Colegial é o que te transforma. É nessa época que você decide quem você realmente é. Eu estou no topo, sou o capitão do time de futebol, namoro a Líder de torcida mais linda, o que poderia melhorar?
- Bom Dia Luke.
Todos me cumprimentavam. Eu não era o tipo de popular metido, eu interagia com as pessoas, não me gabava de ser o maioral nem nada, não batia nos nerds, não maltratava as meninas menos desprovidas de beleza. Eu era um cara normal, sem preconceitos.
Eu tinha um sonho, queria ser ator, aparecer na TV e ser famoso. Mas caí na realidade e vi que isso é meio impossível. O sinal tocou, preciso ir para a aula, por sorte, tenho a primeira aula com Alex, minha namorada.
- Bom dia meu amor. – Ela me da um selinho assim que me vê.
- Bom dia. – Me sento ao seu lado e assistimos à aula.
Que aula chata. Já estamos no meio do ano, do ultimo ano. Eu irei me formar e irei para uma faculdade. Ganhei uma bolsa de estudos por ser jogador, mas não sei se vou segui-la.
- Vai à festa do Brendon hoje a noite? – Alex me perguntou em um sussurro para que o professor não note.
- Sim. – Sussurrei de volta sem lhe olhar.
- Ótimo. – Ela voltou à atenção a aula.
Ela era do tipo viciada em imagem. Ela só pensa em como o pessoal a admira, em como ela é linda e em como é popular. Não penso assim, não ligo para isso. Vou à festa porque Brendon é meu melhor amigo, se não fosse por isso ficaria em casa com meu vídeo game. Porque essa aula está tão longa? Eu estava em qualquer lugar menos naquela sala tediosa, aulas de histórias sempre são assim.
O sinal da liberdade finalmente toca e sorrio. Levanto e vou com Alex até o refeitório, ela pega uma salada e eu dispenso a comida, apenas pego um refrigerante e me sento com o time de futebol.
- A festa hoje vai ser ótima. – Brendon anunciava a festa em meio a mesa.
Todos gritaram e concordaram, permaneci sentado e quieto. Não sou de festas, não sou de sair, não sou como os outros caras. Sou bem calmo, até demais. O sinal que antes era o da liberdade agora é um sinal torturante, de volta as jaulas, quer dizer, salas. Agora os últimos tempos de Física e depois, lar doce lar.
Para minha grande e ótima sorte as horas passaram voando. Já estou a caminho de casa, ar puro. Levo Alex até a sua casa que fica no caminho da minha. Combinamos o horário que irei passar ali para pegar-lhe. Tudo certo para a tal fantástica festa.
Tinha algumas horas de descanso. Cheguei em casa e me deitei em meu quarto, em poucos minutos estava dormindo que nem uma pedra. Tive mais um de meus sonhos sem sentido algum, dessa vez foram macacos voadores com elefantes amarelos que tinham bolinhas coloridas em sua lateral. Cachorros com cabeças de gato pendurados nas árvores como morcegos negros. Acordei assustado e suando. Que diabos era isso?
Ouvi o celular tocar, era Alex. Antes de atender olhei a hora. DROGA! Atendi correndo até o banheiro.
- Oi amor, como você ta? – Falei disfarçando a respiração acelerada.
- Eu estou bem e você estava dormindo? – É, ela me conhece.
- Estava. – Confessei e comecei a rir.
- Ainda bem que te liguei, são 21:00hrs, você tem trinta minutos para chegar aqui. – Ordem dada, e os sábios as obedecem.
Tomei um banho de, eu acho, uns cinco minutos, vesti qualquer coisa que vi no guarda roupas, afinal não era algo grandioso, era uma festa de colegial em uma sexta à noite, todos já estariam bêbados e nem se lembrariam de nada no dia seguinte.
- Demorou mais de trinta minutos. – Alex me espera na frente de casa.
- Desculpe, sabe que tenho sono pesado. – Dei de ombros e seguimos juntos.
