= Um mês atrás =
– NÃO!!!!
Era noite em Tóquio, já passava das duas da manhã. O grito masculino ecoou de um dos becos que parecia deserto até então. A visão seguinte foi de três rapazes correndo, apavorados.
– Foi um lobisomem!! Um lobisomem!!
– Droga, precisamos chamar a polícia, ou a ADPS!! O Okami-sensei…!
Enquanto eles corriam, uma figura pousou no alto de um prédio próximo. Ele tinha uma gargantilha no pescoço peculiar, roupas elegantes pra idade que aparentava ter (camisa social branca, colete preto e calça social preta) e as mãos no bolso. Seu rosto era jovem e angelical, um rosto que muitas pessoas consideraria bonito. Ele deu uma risada breve. Ele viu o tal lobisomem subindo velozmente o prédio usando as garras e fugindo pela noite.
– Heh… então era só um lobisomem fazendo um lanchinho, é? Pensei que fosse algum daqueles…
Os três que correram antes gritaram realmente alto e de forma desesperadora. O rapaz de gargantilha olhou pra frente e agora eram eles em perigo: havia uma espécie de monstro estranho vindo lentamente em direção a eles. Era horrendo, com vários cabos de energia soltando faíscas. Ele grunhia assustadoramente na direção dos três jovens, que caíram sentados e quase chorando. E havia faíscas saindo até das mãos daquela criatura.
– Tsc… É um daqueles… – comentou o jovem da gargantilha.
Então, ele pulou do prédio como se não fosse nada.
Na rua, os três ainda se arrastavam, com medo de serem devorados ou eletrocutados.
– N-Não!! Fica longe de mim!! Não!!
– Socorro!! Alguém…!!
– Ele vai nos matar!! Não!!
O monstro só urrou e continuou avançando, prestes a fazer o que ia fazer… quando levou um chute poderoso no rosto, que o jogou pra trás. Quem chutou foi o rapaz da gargantilha. Que pousou na rua com tranquilidade e limpando a sujeira da calça. Os três que pediam ajuda olharam incrédulos.
– Qu… Quem é você?! – perguntou um deles com a voz esganiçada.
– Bom, eu acho que vocês só deviam fugir logo, sabe. Aquele ali não é vampiro, nem lobisomem, nem múmia, e nem nada que normalmente aparece a essa hora. – respondeu o rapaz da gargantilha.
– V-Você é da ADPS?? P… Por favor, tem um amigo nosso… Ele foi atacado no beco…!
– É, eu vi o lobisomem. – respondeu o rapaz.
Um dos outros três gritou. O da gargantilha olhou pra trás e viu a criatura se levantando e manifestando seus cabos de energia com mais vontade, soltando bastante faísca. Os cabos foram lançados na direção do que o chutou. Mas este foi desviando e se movimentando numa velocidade que era tudo, menos humana. Os três no chão mal podiam acreditar.
– V-Você é um…
– Vampiro? Sim! – respondeu sorrindo o da gargantilha, que começou a brilhar em vermelho. – Bem, eu tô com pressa, então deixa eu terminar com isso aqui logo.
Uma luz cegante vermelha brilhou na rua toda. Aquele vampiro agora usava um traje no corpo todo de cor vermelha e preta. Ela tinha capacete vermelho com visor longo preto, cinto com um coldre com uma arma laranja, calças e botas pretas, runas desenhadas nas mangas vermelhas, faixas brancas amarradas nos antebraços e punhos, o desenho de patas de aranha no peito e a gargantilha ainda visível.
Ele não perdeu tempo e avançou, dando uma série de socos e chutes com bastante força naquele monstro, que urrava a cada golpe que levava.
– São dois monstros!!
– Vamos fugir!!
– Ren, desculpa!! Vamos fugir…!!
Os três foram fugindo enquanto a figura de vermelho continuava golpeando com confiança e habilidade aquele monstro. Mais uma joelhada atingiu a cara do monstro, que caiu rolando no chão. Então, ele se levantou e soltou uma onda gigantesca de eletricidade, atacando uma grande área ao redor dele. O vampiro grunhiu mas pulou bem alto pra desviar daquelas explosões perigosas. Quando pousou e olhou pra trás, o monstro já tinha ido embora.
– Droga… – resmungou o vampiro, que voltou pra forma civil depois de um brilho forte.
– Me… ajuda…
A voz veio de trás. O vampiro se virou na hora pra ver. O que tinha sido atacado pelo lobisomem antes se arrastava ensanguentado, ainda vivo, pela saída do beco que dava pra rua. O vampiro arregalou os olhos comicamente.
– V-Você ainda tá vivo??!
Então, foi andando na direção dele, com as névoas da noite anunciando as muitas coisas tenebrosas que ainda estão por vir subindo sem parar.
= Um mês atrás. Dia seguinte ao ataque no beco =
Ren Okami acordava aos poucos. Ainda sentia dor no ombro esquerdo, onde foi mordido por um lobisomem. As luzes claras daquela enfermaria estranha o incomodavam. Mas sentiu algo diferente no pescoço. Passou a ponta dos dedos com calma no que parecia ser uma correia. Na frente dela, tinha algo de metal, de formato circular.
