If Love Lives In Your Heart
If Love Lives In Your Heart
Capítulo 17 min de leitura

If love lives in your heart

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O mundo inteiro acende o brilho de seus olhos se o amor vive em seu coração.

– Yuliya Savicheva, Yeslee V Syerdtse Zhivyot Lyoobov\'

Imaginar não era o bastante, sequer tocar. Sequer a respiração contra sua pele servia de prova fatídica para tudo aquilo que um dia ele jurou que não passaria de um sonho. Shou tentara bloquear de todas as formas as informações que seus olhos, pele, boca recebiam por meio de estímulos externos. Mas não fazia isso porque não queria o que tinha na cama ao seu lado...

O fazia porque tantas vezes à noite os sonhos deixavam impressões tão profundas que ele mal podia acreditar que elas não eram realidade. Tinha medo de acordar para o vazio daqueles dias, mais uma vez.

- ...Hm... – Murmurou, mastigando o lábio inferior cheio, as pernas chegando ao peito quando sentou-se, desarrumando as cobertas floridas que ganhara de sua mãe. — ...É verdade... – Com um longo indicador liso, cutucou a pele alheia, não recebendo lá muita resposta (também, tirara o dedo na velocidade da luz quase quando realmente sentiu a textura da tez.). – É verdade...

Murmurou embasbacado, sua primeira reação foi roçar o indicador contra o polegar, bem não tivera nenhum acidente neural que lhe causava sensações estranhas, então é, aquele corpo estava realmente ali. – Verdade... – Aos poucos ele foi mergulhando nas cobertas, como se elas fossem um oceano (com uma estampa bem ridícula, bem podia ser o fundo do oceano) até que apenas os olhos ficassem de fora e ele pudesse focar o outro homem. Bem, eu posso estar maluco. Pensou, vendo o outro mover o nariz, a mão grande se erguendo, tirando os fiapos loiros que causaram a contração.

Novamente Shou esticou o indicador, dessa vez parando sob o nariz ligeiramente avantajado, e bem... A figura ali respirava. Realidade dois, sonho zero....Ou um, havia ainda a questão mais importante, latente, gritando para emergir. Novamente o vocalista pôs-se a remoer o lábio carnudo e todas suas incertezas—a cama não mais lhe parecia confortável, como se o algodão das cobertas se tornassem instantâneamente uma cama de faquir e o atingisse a cada segundo com suas agulhas pontiagudas, o loiro levantou calmamente, dando passos e mais passos para trás, até que as costas atingissem o patamar da janela.

- Ok, isso vai me deixar louco. – Sussurrou mais para si mesmo que para qualquer outra entidade do quarto, dando as costas ao que se tornou seu medo mais pronunciado nas últimas horas para observar a cidade. O corredor de luzes ofuscantes que o convidava a escorregar a janela no trilho de alumínio e colocar a cabeça para fora, escutando a cacofonia de sons tão típica de Tóquio. As pessoas para o vocalistas eram senão cigarras modernas, de seu andar, apenas pequenos zumbidos podiam ser ouvidos, carros soavam mais como morcegos, repetindo as buzinas como radares, deslocando o ar com seu movimento rápido e ao fundo ele podia ouvir como as milhares de músicas pareciam se entremear, sons diferentes atingindo seus ouvidos e o desorientando... E ele era uma mariposa, atraída a todas aquelas luzes, sons...

- Kohara. — Se aqueles braços fortes não tivessem o segurado pela cintura, com certeza, no dia seguinte haveria uma multidão de fãs insandecidas linchando um pobre baixista, pois ele seria a causa do repentino pulo, seguido por um vôo curto e desajeitado e um baque fenomenal de Shou contra o asfalto. – Volta pra cama. — Ele resmungou, roçando o nariz e os lábios em um canto descoberto do pescoço do mais velho, solicitando arrepios mais que bem vindos na figura mais alta; ledo engano deixar suas pintas descobertas por uma camisa que parecia ser feita para ele e mais três clones caberem dentro. Mas de qualquer maneira ele deu meia volta, observando quem o olhava sob a meia luz inteira do brilho da cidade.

A primeira coisa que o tocou foram os adoráveis erros da natureza àquela hora da madrugada: os olhos inchados de sono, as bochechas idem (mas que pareciam combinar com o nariz por vezes desproporcional), alguns círculos escuros por debaixo dos olhos pequenos, o cabelo que parecia apontar para várias direções (isso sem contar as partes cheias, que pareciam uma nuvem) e até mesmo... Era um rastro de saliva endurecido ali? – Que foi? Eu...Babei? – Perguntou Saga, muito alerta de seu hábito, Shou apenas balançou a cabeça afirmativamente, rindo de como ele correra para corrigir um dos erros, esfregando as costas da mão e limpando o detalhe peculiar. – Anda, volta pra cama... – Disse mais uma vez, a voz bonita que o acompanhara por diversas músicas soando grogue e embargada por tanto sono que o outro parecia sentir.

- Hm, pode ir, eu vou depois. – Mas como o nabo irritante que era ele recusou-se a se mover, plantado ali, os braços envolvendo o vocalista e ele sabia que era hora de confessar aquele medo que pulsava sob as veias. – ...É que às vezes eu não acredito.

- Uh?

- Sabe...Eu...Você....Cama...Euvocêcama. – Cada vez que o vermelho em suas bochechas piorava ele embolava mais as palavras, tornando-as um mantra baixinho enquanto Saga ria, murmurando algo divertido e o balançando em seu abraço. – Sabe? – O outro balançou a cabeça afirmativamente, o sorriso elevando ainda mais as bochechas inchadas.

- Às vezes eu também não, mas mesmo que não fosse verdade, não adianta pular da cama e ficar olhando pra fora, nem me cutucar. – Dessa vez, o vocalista loiro olhara para baixo, efetivamente escondendo o rosto no peito do mais novo. – Me acorde ok?

Balançando a cabeça veementemente e erguendo os olhos, por detrás da franja podia ver os olhos do outro, refletindo a cidade e apenas aquilo o acalmava, fazia o coração ficar indeciso entre o mais rápido e o mais lento. – Ok...

E se decidiu entre a calma do bater, a mesma lentidão que o dizia que não conseguiria pontuar mais sua batalha de realidade versus sonho, porque a opção correta seria ‘sonho real’.