Humanos-robôs
Eram dezenas de corpos sentados nas cadeiras daquele escritório, cada um em seu cubículo, cada um com seu computador. Os rostos eram robóticos, digitando cada palavra indicada. Viviam para o trabalho, não restavam dúvidas. Sentimentos? Haviam perdido em algum lugar pelo caminho. Eram moldes ocos, apenas.
De tempos em tempos, alguns atendiam seus celulares, completamente escravizados pela tecnologia. Pronunciavam meia dúzia de palavras e estava feito.
Dentre todos aqueles, um corpo humano se destacava: os olhos rodeavam toda a sala, perplexos com o que viam; os dedos mexiam-se lentamente no teclado do computador, sem a menor habilidade; esse corpo tinha movimento, não era como a arvóre que os outros pareciam ser. Não era um humano-robô, era uma revolução.
O humano levantou-se, respirando fundo. Estava determinado a acabar com todo aquele comportamento robótico.
- HEY, VOCÊS! — Bradou à plenos pulmões. A atenção voltou-se completamente a ele. Pela primeira vez em anos, pararam para escutar. — A vida não se resume ao trabalho. Vocês são felizes? Por um instante parem pra pensar e reajam! — Por um momento, pareceu funcionar, todos expressaram algum tipo de reação. Um segundo depois, tudo desmoronou. Todos sentaram novamente, voltando a atenção ao computador, os mesmos olhos vidrados. A revolução veio e se foi.
Os corpos tinham mais um adicionado a eles. Ganharam mais um humano-robô.