– Q… Quê…? O que… – ele murmurava pra si mesmo ainda despertando.
– Olha só quem acordou!
Ren se levantou devagar na cama e olhou pra quem falou aquilo. Era o vampiro que o salvou na noite anterior e olhava pra ele com um sorriso debochado. O que estava na cama olhou desconfiado e depois viu que estava usando roupas de hospital azuis e havia um lençol o cobrindo.
– Ei… onde estou?? Quem é você?? – perguntou Ren.
– Meu nome é Tsukihiko Kageaki. Tô vendo que você ganhou uma igual a minha! Bem-vindo ao circo. – respondeu o vampiro apontando pra própria gargantilha.
Ren ficou incomodado e tocou novamente o objeto no pescoço.
– Por que colocaram isso em mim?? O que tá acontecendo??
– Antes, não quer ver como ficou seu ferimento? – disse Tsukihiko.
Ren se desesperou, abrindo a camisa com medo de ver algo horrendo… mas estava tudo normal. Só havia o incômodo da dor mesmo.
– E-Eu tô curado…? – perguntou Ren.
– Do ferimento? Sim!! – respondeu Tsukihiko sorrindo debochado – Mas bom… a má notícia é que agora você vira um lobão monstruoso quando tiver lua cheia. Mas, a vida de ninguém é perfeita né…
Ren arregalou os olhos desesperado.
– EU VOU VIRAR LOBISOMEM??! Como pode falar disso com tanta calma???
– Nossa, fala baixo, cara… – respondeu Tsukihiko. – Não só lobisomem, você é um de nós agora. Bem-vindo aos Halloweengers. E não, isso não é uma boa notícia. Você é propriedade do governo agora. Assim como eu… e assim como os outros três.
– E-Eu não sou propriedade!! H-Halloweengers?? Eu sou desenhista de mangá!! Eu quero ir embora!! – disse Ren.
Tsukihiko andou até ele e colocou a mão no ombro do rapaz na cama.
– Cara… Acabou. Eu já tô nessa faz um ano. Ninguém consegue fugir da ADPS. Isso aqui nos nossos pescoços é como se fosse uma coleira. O que quer que você tinha antes, pode dar adeus. Estamos no mesmo barco agora.
Ren ficou com semblante triste. Tsukihiko deu de ombros e tomou um suquinho com canudinho. Era um pacote transparente com algo vermelho viscoso… que com certeza era sangue humano.
– Eu volto mais tarde pra te explicar melhor as coisas. Descansa aí. – disse Tsukihiko, que foi embora daquela enfermaria.
Ren olhava pra todos aqueles aparelhos, ouvia o som deles funcionando, tocou de novo a gargantilha no pescoço… e se sentiu realmente encrencado.
...
Duas horas depois, Tsukihiko e Ren caminhavam pelas instalações da ADPS, com Ren já usando sua roupa do dia a dia: camisa de abotoar azul aberta, blusa branca de manga comprida por baixo, a calça cinza folgada com bolsos e tênis preto. Os dois de gargantilha andavam com as mãos nos bolsos.
– Ei… E se a gente tentasse trabalhar juntos pra fugir? – começou Ren.
– Isso já foi tentado muitas vezes. – respondeu Tsukihiko. – A menos que queira levar um choque inesquecível, eu sugiro que acalme esse focinho.
– Eu não sou cachorro. – respondeu Ren comicamente ofendido. – Bom, então, vai. Me conta sobre esse lugar. ADPS, né? Eu já a conhecia de nome, mas não sei muito.
Eles continuavam a caminhar nos corredores enquanto Tsukihiko ia falando:
– Agência de Defesa e Pesquisa Sobrenatural: ADPS, pros íntimos. É uma agência governamental de âmbito nacional, subordinada diretamente ao Gabinete do Japão, sob supervisão política do primeiro-ministro e de um conselho de segurança nacional. Ela é conhecida pelo grande público, que sabe que o governo mantém uma estrutura especializada em incidentes sobrenaturais...
Então ele parou com olhar sério. Ren fez o mesmo. O vampiro completou:
– Mas não sabem o que realmente acontece aqui.
Longe dali, um sujeito alto e robusto, com cicatrizes no rosto, casaco verde, blusa preta, calça social preta e a mesma gargantilha que Ren e Tsukihiko usavam, estava sentado com elegância num parque, lendo “Meditações” de Marco Aurélio. Na ADPS, o monólogo de Tsukihiko continuava:
– Antes de você, eu e outros três fomos capturados pro tal “Projeto Halloweenger”. Além de nós dois há um cara enorme que foi criado em laboratório. Ele é bem forte…
Em outro lugar, um bairro distante, passeava uma garota adolescente linda com blusa xadrez amarela, saia plissada azul, tênis comuns, e a mesma gargantilha que os outros possuem. Mas havia um detalhe peculiar. Ela tinha faixas amarradas nos dois braços e nas duas pernas. Faixas que pareciam ser realmente antigas. Ela corria animada olhando loja por loja, suspirando de curiosidade:
– Nossa…! Existe mesmo loja de tudo!! – exclamou a garota, com os olhos brilhando. – É tão lindo!!