- Precisa de um carro. – Ela caminhava com a mão direita na cintura, mania de Líder de Torcida.
- A casa do Brendon é uma quadra da sua. – Ri e ela revirou os olhos.
- Mas é feio chegar a pé em uma festa, não fica bem pra imagem. – El olhava para frente séria, seus longos cabelos dourados caiam perfeitamente em seus ombros.
- Não seja por isso. – Corri e chamei um táxi, mas não daqueles típicos amarelos. Os táxis do lado negro. Eles são compostos por homens que não conseguiram sua licença para trabalhar, mas que precisam do dinheiro. Então seus carros são totalmente pretos. – Melhorou?
- Sim. – Ela agarrou meu braço e deitou seu rosto em meu ombro.
Chegamos em menos de um minuto a frente da casa, que já estava lotada por sinal. Música alta, bebidas por todos os lados, pista de dança lotada, casais juntos em cantos. Como disse, típica festa de sexta a noite.
- Quer uma bebida? – Perguntei a Alex que mantinha sua mão na cintura.
- Claro. – Ela sorriu e me deu um selinho.
Fui até o bar improvisado, que era na verdade o balcão da cozinha no meio da sala. Peguei duas bebidas, sem álcool, e estava indo ao encontro da minha baixinha quando gritaram.
- JOGO DA GARRAFA! – Levei um susto e olhei Brendon com uma garrafa de Whisky em mãos.
Alex surgiu ao meu lado sorrindo de orelha a orelha. Que jogo besta, só planta discórdia em quem já é compromissado.
- Quem não quiser, não precisa participar. – Ele falou dando de ombros e logo formando a roda.
- Eu vou. – Alex foi correndo.
- Espera. – Sai atrás dela. – Você tem namorado lembra? – Disse olhando em seus olhos.
- É um jogo Luke, nada demais. – Ela sentou no circulo.
Eu não vou ficar vendo minha namorada beijar outros caras na minha frente, então entrei nessa também. Quem sabe não me dou bem?
- Tem uma regra, só gira a garrafa uma vez, onde parar tem que beijar, sem segundas chances. – A garrafa foi posta no centro e começou o jogo.
Brendon girou e parou em Katy, Raphael girou e parou em.. Alex? Ele não vai beijar minha namorada, nem pensar. Ele vai jogar isso na minha cara por anos depois, não vou permitir isso.
- Não! – Gritei e todos me olharam. – Alex você não vai beijar ele. – Sussurrei para que somente ela possa ouvir.
- Porque não? É um jogo. – Ela sorriu e seguiu em frente.
Uma raiva foi me consumindo, mas eu não queria pagar de namorado ciumento, ou pior, o cara que não sabe jogar. Mudei a direção do olhar para não ver aquela aberração de cena. Minha Alex beijando esse cara nojento.
- Sua vez Luke. – Brendon apontou a garrafa.
Respirei fundo e a girei, foram os momento mais torturantes e angustiantes. Ela não parava de girar, parecia que iria parar, mas continuava. Então finalmente parou e Alex gritou.
- Sem chance. – Ela disse me olhando séria. Segui a ponta da garrafa até a pessoa a minha frente, me assustei ao ver o que se sucederia. – Gira de novo.
- Não pode, são as regras. – Todos me encaravam e Brendon deixou bem claro que teria que ser aquilo mesmo.
- Você não vai fazer isso? – Alex praticamente pulava em mim.
- Você já teve sua vez, porque eu não posso ter a minha? – Sorri e me levantei para ter que beija-lo.
- Pelo simples fato de ser um menino, Luke. – Ela puxou meu braço e disse, a ignorei e fui.
Sei que parece loucura, mas eu posso dizer que estava totalmente bêbado, chapado, talvez. Ninguém vai se lembrar disso aqui na segunda, ninguém vai ligar. E daí se estou beijando um menino em meio a uma festa, na frente de todos.
