na parede esquerda, 3 ventiladores na direita, a porta atrás da sala e um quadro IMENSO lá na frente. Nenhum professor está na sala e praticamente todos os lugares estão ocupados. Há apenas 2 carteiras vazias, bem no fundo, do lado da janela. Me sento atrás e Gabriel na minha frente.

Pego um caderninho e o estojo.

A sala está uma bagunça, os nerds lá na frente estão quietos, no meio da sala, os “normais” estão conversando e matando as saudades e as patricinhas estão em um círculo, de blá blá blá. E aqui no fundão, bagunça geral. É gente rindo, se abraçando, subindo na cadera, gritando e usando celular.

Logo o professor chega. Ele é alto, musculoso, de meia idade, cabelo curto e castanho, olhos da mesma cor, barba rala e voz grossa. O povo se senta e o professor anda até sua mesa.

-Meu nome é Velsir. Sou o professor de Matemática de vocês.-ele se apresenta.-Peguem o lápis, a régua e uma caneta azul.-ordena.

Pego os materias e ele começa a ditar a matéria.