Na ADPS, Tsukihiko continuava a falar:
– Temos uma múmia também.
– M-Múmia?? – Ren estava incrédulo.
– É. Parece que ela tem mais de 3 mil anos de idade. – respondeu Tsukihiko.
– C-Cara, ela deve ser assustadora…
– Ah, essas coisas nos nossos pescoços disfarçam quem parece ser horrível demais, sabe. É o mesmo pro grandão que eu falei antes, que tem pele verde, na verdade.
– Elas podem fazer isso?? – perguntou Ren.
– Isso e outras coisas que você vai aprender ao longo do tempo. – Tsukihiko sorriu.
O cenário era uma cozinha que parecia uma cabana de bruxa. Tudo era precário, sujo e escuro. Havia ingredientes pendurados num varal, frascos com coisas bastante sinistras em prateleiras de um armário velho, velas em alguns locais e uma lareira velha acesa. Naquele local fechado, havia uma moça mexendo um caldeirão que exalava uma fumaça mística cor de rosa. Quem mexia era uma moça extremamente linda, usando um vestido gótico preto com laços e cordões cor de rosa. Ela também tinha luvas arrastão… e a mesma gargantilha dos outros. A garota segurava um grimório com estilo de escrita que poucos sabiam ler. Ela olhava satisfeita pra poção que estava concluindo.
– Temos uma bruxa também. – dizia Tsukihiko ainda na caminhada com Ren na ADPS.
– B-Bruxa?! Cara… isso parece um grande fanservice de filmes de terror!! – disse Ren, incrédulo. – Isso seria até um bom roteiro de mangá se me perguntar…
– Com você lobisomem e comigo vampiro, somos cinco, o número que eles precisavam.
– E por que precisam de… criaturas?
– Porque existe uma ameaça que… não pertence a nenhum de nossos grupos. É uma ameaça monstruosa e que ataca humanos e destrói lugares com grande facilidade. Parece que se auto denominam como… Império Obsidia. Como não há nenhum Super Sentai em evidência no momento, o governo decidiu criar o seu próprio… com seres que conseguem lutar com esses inimigos.
Ren engoliu em seco. Aquele mundo onde vivia já tinha visto ataques de muitas forças malignas, que sempre foram frustrados por equipes chamadas Super Sentai. E agora, mais uma dessas forças malignas apareceu depois de um grande período de paz, mesmo que agora o mundo tenha casos de aparecimentos de vampiros, lobisomens, múmias e outros seres.
– A ADPS entra nos apoiando. – continuou Tsukihiko. – A Divisão Científica é responsável pelos equipamentos que a gente usa. A Divisão Mística cuida de vincular os equipamentos à nossas capacidades sobrenaturais por meio de feitiços e encantamentos. E a Divisão Tática é a infantaria militar de humanos que atuam quando há grandes ataques do Império Obsidia ou…
Tsukihiko se aproximou com um olhar maligno e sorriso desafiador na direção de Ren, deixando o jovem um pouco temeroso.
– … ou quando NÓS saímos do controle.
– E… Entendi… Então… agora somos super-heróis? – disse Ren um pouco trêmulo.
– Pfff… fale por você. – disse Tsukihiko voltando a andar pra frente. – Eu não pretendo ser usado como marionete pro resto da minha vida, que já tem mais de quatrocentos anos.
– Q… Quatrocentos…?! – Ren olhou pra ele realmente estupefato agora.
– Em todo caso, preciso que você fique preparado. A partir de hoje, vamos treinar e ficarmos prontos pra tudo. Seja o Império Obsidia, seja outros monstros… sejam os humanos. Nós vamos ser livres um dia, ou meu nome não é Tsukihiko Kageaki.
= Momento atual =
Uma mulher de cabelo bastante curto batia com ferocidade num saco de pancadas numa instalação de treino. Ela tinha golpes precisos, e técnica apurada. Além da roupa de treino que usava (um quimono branco de caratê), ela tinha um aparelho montado no pulso esquerdo, com uma tela de toque. Suava e soltava gritos de combate a cada golpe desferido. O saco de pancada balançava bastante, as correntes rangendo.
Então, ela terminou o treino e pegou uma toalha de rosto, se enxugando. Até que ouviu uma voz masculina:
– Uau, bom trabalho, Haruka! Tá em forma, hein?
Ela se virou irritada pra direção de quem falou: o vampiro Tsukihiko, com seu sorriso debochado, encostado um canto onde não havia ninguém há um segundo, usando suas roupas elegantes e a gargantilha de sempre.
– É Agente Kasumi pra você, vampiro. – disse Haruka.
– Vai treinando mesmo… Vai ter que correr bastante pra me pegar quando eu finalmente fugir daqui. – disse Tsuhikiko com um sorriso caçoador.
– Cale-se ou vou te dar o choque do dia. – respondeu a agente apontando pro dispositivo no pulso. – Como vai o treinamento do recruta lobisomem?
