Lá estava eu naquele ambiente que me dava arrepios. Meus braços me abraçavam como forma de proteção. Um homem alto de uniforme preto me seguia ao mesmo tempo que me conduzia a uma sala naquele imenso local.
Os corredores pareciam cada vez maiores. Estava assustada, qualquer pessoa em meu lugar estaria. Finalmente chegamos a tal sala. Continha paredes azuis claras transmitindo calma, os móveis brancos e impecáveis, uma mesa de vidro no centro com duas cadeira, uma de cada lado. O homem grande me levou até uma cadeira, a qual eu me sentei em seguida.
Poucos minutos uma moça loira, de cabelos curtos presos em um rabo de cabo cavalo entrou na sala.
- Desculpe pelo atraso. — sorriu educadamente.
Não fiz nenhum movimento, o homem ao meu lado apenas a cumprimentou com a cabeça em uma saudação formal.
- Você deve ser a Jessica né? — a moça me fitou com seu olhar doce, seus olhos eram de um tom de azul incrivelmente bonito.
- Sim. — murmurei e encarei minhas unhas sujas. -Meu nome é Cloe. — se apresentou e estendeu a mão, a qual eu não peguei. — Você sabe por quê ta aqui? — disse, agora, com cautela.
Fiz que não com a cabeça.
- Você nunca mais verá Robert de novo. — Aquele nome me fez estremecer. Eu nunca mais o veria? Ele me seguiria. Tenho certeza. Me remexi na cadeira em sinal de desconforto.
- Ta tudo bem? — assinto, porém, estou mentindo. Falar de Robert nunca me agradou. — Você pode me dizer o que ele fez com você? — Cloe tira um bloco de seu bolso e pega um caneta em seu colete.
- Eu não posso falar. — encarei minha mãos novamente.
- Por que? — ele vai me machucar, sua tonta! Pensei
- Eu não posso. — senti uma lágrima correr pela minha bochecha.
- Ele não vai saber. — Ele sabe de tudo! Disse mentalmente.
- Você não sabe de nada. — me irritei.
- Se acalme, Jullian pegue uma água pra ela. — ela se dirigiu ao homem forte e alto ao meu lado.
- Sim, senhora. — ele logo a obedeceu.
- Eu não quero água. — minha voz firme a intimidou. Ele fazia isso comigo.
- Eu não irei falar nada pra ele, você não ira mais sofre nas mãos dele. Pode falar comigo. — sua voz era gentil. Será que podia confiar nela?
- Ele me tocava. — minha voz saiu em sussurro. A caneta em suas mãos começaram a arquivar naquele bloco o que eu dizia. — Não conte pra ele! — gritei em exasperação.
- Fique calma! Ele não saberá de nada. — tranquilizou.
Minha água chegou. O copo com o líquido foi posto em minha frente, peguei e bebi um gole. Podia ter algo ali. Não confio em ninguém. Eu não tenho ninguém pra confiar.
- Ele te ameaçava? — enxerida, isso não te interessa.
- Por que quer saber disso? — virei o jogo.
- Eu preciso dessas informações, só quero o melhor pra você.
- Você tem pena de mim! — ele tava certo, todos tinham pena de mim.
- Não! — disse rápido. — Nós só queremos cuidar de você. — nós?
- Nós? — pergunto com expressão confusa.
- Dr Peter irá cuidar de você.
- Eu não quero ajuda. Quero ir pra casa.
- Você precisa de ajuda.
- Não! Eu sou normal!
- Por favor se acalme e converse comigo. — ela tentou mais uma vez. Me ajeitei na cadeira. — Onde ele te tocava?
- Não importa. — disse com a voz rígida.
- Sim, importa.
- Eu quero ir embora.
- Se você responder minhas perguntas, você irá.
- Que saco! — resmunguei, cruzando os braços.
- Onde ele te tocava?
- Em meu corpo... todo. — lembranças sombrias me vieram a mente. Sua voz veio como uma assombração. "Você tem um corpo lindo, nunca vou me cansar de você". Gemi de dor. Cloe olhou pra mim vendo o horror em meus olhos.
- O que foi? — perguntou preocupada.
- Ele ta aqui! — chorei. — Ele vai me pegar e me machucar de novo. — o choro interferia em minha voz. Soluçava e tremia.
Jullian veio em minha direção. Robert veio a minha mente.
- Não! Me deixa, por favor! Não! — gritei desesperada. De novo não.