– Ele se adaptou surpreendentemente bem em um mês. – respondeu o vampiro – Seu precioso time de monstros está pronto pra o que precisar, Vossa Majestade.
– Seu sarcasmo não me impressiona. – ela disse seca e se virou pra ir embora.
Em menos de um segundo, Tsukihiko a alcançou, ficando na frente dela. Haruka arregalou os olhos, ficando corada com aquela proximidade toda. O vampiro sorria, provocador.
– Mas o meu olhar impressiona, tenho certeza. – disse ele.
– O… O que pensa que… – começou Haruka.
Ele se aproximou mais, fazendo ela recuar mordendo o próprio lábio, olhando pro lado sem jeito. Tsukihiko olhava pro pescoço dela e podia sentir o sangue correndo nas veias humanas. Ele se afastou, desfazendo o sorriso e piscando os olhos, que já brilhavam em vermelho.
– … Tá, desculpa eu…
Mas ele tomou um choque poderoso no corpo todo, fazendo ele gritar muito alto. Haruka tinha acionado o dispositivo só pela raiva que passou da vergonha que ele a submeteu. O vampiro desabou de joelhos no chão quando terminou o choque, o corpo saindo fumaça. Aquela gargantilha que ele usava tinha um encantamento que não apenas impedia que ele a removesse, mas que também ficasse sujeito ao controle do governo por meio da ciência. E os choques afetavam até a estrutura sobrenatural dele. Tsukihiko desabou de lado, ficando em posição fetal, tamanha foi a dor.
– Seu idiota!! Me forçou a fazer isso!! – disse Haruka irritada – Não chegue perto de mim como se eu fosse seu brinquedo, entendeu??
– Entendi… – disse o vampiro, ainda se regenerando.
– E fique de prontidão pra quando eu chamar!!
Ela saiu irritada dando passos furiosos. Tsukihiko se levantou com um sorriso idiota. Atrás dele, a moça de vestido preto gótico assistia com um sorriso debochado.
– Qualquer dia desses ela te mata de verdade, seu imbecil. – disse ela.
– Ela tá doida por mim, Asuka. É tão óbvio. – respondeu Tsukihiko.
A bruxa de 250 anos, Asuka Tsubaki, se aproximou do colega de gargantilha.
– Ah sim, cada choque é tipo uma flecha de cupido, certo? Homens! – disse a bruxa.
– Hmmm… o choque foi equivalente a um tapa na cara se fosse um mangá de comédia escolar.
Os dois olharam pro lado. Ren analisava a cena com a ótica de um desenhista de mangá.
– Ninguém perguntou a sua opinião, cachorro nerd!! – disse Asuka.
– Ei!! Lobisomens não são cachorros!! – protestou Ren.
– Vai procurar um poste pra fazer xixi e não enche!! – respondeu a bruxa.
– Qual é o seu problema comigo afinal?? – disse Ren – Desde que cheguei aqui, não me dá nada além dessa atitude irritante!!
– Continue me enchendo o saco, seu pervertido, e eu te transformo num sapo pra fazer poção!!
– Pervertido??! De onde tirou isso??
– Você fica me olhando!!
– E isso é crime agora??
– É!!
Tsukihiko revirou os olhos, impaciente, e saiu andando, limpando as cinzas que ficaram na roupa quando tomou o choque, deixando os dois discutindo comicamente. Ele foi andando até um local onde saberia onde encontraria o mais alto do time: a biblioteca.
– Daichi, você só sabe ficar lendo?
Daichi Franken, o homem alto de casaco verde baixou o livro “A Arte da Guerra” de Sun Tzu pra encarar o colega vampiro e responder:
– Tecnicamente, eu também sei fazer atividades domésticas, me viro bem em combate e também sou útil para atividades que exijam força física.
– Foi pergunta retórica, cara… – respondeu Tsukihiko, impaciente, se sentando ao lado de Daichi.
– Imaginei. É que gosto de dar respostas irritantes pra incentivar que não as façam.
– Cadê a Sunako?
– Vendo anime no Castelo Fake.
– Anime?! Sério?? – disse Tsukihiko, incrédulo.
– Não se compara a ler livros, mas é uma boa ferramenta pra mente infantil dela se situar no mundo moderno. E também dá boas noções do que fazer em situações de combate, as quais nos encontramos constantemente.
– Francamente… – suspirou Tsukihiko.
– E você não deveria irritar a Agente Kasumi. Estou vendo que está um pouco chamuscado.
Tsukihiko ficou corado, olhando pro lado.
– Você não entenderia se eu explicasse.
– Eu entendo que vampiros possuem suas… necessidades. – disse Daichi com calma – Mas lembre-se da nossa situação atual.
Tsukihiko estalou a língua no céu da boca, deitando a cara nos braços cruzados por cima da mesa. Daichi retomou sua leitura com serenidade.
…
Longe dali, num local desconhecido, havia um grande complexo tecnológico com paredes obscuras e aura bastante intimidadora. Era o quartel-general do Império Obsidia. Por todas as paredes, havia vários cabos transmitindo energia elétrica e mística. A mistura das duas ciências dava origem a quase tudo ali.
Então, a passos irritados, uma garota – ou um ser que absolutamente se parecia com uma garota – de pele totalmente verde, cabelo rosa, cauda com folhas de planta na ponta, corpo de adolescente e traje futurístico colorido, foi se aproximando de uma câmara onde estava um ser enorme e ameaçador: aquele monstro cheio de cabos de energia elétrica que Tsukihiko enfrentou um mês atrás. Ela chutou comicamente a porta de vidro da câmara.
– Escuta aqui, ô “come e dorme”, já deu tempo de você sarar!! – resmungou a garota de um jeito bem infantil – O Mestre Axiom quer você pronto pra ONTEM!! Tá na hora de lançarmos o grande ataque que estamos planejando faz tempo!! Anda! Acorda pra cuspir!! Sair dessa câmara, acorda, maluco!!
Ela apertou um dispositivo na lateral da câmara de recuperação e o monstro saiu rugindo alto, soltando faíscas pelas mãos, pronto pra mais violência. A garota deu um sorrisão satisfeito.
– É assim que eu gosto!! Vou preparar os Ziegels e já volto pra te buscar, tá??
…
Quando a noite chegou, Haruka corria pelos corredores da ADPS, vestida em seu traje tático todo escuro, com colete, arma de fogo no coldre, luvas de meio dedo e aquele mesmo dispositivo ainda no braço. Ela acionou a função de comunicação dele enquanto um alarme soava sem parar por todo o complexo, com luzes vermelhas piscando.
– Chamando Divisão Tática para formação agora!! Cidade sob ataque!! – ela dizia com semblante sério – Atenção, Halloweengers, apresentar para combate!! Isso não é um treinamento!!
Em Tóquio, a visão era apocalíptica. Prédios em chamas, explosões, pessoas correndo e gritando em perigo. Carros batiam uns nos outros quando se aproximavam da imensa formação de soldados que estava na avenida.
Uma mulher gritou quando saiu de seu carro com a filha pequena. Os seres eram todos exatamente iguais, um pelotão de soldados que pareciam feitos de tijolos. Eles tinham o corpo todo bastante sólido, com padrões de tijolos por toda a parte de sua armadura. O único lugar que não tinha cor de tijolo eram os olhos. Eles eram vermelhos, ameaçadores naquele rosto que era basicamente como um capacete sem boca. Eles marchavam, cada um com uma espada de pedra que parecia trincada, mas forte o suficiente pra cortar carros, postes, e tudo o que entrasse no caminho. Na frente da mão esquerda, quatro canhões pequenos estavam montados. Eles disparavam projéteis poderosos de energia que causavam as explosões nas lojas, apartamentos e veículos. Era pânico total. As pessoas corriam por suas vidas, abandonando propriedades, veículos e tentando só sobreviver.
Atrás dos Ziegels, os soldados de tijolo, vinha toda animada aquela garota de pele verde e cabelo rosa. Ela agia como uma líder de torcida, fazendo dancinhas e ficando super empolgada com aquela destruição sem precedentes nas ruas.
– É isso aí, Ziegels!! Explode tudo!! – torcia a garota colorida – Mandem o recado do Império Obsidia!! O Mestre Axiom vai acabar com esses humanos nojentos!! Uhuul!!
A Divisão Tática da ADPS chegou. Vários agentes com trajes táticos escuros já começavam a evacuar pessoas, ajudando a tirar de veículos destruídos e coordenando outras frentes pra salvarem vidas humanas. Haruka viu a garota inimiga “animando” os inimigos e se voltou pro aparelho novamente:
– CADÊ OS HALLOWEENGERS?? Quero todos aqui agora pra conterem essa invasão!!
– Nossa, calma, Haruka… Já tamos aqui.
Haruka se virou na hora. Os cinco chegavam com Tsukihiko coçando a nuca cheio de preguiça. Sunako olhava com olhos empolgados aquele monte de soldados. Daichi continuava sereno. Ren ficou genuinamente chocado com o número de inimigos e Asuka já sorria desafiadora.
– É AGENTE KASUMI, vampiro!! – resmungou Haruka, corada.
– Nossa!! Olha só quando robozinho de tijolo!! Olha, Daichi, olha!! – dizia Sunako toda empolgada.
– São inimigos, Sunako. Prepare-se pra destrui-los. – disse o enorme de casaco verde.
– Ah… – Sunako inclinou a cabeça comicamente, entendendo.
– Está na hora de mostrar meu poder absoluto!! – disse Asuka com sorriso arrogante.
– Peraí… quem é aquela?! – Ren apontou pra garota de pele verde e cabelo rosa.
Os Ziegels se viraram pra direção de onde estavam os que conversavam. Ren soltou um “eeeek!” cômico. Então, aquela garota que animava os soldados foi correndo até a dianteira, fazendo uma pose dramática e infantil – que deixou Sunako empolgada.
– Meu nome é Auxina!! Sou a grande obra-prima do Mestre Axiom!! Prestem atenção, humanos fracotes: vamos acabar com todos vocês!! Que a vontade do grande e perfeito Mestre Axiom seja feita!!! HAHAHAHAHAHAHA!!
Haruka olhava temerosa pra ameaça. Tsukihiko pensou que acabou de assistir ao show mais ridículo de toda a sua longa vida. Ren ainda estava tentando entender quem era aquela garota colorida. Daichi permaneceu impassivo. Asuka se posicionou, cortejando o desafio com um sorriso. E Sunako…
– Daichi, o nome dela é Auxi? – perguntou.
– Auxina. – respondeu Daichi.
– Mas Auxi é mais fácil de lembrar!! E mais fofo!! – disse Sunako sorrindo – Então é Auxi-chan!
– Sunako… – dizia Daichi com a paciência de um monge.
– E eu trouxe outro amigo enorme pra ajudar!! Pode vir, Over-Load!!
Rugindo super alto, aquele monstro com cabos de energia elétrica veio com passos pesados e soltando raios em diferentes ângulos, fazendo muitos lugares explodirem e mais pessoas gritarem. Tsukihiko reconheceu o inimigo de um mês atrás e ficou intrigado.
Haruka olhava com muita angústia a cidade pegando fogo, pessoas feridas, muitas ainda sendo salvas e aquele número imenso de inimigos. Tsukihiko olhou pro rosto da agente e se sensibilizou. O semblante dele ficou completamente sério.
– Atenção, Halloweengers. – começou Tsukihiko – Eu não quero ver nenhum desses inimigos de pé. Nenhum.
Os outros quatro olharam pro líder e perceberam que a coisa ficou séria. Eles ficaram todos sérios e andaram até formarem uma linha perfeita composta por Ren, Sunako, Tsuhikiko, Asuka e Daichi. Haruka ficou surpresa com o comprometimento repentino daqueles seres. Auxina fez uma pose dramática, com a mão acima dos olhos estreitados como se olhasse algo de longe, avaliando os inimigos.
– E vocês, o que estão querendo, humanos?? Essa festa é só nossa! Xô! – disse Auxina.
– Sabe, você já nos chamou de “humanos” duas vezes, garota. – disse Tsukihiko. – Pois bem, nós somos monstros. E agora… chegou a vez dos monstros protegerem os humanos.
Haruka ficou ainda mais surpresa, a feição dela uma mistura de choque com admiração. Os cinco colocaram, ao mesmo tempo, as mãos próximas às gargantilhas que usavam, os rostos sérios.

– HORROR CHANGE. – todos entoaram ao mesmo tempo.
Uma risada medonha pôde ser ouvida das gargantilhas diante da ativação por voz. Elas brilharam e envolveram cada ranger com um caixão de luz energética da cor correspondente deles: azul para Ren, amarelo pra Sunako, vermelho pra Tsukihiko, rosa pra Asuka e verde para Daichi. Os caixões se abriram, revelando cada ranger com seu traje preparado.
– Hallo Red. – disse Tsukihiko, com traje vermelho, com tema de morcego no capacete.
– Hallo Blue! – disse Ren, com traje azul, com tema de lobo no capacete.
– Hallo Green. – disse Daichi, com traje verde, com tema de monstro de Frankenstein no capacete.
– Hallo Yellow!! – disse Sunako, com traje amarelo, com tema de múmia no capacete.
– Hallo Pink! – disse Asuka, com traje rosa, saia de couro preta, com tema de bruxa no capacete.
– Kyofu Sentai… – começou Tsukihiko.
– … HALLOWEENGER!! – os cinco falaram.
Haruka ficou boquiaberta ao ver a aura dos cinco transformados. Auxina ficou com semblante irritado quando percebeu que os inimigos estavam mais legais que ela.
– Aaaaah!! Que ódio!! – resmungou Auxina – Ziegels, ataquem!! Ataquem!!
Os numerosos soldados vieram marchando com as espadas de pedra. O Hallo Red estalou o pescoço com a mão direita.
– Disturblasters, agora. – comandou.

Os cinco agiram com perfeita sincronia, sacando as pistolas laranjas que ficavam nos coldres direitos de seus trajes, já apontando pros inimigos e disparando. Eram rajadas de energia laranja, que explodiam nos peitos e nas cabeças dos Ziegels, matando-os instantaneamente.
– Toma!! Toma!! Toma!! – dizia a Hallo Yellow, toda empolgada.
Mais e mais daqueles inimigos foram estourando e caindo derrotados. Então, os que ainda estavam de pé, ergueram suas mãos esquerdas e foram disparando com os pequenos canhões. Os cinco Halloweengers pularam pra diferentes lugares, desviando dos tiros.
– Ei!! Cuidado com esses canhões aí!! – resmungou o Hallo Blue.
– Para de reclamar, cachorro nerd!! – disse a Hallo Pink.
– LOBISOMEM NÃO É CACHORRO!! – reclamou o Hallo Blue.
Mais explosões separaram os dois, interrompendo a discussão. Hallo Green disparou com a Disturblaster no topo de um poste, fazendo a pesada lâmpada cair, desfazendo a formação de tiro dos Ziegels. Os cinco se reuniram novamente e foram falando pras gargantilhas ao mesmo tempo:
– Disturblade!!
A fivela do traje dos cinco Halloweengers (que era uma abóbora de Halloween estilizada de metal), abriu a boca e soltou energia (cada uma da cor do respectivo ranger), materializando uma espada de lâmina laranja nas mãos de cada um. Armados com as espadas, eles correram pra batalha.
Haruka ficou mais impressionada agora. Os cinco lutavam como um verdadeiro Sentai, trocando golpes de espada com os Ziegels, acertando golpes, destruindo os inimigos com técnicas apuradas. Hallo Red lutava com sua longa experiência de vida sem errar ataques. Hallo Pink lutava com confiança e risadas de bruxa maligna. Hallo Blue, ainda se acostumando, até que se virava bem, matando alguns inimigos.
Um deles tentou dar um soco no rosto do Hallo Green. Ele nem tremeu. Pegou este Ziegel pela gola da armadura, o ergueu como se ele pesasse 1 grama e o atirou tão longe que quando ele caiu, explodiu na hora. A Hallo Yellow tinha uma facilidade absurda de luta com espada, rindo e se divertindo muito com cada inimigo que vencia.
– Haha, isso é tão divertido!! Manda mais inimigos, Auxi-chan!! – dizia Hallo Yellow.
– DO QUE VOCÊ ME CHAMOU?!! Over-Load, ao ataque!!! – berrou Auxina, furiosa.
O enorme Over-Load veio correndo com passos pesados e rugindo. Os cabos de energia elétrica dele ressoavam eletricidade pra todas as direções. Ele simplesmente destruiu os últimos Ziegels que ainda estavam de pé em sua investida furiosa. Hallo Blue tremeu comicamente vendo aquilo.
– Pra que você foi irritar aquela menina de cauda, Sunako??
– Mas eu só… – tentava se defender Hallo Yellow.
– Cuidado!! – gritou Haruka que assistia de longe.
Os cinco Halloweengers foram capturados pelos cabos de energia do monstro. Antes que se libertassem, ele descarregou muita eletricidade na equipe, causando estouros nos trajes deles e fazendo-os gritar de dor.
– Não!! – Haruka se preocupou de verdade, saindo de seu esconderijo e sacando sua pistola.
Ela atirou no Over-Load, mas munição convencional não fez absolutamente nada nele. Ele soltou faíscas pelas mãos, estourando o chão perto de Haruka, que rolou habilmente pra desviar.
– Haruka!! – gritou o Hallo Red.
Ele usou a Disturblade pra cortar o cabo que o prendia, mesmo enfraquecido pelo choque de alta voltagem. Depois usou sua velocidade de vampiro e pegou Haruka no colo, tirando ela de ser atingida por novas rajadas de eletricidade.
Os outros rangers usaram suas espadas pra se libertarem também, caindo ao chão. A Hallo Pink se levantou irritada, sacando a Disturblaster do coldre.
– Como ousa me eletrocutar, sua besta vil?? TOME ISSO!!
Ela disparou bem nos olhos do monstro, explodindo-os. Ele urrou alto de agonia, se debatendo. Hallo Green e Hallo Blue pularam juntos e atacaram com suas Disturblades ao mesmo tempo, causando cortes poderosos no monstro. Então, Hallo Yellow pulou usando os ombros de Hallo Green e Hallo Blue como apoio e desceu dando mais um corte poderoso com a própria Disturblade no peito do monstro, que caiu rolando.
– Over-Load, não se atreva a perder!! Passamos um tempão te melhorando!! – reclamou Auxina.
Hallo Red desceu Haruka do colo, colocando-a num lugar seguro. A agente ficou corada, mordendo o lábio. O líder dos Halloweengers só acenou com a cabeça e se virou pra voltar pra luta.
– … É Agente Kasumi!! Tome cuidado na luta…! – ela acabou dizendo.
Os cinco se juntaram diante do monstro, que já tinha regenerado os olhos com uma estranha energia mística ao redor deles (ela tinha desenhos de runas antigas).
– Ele possui feitiço de regeneração. Essa criatura parece ser um amálgama de todas as espécies… – comentou Hallo Green.
– Então vamos atacar de uma forma que não sobre nada. Disturblasters! – comandou Hallo Red.
Os cinco Halloweengers sacaram suas Disturblasters e falaram às gargantilhas ao mesmo tempo:
– HALLO FINISHER!!
Eles apontaram as pistolas pro alto e dispararam uma versão mais poderosa do tiro, criando uma imensa abóbora laranja de energia no alto. Depois, apontaram todos a abóbora de energia na direção do inimigo. Ela foi lançada cheia de poder e acertou o Over-Load, que urrou uma última vez e explodiu de forma avassaladora, a onda de choque destruindo postes ao redor. O impacto também fez Auxina cair e rolar no chão idiotamente, enquanto gemia com voz estridente. Ela se levantou furiosa.
– SEUS MALDITOS!! Não vai ficar assim!! Eu voltarei com uma criação ainda melhor!! FEIOSOS!! – ela gritou e depois jogou uma bomba de gás verde no chão.
Ela sumiu assim que a fumaça verde terminou de subir, deixando os Halloweengers incrédulos.
– É sério que ela só fugiu?? – reclamou Hallo Pink.
– Tchau, Auxi-chan!! – disse Hallo Yellow, toda fofinha.
– A cidade… tá toda detonada… – disse Hallo Blue.
– Tecnicamente, foram só um ou dois bairros. – disse Hallo Green.
– Tanto faz. Missão cumprida. – falou Hallo Red.
Os cinco desfizeram suas transformações, voltando pras forma civis. Haruka veio correndo.
– Vocês salvaram todo mundo… – ela falava ofegante.
– Não parece que eles gostaram. – disse Tsukihiko.
Todos olharam pra população que sobreviveu. Eles ainda fugiam desesperados.
– Aqueles ali também são monstros!! Fujam!!
– Eu vi!! Eles também são monstros!!
– Socorro!! Monstros!!
Haruka olhou melancólica, mordendo o lábio. Parte dela ficou chateada porque as pessoas não entenderam que foram salvas. Ela se virou pra dizer algo bacana…
… mas os Halloweengers sumiram. Todos eles.
– O… O quê?! – ela ficou incrédula. – Pra onde eles foram??
Quartel-General da ADPS. Era uma sala de chefia. Mais precisamente, a sala do Diretor-Geral da ADPS: Isamu Tsuyoshi. Ele é um homem na casa dos sessenta anos, vestido com um terno cinza escuro elegante que condizia com a importância do cargo e tinha um rosto completamente sério. Ele acompanhou toda a ação na cidade por meio de imagens de drones. Inclusive viu o momento que os Halloweengers sumiram: Asuka tinha criado um portal com sua magia. Tsuyoshi já imaginava o que estava por vir.
Uma grande luz cor de rosa se irrompeu no meio da sala do Diretor-Geral. Uma luz de magia com símbolos de runas. Os cinco Halloweengers apareceram diante dele. Tsukihiko deu um sorriso ameaçador.
– Bem, finalmente chegamos aqui. – disse o vampiro. – Você é o dono dessa maluquice toda que nos escraviza, certo?
Daichi avançou com os punhos fechados, juntas estalando. Sunako olhava com rosto sério, fazendo as bandagens nos braços dela flutuarem ameaçadores. Asuka tinha um sorriso homicida, os olhos brilhando em rosa, com varinha de bruxa em punho. Ren se transformou em lobisomem, a parte de cima da roupa se rasgando, o corpo lotando de pelos, a forma da cabeça ficando semelhante à de um lobo furioso, olhos na cor âmbar, garras crescendo no lugar das unhas. E Tsukihiko, com os olhos bem vermelhos, fez as presas de vampiro se destacarem, num sorriso realmente diabólico.
– Ou você manda nos libertarem agora… Ou vamos te estripar de formas que não deveriam passar no horário nobre. – ameaçou Tsukihiko.
Tsuyoshi manteve o semblante sério. Nada daquilo o intimidou, mesmo sendo 100% humano. Ele foi comentando:
– Então o plano era fingirem cooperar com tudo por um mês, fazer a Agente Kasumi baixar a guarda e depois virem até mim, a “cabeça da serpente”. Engenhoso.
– Menos elogio e mais ação. – disse Tsukihiko. – Queremos que tire essas coleiras de nós. AGORA.
– Desculpe, mas… Vocês são nossos. Isso nunca vai acontecer. – respondeu Tsuyoshi.
– O quê?! Como se atreve, seu humano imundo?? – esbravejou Asuka.
Tsuyoshi simplesmente levantou o braço esquerdo que estava escondido no ângulo que ele estava. Todos arregalaram os olhos: ele também tinha um dispositivo exatamente igual ao de Haruka. Antes que alguém pudesse pensar, o Diretor-Geral o acionou.
Todos os Halloweengers tomaram choques avassaladores no corpo inteiro. A sala foi preenchida pelos gritos dos cinco, que realmente sofreram com o nível do choque descarregado. Sunako caiu no chão e foi babando até desmaiar. Asuka até se urinou, desmaiando em seguida. Daichi caiu completamente abatido. Ren sentiu os pelos chamuscando e acabou voltando à forma humana. Tsukihiko ficou de novo em posição fetal, sentindo cada nervo de seu corpo agredido. O choque terminou e todos tinham fumaça subindo dos corpos.
A porta da sala foi aberta com voracidade: Haruka chegava com a pistola em punho, só pra ver os cinco Halloweengers completamente subjugados.
– C-Comandante… – Haruka olhava incrédula.
Tsuyoshi nem olhou para a agente. Ele andou e pisou forte na lateral do rosto de Tsukihiko, como se ele fosse um lixo. Tsukihiko não tinha força nem pra falar, só grunhindo de dor.
– Voltem pro castelo imundo de vocês e aguardem novas ordens. Se tentarem isso de novo, vou fritar vocês tanto que poderei servi-los com torradas e bacon. – disse o Diretor-Geral.
E assim começa a saga do Esquadrão do Terror Halloweenger. Com eles tendo inimigos por toda a parte e jurando se libertarem um dia.
Continua...

